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	<title>Arquivos amigos - Pedro Assun</title>
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	<description>Redator - Roteirista - Escritor</description>
	<lastBuildDate>Mon, 09 Mar 2026 20:02:19 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos amigos - Pedro Assun</title>
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		<title>Prova de amor</title>
		<link>https://pedroassun.com.br/cronica/prova-de-amor/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pedro Assun]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Mar 2026 11:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[casamento]]></category>
		<category><![CDATA[prova]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A união entre um teste e um casamento.           Durante minha vida toda, estudei na mesma escola. Um colégio jesuíta, que apesar de ser religioso, não era só para meninos – ainda bem – como os de antigamente. Outro ponto é que ele era enorme. Para você ter uma noção, tinha ...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>A união entre um teste e um casamento.</strong></span></p>
<p><span id="more-4979"></span></p>





<p><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>Durante minha vida toda, estudei na mesma escola. Um colégio jesuíta, que apesar de ser religioso, não era só para meninos – ainda bem – como os de antigamente. Outro ponto é que ele era enorme. Para você ter uma noção, tinha inúmeras quadras poliesportivas, piscinas, 2 prédios, um andar só de dormitório dos padres e, claro, uma igreja ao lado. </span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>A vida seguia tranquila, até chegar na 8ª série, quando começaram a falar de carreira e surgiram os “testões”. Simulados do vestibular que compunham a nota de todas as matérias e aconteciam a cada 2 meses. E para melhorar, sempre aos sábados.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">Faltando 2 dias para a próxima prova, ao invés de revisar o conteúdo, bolo planos que me ajudariam com minha maior inimiga: a matemática. Chego em uma ideia. No dia seguinte, me aproximo do meu amigo Rafa, considerado o aluno mais esperto da série e único que toparia me ajudar, e explico:</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          — </strong>O segredo está na borracha: cada posição dela na mesa significa uma das alternativas – conforme falo, vou apontando – no canto superior é A, inferior B, meio C… </span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">Ele pergunta: </span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          — </strong>Tá certo, mas como você vai saber em qual questão estou? </span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">Coloco a mão no queixo e enquanto meus olhos procuram um foco, acabo vendo um outro aluno comendo salgadinho. </span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          — </strong>Já sei! Você não leva lanche pra prova?</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          — </strong>Levo. Uma barrinha de cereal.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>Combinados então que o número da mordida corresponderia ao número da questão.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>Chega a hora da prova, consigo sentar na diagonal traseira do Rafa, lugar perfeito para vê-lo sem dar bandeira. A primeira matéria é Geografia. Vou respondendo pergunta por pergunta, sempre com um olho na prova e outro no meu amigo. Afinal, se tem uma coisa que a gente não combinou é o momento que ele sentiria fome.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>Pulo a próxima que é Matemática. As horas passam junto à História, Português e Física. Quando estou em Química, ele pega na barrinha, mas apenas a ajeitá-la na mesa, nada de mordida. “Meu Deus, que ordem que ele tá fazendo?” penso. Passo para Biologia. Finalmente, Rafa abre a barrinha e dá a 1ª mordida, eu vou para Matemática e como um espião da Segunda Guerra, ele vai me passando código por código: 1<strong>ª </strong>pergunta resposta B, 2<strong>ª </strong>C, 3ª B… até que terminamos. Volto pra Biologia e, depois de um tempo, termino o testão. </span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>Na saída da prova, batemos as respostas com outros amigos e concluímos que acertamos 80% de Matemática! Na verdade, o Rafa acerta 100%, eu que errei um ou outro código. Ainda assim, tem outras matérias para eu ir bem, e, por isso, vou à igreja do colégio pedir uma nota divina.