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	<title>Arquivos amizade - Pedro Assun</title>
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	<description>Redator - Roteirista - Escritor</description>
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	<title>Arquivos amizade - Pedro Assun</title>
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		<title>Prova de amor</title>
		<link>https://pedroassun.com.br/cronica/prova-de-amor/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pedro Assun]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Mar 2026 11:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[casamento]]></category>
		<category><![CDATA[prova]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A união entre um teste e um casamento.           Durante minha vida toda, estudei na mesma escola. Um colégio jesuíta, que apesar de ser religioso, não era só para meninos – ainda bem – como os de antigamente. Outro ponto é que ele era enorme. Para você ter uma noção, tinha ...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>A união entre um teste e um casamento.</strong></span></p>
<p><span id="more-4979"></span></p>





<p><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>Durante minha vida toda, estudei na mesma escola. Um colégio jesuíta, que apesar de ser religioso, não era só para meninos – ainda bem – como os de antigamente. Outro ponto é que ele era enorme. Para você ter uma noção, tinha inúmeras quadras poliesportivas, piscinas, 2 prédios, um andar só de dormitório dos padres e, claro, uma igreja ao lado. </span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>A vida seguia tranquila, até chegar na 8ª série, quando começaram a falar de carreira e surgiram os “testões”. Simulados do vestibular que compunham a nota de todas as matérias e aconteciam a cada 2 meses. E para melhorar, sempre aos sábados.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">Faltando 2 dias para a próxima prova, ao invés de revisar o conteúdo, bolo planos que me ajudariam com minha maior inimiga: a matemática. Chego em uma ideia. No dia seguinte, me aproximo do meu amigo Rafa, considerado o aluno mais esperto da série e único que toparia me ajudar, e explico:</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          — </strong>O segredo está na borracha: cada posição dela na mesa significa uma das alternativas – conforme falo, vou apontando – no canto superior é A, inferior B, meio C… </span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">Ele pergunta: </span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          — </strong>Tá certo, mas como você vai saber em qual questão estou? </span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">Coloco a mão no queixo e enquanto meus olhos procuram um foco, acabo vendo um outro aluno comendo salgadinho. </span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          — </strong>Já sei! Você não leva lanche pra prova?</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          — </strong>Levo. Uma barrinha de cereal.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>Combinados então que o número da mordida corresponderia ao número da questão.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>Chega a hora da prova, consigo sentar na diagonal traseira do Rafa, lugar perfeito para vê-lo sem dar bandeira. A primeira matéria é Geografia. Vou respondendo pergunta por pergunta, sempre com um olho na prova e outro no meu amigo. Afinal, se tem uma coisa que a gente não combinou é o momento que ele sentiria fome.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>Pulo a próxima que é Matemática. As horas passam junto à História, Português e Física. Quando estou em Química, ele pega na barrinha, mas apenas a ajeitá-la na mesa, nada de mordida. “Meu Deus, que ordem que ele tá fazendo?” penso. Passo para Biologia. Finalmente, Rafa abre a barrinha e dá a 1ª mordida, eu vou para Matemática e como um espião da Segunda Guerra, ele vai me passando código por código: 1<strong>ª </strong>pergunta resposta B, 2<strong>ª </strong>C, 3ª B… até que terminamos. Volto pra Biologia e, depois de um tempo, termino o testão. </span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>Na saída da prova, batemos as respostas com outros amigos e concluímos que acertamos 80% de Matemática! Na verdade, o Rafa acerta 100%, eu que errei um ou outro código. Ainda assim, tem outras matérias para eu ir bem, e, por isso, vou à igreja do colégio pedir uma nota divina.