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">Entro pelas imensas portas e noto um clima diferente. Uma iluminação à meia luz formada por grossas velas, arcos de flores espalhados na ponta dos bancos onde estão sentadas pessoas de social e um tapete vermelho que percorre o centro e leva a um casal no altar. A princípio, acredito que é renovação de votos, porém ao ver o homem de terno e a mulher de vestido branco, vem a certeza de ser um casamento. </span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>Eu me posiciono perto dos convidados para assistir a cerimônia que, infelizmente, já estava no final, então só dá para acompanhar o beijo de encerramento. Todos ovacionam de pé enquanto o agora casal se encaminha para a saída da igreja. Entre acenos e sorrisos, a esposa para por um instante e fixa o olhar no participante inusitado: um menino de uniforme, no último banco, que também a aplaude enlouquecidamente. Ela deixa escapar uma cara que mistura estranheza e curiosidade, mas segue o baile &#8211; ou melhor, o casamento.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>No fim das contas, sai de lá sem reza nem nota boa. Em compensação, fui ao meu 1° casamento e ainda saí com um presente abençoado, já que peguei uma das flores da decoração e levei para minha mãe.</span></p>
<p> </p>
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		<title>Assalto n°1</title>
		<link>https://pedroassun.com.br/cronica/assalto-n1/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pedro Assun]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Mar 2026 11:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[copadomundo]]></category>
		<category><![CDATA[assalto]]></category>
		<category><![CDATA[amigos]]></category>
		<category><![CDATA[amizade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Roubar não vale nada.           Um dos personagens que entrou por acaso na minha vida foi o Zezão. Ele é filho dos anos 80 e era parte da turma mais velha da rua, que cresceu e foi cada um para um canto. Sozinho e abandonado, acabou fazendo amizade com os irmãos ...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 35px;"><b>Roubar não vale nada.</b></span></p>
<p><span id="more-4962"></span></p>





<p><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>Um dos personagens que entrou por acaso na minha vida foi o Zezão. Ele é filho dos anos 80 e era parte da turma mais velha da rua, que cresceu e foi cada um para um canto. Sozinho e abandonado, acabou fazendo <a href="https://pedroassun.com.br/cronica/cronica-saideira/">amizade</a> com os irmãos mais novos da turma mais velha, ou seja, eu e meus amigos.<br /></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>2006, Zezão, medindo 1,78 m, está no auge da sua vida com seu físico trincado e a moda “Velozes e Furiosos 1” – estilo que ele nunca abandonou – em alta. Ele anda por aí desfilando seus Nike Shox e com músculos e mamilos à mostra, graças à sua regata fininha.<br /></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>Se você bem se lembra, esse também é ano de Copa do Mundo – a da Alemanha –, única época que, de alguma forma, me envolvo com futebol, tanto que compro o famoso “álbum de figurinhas da Copa”.</span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>       <br />           </strong>Nesse dia, depois de passarmos horas ajudando a mãe dele na arrumação de suas <a href="https://pedroassun.com.br/cronica/amizades-e-formaturas/">festas</a> chiques, eu e Zezão seguimos para minha casa, pois, mais tarde, iríamos encontrar o resto da turma. No caminho, paramos numa banca de jornal para comprar alguns pacotinhos. Eles não custam muito, então uso meu dinheiro contado para adquirir 4 pacotinhos com 5 figurinhas cada. Não aguento esperar e abro ali mesmo na frente do vendedor. Olho uma por uma, alternando entre a decepção das repetidas e o entusiasmo das inéditas. Coloco todas no bolso do shorts e continuamos para o metrô.<br /></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>Desembarcamos na estação mais próxima da minha casa por volta das 11 da noite. Não ficava longe, mas, por causa do horário, viro para o Zezão e digo:<br /><strong>           </strong>— Vou ligar pra minha mãe buscar a gente (de carro).<br /></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>— Não precisa. Vamos a pé rapidinho. – Ele responde despreocupado.<br /></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>“Bom, tá bom, com um amigo desse ninguém vai se meter com a gente?!” – penso comigo mesmo.<br /><strong>           </strong>Cruzamos algumas ruas praticamente vazias. Somente um casal de homens com seus cachorros passa por nós. Até que chegamos ao muro que dava na minha casa, um trecho sempre à meia-luz, graças às árvores que filtram a iluminação do poste. Um homem curvado vem na direção contrária; pra gente, mais uma pessoa que passaria direto, mas não: ele se aproxima, pergunta a hora e, antes de respondermos, nos aponta uma arma. Num instante, Zezão corre. Eu e o assaltante ficamos imóveis, desacreditados, observando a cena por alguns segundos. Então o criminoso olha para o lado e me encontra ali, encostado no muro com as mãos levantadas, e faz uma cara de surpresa como quem lembrasse: “Ah, sobrou outro!”. </span><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;">Ele exige meu celular.</span><br /><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;"><strong>           </strong>— Não tenho. – Minto na cara dura.</span><br /><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;"><strong>           </strong>— Passa o dinheiro! – Sua mão e a arma tremem enquanto fala comigo. Um tremor a mais e o gatilho pode ser disparado.<br /><strong>           </strong>Coloco a mão no bolso procurando minha carteira e, sem querer, tiro as figurinhas. Ele as arranca da minha mão, sente que não é dinheiro e joga no chão.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>— Cadê o <a href="https://pedroassun.com.br/cronica/reu-primario/">dinheiro</a>? – Ele está mais ansioso.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>Encontro a carteira no outro bolso, abro-a para tirar as notas, mas, novamente, o assaltante puxa tudo de mim.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>— Pô, pelo menos deixa os documentos.  – Eu falo enquanto ele abre cada compartimento da carteira. </span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>O assaltante não responde, pega algo, descarta o resto e some na escuridão.<br /><strong>           </strong>Respiro aliviado e começo a resgatar minha carteira e as figurinhas do chão, uma a uma, até que percebo uma nota de 1 real entre elas. No mesmo segundo, me vem uma lembrança de que eu só tinha 2 reais na carteira, ou seja, fui roubado sim, mas só me levaram 1 real.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">            Meu próximo passo é encontrar meu “corajoso” amigo. Sigo em direção ao sentido que ele correu e o vejo andando tranquilamente com o casal de homens. Ele se vira, olha pra mim e diz: <br /></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>— Ué?! Por que você não correu também? </span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>É, meus amigos, algumas amizades valem menos que 1 real.</span></p>
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		<title>Abrisersário</title>
		<link>https://pedroassun.com.br/cronica/abrisersario/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Pedro Assun]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Jul 2024 14:14:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[amigos]]></category>
		<category><![CDATA[amizade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uma festa que é pura viagem.             Recebo uma mensagem da Mari dizendo que a porta está aberta. Eu, Re e Tiago entramos e nos deparamos com uma sala decorada com cores pasteis e madeira. Conforme andamos pelo corredor seguindo a música pop, tenho a sensação de que a casa fica cada vez maior. Passamos ...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><span style="font-size: 35px; font-family: fonte-pedro;">Uma festa que é pura viagem.<br /><br /></span><span id="more-4506"></span></p>



<p><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">            </span></span>Recebo uma mensagem da Mari dizendo que a porta está aberta. Eu, Re e Tiago entramos e nos deparamos com uma sala decorada com cores pasteis e madeira. Conforme andamos pelo corredor seguindo a música pop, tenho a sensação de que a casa fica cada vez maior. Passamos pelas portas do banheiro, cozinha, sala de jantar e uma escada para um 1° andar. Tudo parece se encaixar perfeitamente: os móveis, a posição dos cômodos, a pintura, a decoração, como se a casa pertencesse a parte rica do Titanic – antes de afundar. Chegamos até a uma escada que leva onde a festa realmente acontece.<span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2"><br />          </span></span></span><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">—  Aqui, gente! – Mari acena lá de baixo.<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">          </span></span></span><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">Descemos os degraus e Mari, com seus olhos de pôr do sol e jeito de champanhe com morango, vem logo nos cumprimentam com um abraço apertado.  Em seguida vem Bruna, a aniversariante, com cabelos de ondas do mar e que além irmã da Mari, dava uns beijos sem compromisso no Tiago.<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">          </span></span>Ao nosso redor, em cima do piso de cimento, estão uma mesa com salgados, pizzas, sanduíches, um enorme isopor com bebidas e gelo dentro, pessoas e cadeiras de diversos tipos, uma churrasqueira abandonada e um quarto com uma janela em que é possível ver toneladas de coisas empilhadas. Dá pra notar que estamos no refúgio dos móveis planejados, onde a bagunça é permitida, onde Mufasa descreveria como: “o lugar em que sol não toca.”<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">          </span></span></span><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">Depois de horas de risadas, bebidas e fofocas, cantamos os parabéns e nós 3 saímos para fumar unzinho na frente da casa – no caso, o Re foi fumar e eu e o Tiago só fomos recarregar a bateria social.