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">Entro pelas imensas portas e noto um clima diferente. Uma iluminação à meia luz formada por grossas velas, arcos de flores espalhados na ponta dos bancos onde estão sentadas pessoas de social e um tapete vermelho que percorre o centro e leva a um casal no altar. A princípio, acredito que é renovação de votos, porém ao ver o homem de terno e a mulher de vestido branco, vem a certeza de ser um casamento. </span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>Eu me posiciono perto dos convidados para assistir a cerimônia que, infelizmente, já estava no final, então só dá para acompanhar o beijo de encerramento. Todos ovacionam de pé enquanto o agora casal se encaminha para a saída da igreja. Entre acenos e sorrisos, a esposa para por um instante e fixa o olhar no participante inusitado: um menino de uniforme, no último banco, que também a aplaude enlouquecidamente. Ela deixa escapar uma cara que mistura estranheza e curiosidade, mas segue o baile &#8211; ou melhor, o casamento.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>No fim das contas, sai de lá sem reza nem nota boa. Em compensação, fui ao meu 1° casamento e ainda saí com um presente abençoado, já que peguei uma das flores da decoração e levei para minha mãe.</span></p>
<p> </p>
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		<title>Assalto n°1</title>
		<link>https://pedroassun.com.br/cronica/assalto-n1/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pedro Assun]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Mar 2026 11:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[copadomundo]]></category>
		<category><![CDATA[assalto]]></category>
		<category><![CDATA[amigos]]></category>
		<category><![CDATA[amizade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Roubar não vale nada.           Um dos personagens que entrou por acaso na minha vida foi o Zezão. Ele é filho dos anos 80 e era parte da turma mais velha da rua, que cresceu e foi cada um para um canto. Sozinho e abandonado, acabou fazendo amizade com os irmãos ...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 35px;"><b>Roubar não vale nada.</b></span></p>
<p><span id="more-4962"></span></p>





<p><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>Um dos personagens que entrou por acaso na minha vida foi o Zezão. Ele é filho dos anos 80 e era parte da turma mais velha da rua, que cresceu e foi cada um para um canto. Sozinho e abandonado, acabou fazendo <a href="https://pedroassun.com.br/cronica/cronica-saideira/">amizade</a> com os irmãos mais novos da turma mais velha, ou seja, eu e meus amigos.<br /></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>2006, Zezão, medindo 1,78 m, está no auge da sua vida com seu físico trincado e a moda “Velozes e Furiosos 1” – estilo que ele nunca abandonou – em alta. Ele anda por aí desfilando seus Nike Shox e com músculos e mamilos à mostra, graças à sua regata fininha.<br /></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>Se você bem se lembra, esse também é ano de Copa do Mundo – a da Alemanha –, única época que, de alguma forma, me envolvo com futebol, tanto que compro o famoso “álbum de figurinhas da Copa”.</span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>       <br />           </strong>Nesse dia, depois de passarmos horas ajudando a mãe dele na arrumação de suas <a href="https://pedroassun.com.br/cronica/amizades-e-formaturas/">festas</a> chiques, eu e Zezão seguimos para minha casa, pois, mais tarde, iríamos encontrar o resto da turma. No caminho, paramos numa banca de jornal para comprar alguns pacotinhos. Eles não custam muito, então uso meu dinheiro contado para adquirir 4 pacotinhos com 5 figurinhas cada. Não aguento esperar e abro ali mesmo na frente do vendedor. Olho uma por uma, alternando entre a decepção das repetidas e o entusiasmo das inéditas. Coloco todas no bolso do shorts e continuamos para o metrô.<br /></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>Desembarcamos na estação mais próxima da minha casa por volta das 11 da noite. Não ficava longe, mas, por causa do horário, viro para o Zezão e digo:<br /><strong>           </strong>— Vou ligar pra minha mãe buscar a gente (de carro).<br /></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>— Não precisa. Vamos a pé rapidinho. – Ele responde despreocupado.<br /></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>“Bom, tá bom, com um amigo desse ninguém vai se meter com a gente?!” – penso comigo mesmo.<br /><strong>           </strong>Cruzamos algumas ruas praticamente vazias. Somente um casal de homens com seus cachorros passa por nós. Até que chegamos ao muro que dava na minha casa, um trecho sempre à meia-luz, graças às árvores que filtram a iluminação do poste. Um homem curvado vem na direção contrária; pra gente, mais uma pessoa que passaria direto, mas não: ele se aproxima, pergunta a hora e, antes de respondermos, nos aponta uma arma. Num instante, Zezão corre. Eu e o assaltante ficamos imóveis, desacreditados, observando a cena por alguns segundos. Então o criminoso olha para o lado e me encontra ali, encostado no muro com as mãos levantadas, e faz uma cara de surpresa como quem lembrasse: “Ah, sobrou outro!”. </span><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;">Ele exige meu celular.</span><br /><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;"><strong>           </strong>— Não tenho. – Minto na cara dura.