<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">          </span></span></span><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">A gente fica lá um tempo, volta e de repente, o clima está diferente. Bruna nos vê, dá um beijão em Tiago e eles somem na festa de mãos dadas. Um dos convidados, de óculos escuros, se aproxima da gente:<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">          </span></span>— Vem cá, vou aqui pensar numa coisa e vocês vê se me entendem – ele diz enquanto aperta os olhos e coloca a mão ao lado da testa.<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">          </span></span>— Tô recebendoooo, cara – Re diz.<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">          </span></span>— Pra mim não veio nada – respondi.<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">          </span></span>— Acho que sua internet é discada ainda, mas com certeza, vai chegar o pensamento aí. — o rapaz sai para comer uma pizza.<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">          </span></span>Aliás, um formigueiro de pessoas faz uma fila bagunçadamente organizada para pegar as comidas de uma só vez. Enquanto isso, a mãe de Mari e Bruna, Dona Edileusa, abre a porta do quartinho, retira uma bike ergométrica e começa a dar aula de spinning para algumas pessoas que imitam exercícios com bicicletas imaginárias.<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">          </span></span>Vou ao banheiro e me deparo o pai de Bruna, Seu Inácio, batendo na porta. Alguém lá dentro xinga e ele novamente bate.<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">          </span></span>— Não tá vendo que tá ocu&#8230; — Tiago abre a porta enfurecido quando dá de cara com Seu Inácio.<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">          </span></span>Seu Inácio vê Tiago saindo do banheiro seguido Bruna com batom vermelho borrado. Seu Inácio rir sem parar e dá uma leve tapinha no obro de Tiago que fica com um sorriso amarelo.<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">          </span></span>Quando noto, no cantinho, do lado de 3 senhoras cantando louvor ao som de Ivete Sangalo, alguém rindo descaradamente enquanto segura uma panela: Mari.<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">          </span></span>Vou até lá. <br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">        </span></span>— O que tem aí?!<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">        </span></span>— Nada não. É brigadeiro só.<br />Entre uma palavra e outra, ela falha miseravelmente em segurar risadinhas.<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">       </span></span>— Certo&#8230; O que tem nele? – pergunto a olhando nos olhos.<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">        </span></span>— Ah, nada demais, o de sempre: chocolate, leite condensado e&#8230; maconha.<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">       </span></span>— Mariana! Você deu brisadeiro pra todo mundo na festa?<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">       </span></span>— Eu e a Bruna nunca experimentamos aí queríamos dividir essa alegria com esse povo liiindo. E foi uma colherzinha só – e me mostrou uma enorme colher de pau junto com a panela raspada.<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2"> </span></span><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">    </span></span>— Pera, que horas que foi isso?<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">    </span></span>— Depois do parabéns, pra dar aquela animada. Pera&#8230; – ela coloca a mão na barriga – acho que preciso deitar um pouco.<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">        </span></span>Mari então sobe as escadas e um tempinho depois, vai Bruna. Pergunto pra Tiago o que houve e ele me responde: “começou a sentir uma dor de barriga do nada.”<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">        </span></span>No fim, a festa foi uma viagem que todo mundo curtiu sem saber o motivo ao certo, exceto por Mari e Bruna que terminam a noite passando mal na sala por causa, de acordo com as próprias, de muito leite condensado.<br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /></span></p>
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		<title>Amizades e formaturas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pedro Assun]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Jan 2021 17:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[despedida]]></category>
		<category><![CDATA[amigos]]></category>
		<category><![CDATA[amizade]]></category>
		<category><![CDATA[formatura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Já dizia o poeta: que as formaturas sejam eternas enquanto durem.   ㄧ Sabe que a gente nunca mais verá o Felipinho né!? ㄧ É o que Vini me diz enquanto olhamos nosso amigo se despedindo dos outros.  Acho que o Felipinho já trabalhava com a gente há uns 2 anos. É aquele tipo de ...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-medium-font-size"><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 35px;">Já dizia o poeta: que as formaturas sejam eternas enquanto durem.</span></p>



<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: fonte-pedro;"><span id="more-2493"></span><span style="font-size: 30px;">  ㄧ Sabe que a gente nunca mais verá o Felipinho né!? ㄧ É o que Vini me diz enquanto olhamos nosso amigo se despedindo dos outros.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"> Acho que o Felipinho já trabalhava com a gente há uns 2 anos. É aquele tipo de cara que passa despercebido de longe ㄧ e de perto também ㄧ pois sempre foi muito calado. Mas depois um tempo, ele começou a ouvir as conversas de canto e logo soltava um comentário sarcástico e bem baixinho, algo que só quem estava do lado tinha o prazer de rir junto; virou uma companhia disputada nos almoços.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">Era um exemplo de foco. Nunca tirava o olho da sua tela, nem da dele e nem das nossas, sabia que o Vini cantava para plateia imaginária em um show não tão particular, enquanto o Danilo fazia trabalhos da faculdade, ao mesmo tempo que a Luciana via a programação das ondas do final de semana na praia, e eu disfarçava para escrever textos fora da pauta &#8211; inclusive ele já teria lido essa crônica. E não só de fofoca eram suas teladas (Aqui vale uma explicação: Telar. Verb. Tr. bisbilhotar a tela de computador ou celular alheio)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">Criamos o &#8220;Selo Felipinho de Qualidade&#8221;, entregue aos recebedores dos e-mails em branco, cujo o assunto explicada tudo: &#8220;me passa essa referência aí &#8220;. Um atestado que o conteúdo da sua tela era interessante. Embora o prêmio de verdade era de quem ele respondesse no whats, a gente só sabia que ele lia as mensagens porque fazia questão de aparecer em todos os aniversários, churrascos, encontros, despedidas, chá dos filhotes do cachorro do Guto.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">Na segunda, Felipinho já estaria em outra agência, provavelmente sendo apresentado como &#8220;o novo cara da arte&#8221;, e em breve, teria novos amigos, novas piadas internas, novos lugares pra almoçar e reclamar do preço. Enquanto nós ficaríamos sem nosso hobby matinal favorito: atazaná-lo enquanto ele comia um pão na chapa com requeijão.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">Mesmo sabendo que sua rabugice faria falta, estávamos felizes por ele. Essa foi uma das razões por que achei que a frase do Vini, era da boca pra fora, uma dessas falácias carregadas pela saudade. Mas, ao contrário de muitas expressões que perdem seu sentido com a repetição descarada ㄧ por pessoas como o <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://pedroassun.com.br/contaipe/cronica/o-cara-do-violao/">cara do violão</a><strong> &#8211;</strong></span> essa ficou mais forte. E cada vez que um amigo se despedia da agência, eu lembrava com mais atenção daquelas palavras.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">E depois de um tempo, elas fizeram sentido; pensa um pouco, puxa da memória; com certeza, você teve alguém muito próximo durante um intervalo muito específico de tempo, mais precisamente, durante uma convivência; de uma viagem, um curso, um trabalho, uma noite ㄧ a famosa amizade de bar ㄧ ou até um amor de carnaval. E então, acaba. Não vai se acabando com os anos, mas desmorona com o cravar da sua própria hora, assim como uma festa. Mais do que isso, assim como uma formatura.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">&#8220;Mas&#8230;formaturas são festas como qualquer outra.&#8221; ㄧ você pode pensar enquanto segura a cabeça com as mãos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">Bom, se você acha isso é porque nunca foi em uma e eu vou te explicar a diferença ㄧ caso tenha ido, vamos fingir que não, para eu poder continuar a crônica, beleza!?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">Formaturas, seja de colégio ou faculdade, são diferentes. Pra começar, elas são completas, tem gente bonitas ㄧ no mínimo bem vestida ㄧ comidas à vontade, shows ao vivo, pista de dança, lugar pra sentar ㄧ depois dos 30, isso é muito importante ㄧ e um ambiente único. Mesmo que você não seja um formando, você sente a atmosfera de perfume de nostalgia misturado à incerteza do futuro e vê brindes que celebram sonhos. Nesta noite, completos estranhos se tornam melhores amigos, casais recém-formados juram amor eterno, Nazaré e Maria do Carmo sentam na mesma mesa e combinam o próximo churrasco, enquanto uma Glória Menezes, que veio só pelo netinho e ia embora após o primeiro brinde, fuma unzinho com os formandos. Tudo acontece em nome de um sentimento de união e pertencimento, que pela sua intensidade, parece imortal. Até que as luzes do salão se acendem, abrem as portas e o perfume se dissolve.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">Entenda que não são encontros falsos, pelo contrário, eles têm entrega e presença; as pessoas curtem, se divertem, aproveitam, compartilham sentimentos…E tudo isso continuará intacto para um futuro reencontro, onde como fotografias, esses momentos merecem uma revisita, ou talvez não, talvez quando elas se cruzarem na rua, sejam só desconhecidos com um passado em comum. Ninguém sabe.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">Afinal, nem toda amizade é pra sempre. E acho que tanto o Vini quanto o Felipinho já sabiam disso.</span></p>
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		<title>Corações e cinzas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pedro Assun]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Jun 2018 13:51:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[amigos]]></category>
		<category><![CDATA[relacionamento]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um relacionamento em crise, uma locadora de fitas e uma amizade que o mundo precisava conhecer.            Ela o ama com todas as suas forças, declarações e ansiedades. Ele. Ele faz amor com os ciúmes, as tatuagens e os sorrisos. Passaram por muitas estreias. Conhecem seus mundos e seus preços também. ...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-medium-font-size"><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 35px;">Um relacionamento em crise, uma locadora de fitas e uma amizade que o mundo precisava conhecer.</span></p>


<p style="text-align: justify;"><span id="more-1606"></span><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;"> <strong>           </strong>Ela o ama com todas as suas forças, declarações e ansiedades. Ele. Ele faz amor com os ciúmes, as tatuagens e os sorrisos. Passaram por muitas estreias. Conhecem seus mundos e seus preços também. Mas não são muito bons em se doar. Às vezes, ele não a enxerga. Às vezes faz até demais. Já ela, se esconde na ironia. Eles se sentem só. E sabem disso.<strong>           </strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;"><strong>           </strong>Nos seus planos está um casal. Um cachorro e uma gata. O Rex vai ensinar a levantar de madrugada para acabar com o latido, a ter energia para brincar depois de um dia de trabalho, a dizer sim para uma cara de coitadinho… A paciência, vão aprender com a Summer. Afinal, gatos são os adolescentes do mundo animal.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400; font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>Mas antes disso, se perdem. Brigas, presentes, inseguranças, desejos. Ela não é a mesma do começo. Ele também não. Transformaram um ao outro. E no fim, se encontraram em outras pessoas. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>Os dois vão casar este ano.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>*</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400; font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>Quando eu era menor, vivia em uma locadora. Lembro que toda sexta estava lá, passeando por prateleiras de sonhos e aventuras em forma de fita. Voar de galho em galho ou na pista de corrida? Lutar até a morte ou salvar a princesa? Escolher uma só, era praticamente impossível. E o final de semana inteiro jogando videogame era pouco para quem tinha todo tempo do mundo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400; font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>Na segunda à noite, a fita estava na mão. Quentinha porque acabou de sair do meu videogame. E quando novamente entrava naquela simpática casa, tentava ser invisível. Ou quem sabe, a dona me esqueceria enquanto trocava receitas com minha mãe. Pura imaginação. Porém a tristeza da devolução era recompensada pelo entusiasmo de um novo jogo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400; font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>A locadora se transformou com o tempo. Virou loja de CDs. De DVDs. De produtos de limpeza… Mas continuava sempre ali, no mesmo lugar. Uma infância intocável em meio a prédios altos e sem graça. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">Hoje ela foi demolida<b>.</b></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400; font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">*</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400; font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>15 dias&#8230; Ou serão 17 meses? 20 anos? Sintonia é mesmo uma coisa difícil de medir. Muitas vezes, ela simplesmente acontece. E com essa não foi diferente. Uma amizade que desde o início é fiel como uma torcida e eterna como a rua. Parece até que veio dos quadrinhos. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400; font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>Nós passamos por muito: sobrevivemos às festas de 15 anos, ao pai dele bêbado, às namoradas loucas &#8211; tivemos um infarto quando a Bruna pisou no Playstation. Resistimos ao meu tio chato, à recuperação, às tentações da cachaça &#8211; ok, nem todas as tentações.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400; font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>Assisti àquele coração, fácil como o de um cachorro, fazer as maiores cagadas e sofrer grandes decepções. Mas também o vi crescer e se tornar um cara foda, que todo mundo admira. Um cara que o mundo precisava conhecer.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>Esta semana ele mudou de país.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><b>*</b></span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><b>*</b></span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><b>*</b></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">É…</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">São tempos de mudanças.</span></p>

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		<title>Origem</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pedro Assun]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Mar 2011 03:22:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Rima]]></category>
		<category><![CDATA[amigos]]></category>
		<category><![CDATA[momentos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sei lá, essa coisa que às vezes me dá de olhar o céu ou o mar. Com a sensação de não pertencer a esse lugar. E enquanto isso, um tanto de perguntas surgem: Quantos mais são os olhares perdidos? Qual foi o fim dos amigos esquecidos pelo tempo? O que as pessoas querem perguntar à ...</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Sei lá,<br />
essa coisa que às vezes me dá<br />
de olhar o céu ou o mar.</p>
<p><span id="more-877"></span>Com a sensação<br />
de não pertencer a esse lugar.<br />
E enquanto isso,<br />
um tanto de perguntas surgem:<br />
Quantos mais são os olhares perdidos?<br />
Qual foi o fim dos amigos<br />
esquecidos pelo tempo?<br />
O que as pessoas querem perguntar à mim,<br />
são sobre os mesmos assuntos que eu me pergunto?<br />
Ou serão completamente diferentes?<br />
O que elas se perguntam?!</p>
<p>Há momentos,<br />
que eu encontro meu lar,<br />
como numa reunião de amigos<br />
ou no silêncio de um coração,<br />
mas não existe um definição certa.<br />
Ele é como o vento<br />
não se vê,<br />
se sente;<br />
sente a conexão<br />
entre<br />
corpo<br />
alma<br />
e mente.</p>
<p>E a próxima vez<br />
que você me encontrar com o olhar viajante<br />
pode perguntar:<br />
&#8220;E ai Pedro, onde é que você está?&#8221;</p>
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		<title>Essa é pra você</title>
		<link>https://pedroassun.com.br/sem-categoria/essa-e-pra-voce/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Pedro Assun]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 27 Nov 2010 03:36:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[amigos]]></category>
		<category><![CDATA[amizade]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[rimas]]></category>
		<category><![CDATA[tamojunto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Você já segurou aquela vontadede falar umas verdadespra algumas pessoas? Gente com falsidade,Gente que abusa da autoridadee acha que respeito se impõe&#8230;Mas por alguma razão,você sempre se seguroue até pensou&#8220;a vida vai ensinar esse vacilão&#8221;. Até que chega,aquele diaque você não deveria ter levantadoque tudo dá errado.Você não sabe por queo mundo inteiro está contra ...</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Você já segurou aquela vontade<br>de falar umas verdades<br>pra algumas pessoas?</p>
<p><span id="more-885"></span><br>Gente com falsidade,<br>Gente que abusa da autoridade<br>e acha que respeito se impõe&#8230;<br>Mas por alguma razão,<br>você sempre se segurou<br>e até pensou<br>&#8220;a vida vai ensinar esse vacilão&#8221;.</p>
<p>Até que chega,<br>aquele dia<br>que você não deveria ter levantado<br>que tudo dá errado.<br>Você não sabe por que<br>o mundo inteiro está contra você!</p>
<p>Mas dessa vez,<br>você responde na mesma intensidade<br>tipo, quando vem aquela pessoa cheia de intimidade<br>&#8220;Pedrooo, me conta seus segredos?<br>Faz isso, isso, isso e isso<br>POR mim!&#8221;<br>&#8220;Vai se fude. Você não significa nada pra mim!&#8221;<br>E tudo o que você quer,<br>é voltar pra casa<br>e ficar de boa<br>ouvindo seu rapper, banda, cantor&#8230;<br>preferidos<br>ou encontrar aquele alguém<br>que com o olhar entende<br>o que você tem sentido.<br>Esse é o sentido de<br>irmandade<br>amizade<br>amor!</p>
<p>Porque você sabe<br>que aquela pessoa SEMPRE estará lá!<br>A qualquer momento,<br>para qualquer sentimento!<br>E essas rimas são um tributo,<br>pra você;<br>que sempre tem aqueles 5 minutos<br>pra qualquer assunto<br>&#8220;TAMO JUNTO&#8221;</p>

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