</span><br /><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;"><strong>           </strong>— Passa o dinheiro! – Sua mão e a arma tremem enquanto fala comigo. Um tremor a mais e o gatilho pode ser disparado.<br /><strong>           </strong>Coloco a mão no bolso procurando minha carteira e, sem querer, tiro as figurinhas. Ele as arranca da minha mão, sente que não é dinheiro e joga no chão.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>— Cadê o <a href="https://pedroassun.com.br/cronica/reu-primario/">dinheiro</a>? – Ele está mais ansioso.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>Encontro a carteira no outro bolso, abro-a para tirar as notas, mas, novamente, o assaltante puxa tudo de mim.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>— Pô, pelo menos deixa os documentos.  – Eu falo enquanto ele abre cada compartimento da carteira. </span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>O assaltante não responde, pega algo, descarta o resto e some na escuridão.<br /><strong>           </strong>Respiro aliviado e começo a resgatar minha carteira e as figurinhas do chão, uma a uma, até que percebo uma nota de 1 real entre elas. No mesmo segundo, me vem uma lembrança de que eu só tinha 2 reais na carteira, ou seja, fui roubado sim, mas só me levaram 1 real.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">            Meu próximo passo é encontrar meu “corajoso” amigo. Sigo em direção ao sentido que ele correu e o vejo andando tranquilamente com o casal de homens. Ele se vira, olha pra mim e diz: <br /></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>— Ué?! Por que você não correu também? </span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>É, meus amigos, algumas amizades valem menos que 1 real.</span></p>
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		<item>
		<title>Aventuras na fazenda</title>
		<link>https://pedroassun.com.br/cronica/aventuras-na-fazenda/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pedro Assun]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Mar 2026 11:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[adolescencia]]></category>
		<category><![CDATA[infancia]]></category>
		<category><![CDATA[amizade]]></category>
		<category><![CDATA[cronica]]></category>
		<category><![CDATA[Fazenda]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um dia de bosta. &#160; &#160; &#160; &#160; &#160; &#160;Um dos lugares que eu mais costumava ir durante a infância e adolescência foi a fazenda Regina, que pertencia ao Seu João, avô do Bruno, meu amigão de infância.&#160; &#160; &#160; &#160; &#160; &#160;Como ela ficava longe de São Paulo, não podíamos ir todo fim de ...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 35px;">Um dia de bosta.<br /></span><span id="more-4936"></span></p>



<p><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;"><strong>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;</strong>Um dos lugares que eu mais costumava ir durante a <a href="https://pedroassun.com.br/cronica/reu-primario/">infância</a> e <a href="https://pedroassun.com.br/cronica/estacionamentro/">adolescência</a> foi a fazenda Regina, que pertencia ao Seu João, avô do Bruno, meu amigão de infância.<br></span><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;"><strong>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;</strong>Como ela ficava longe de São Paulo, não podíamos ir todo fim de semana – embora não faltasse vontade –, pegávamos feriados emendados. A viagem era sempre bem divertida, marcada por muito papo frouxo, piadas e brincadeiras ao som de músicas antigas das fitas do Seu João. Íamos assim durante 6 horas até uma estradinha de terra, momento em que ele nos deixava subir na caçamba da caminhonete para irmos sentindo o ar do campo. Antes de chegarmos à grande porteira da entrada, já podíamos ver os enormes pastos verdes onde cavalos, bois, porcos e búfalos andavam e se alimentavam livremente para depois virar deliciosos bifes – os cavalos se salvavam desse destino.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;"><strong>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;</strong>Lembro que de tão grande que a fazenda era, Seu João sempre carregava um caderninho com anotações de quais animais estavam em qual pasto. Algo que não acontecia com o Joel, o faz-tudo da fazenda, que sabia essa relação de cor. Inclusive, na maioria dos dias, o Seu João botava eu e o Bruno para trabalhar com o Joel e seus 3 cães border collies: Jaiminho, Jorge e Jonas, na manutenção das terras e dos animais.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;"><strong>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;</strong>Em um belo dia desses, Seu João nos chama para dar uma volta pela fazenda. Ele queria ver os animais mais novos, os que estavam crescendo, quem estava pronto para o abate e assim por diante. Vamos eu, Bruno, Seu João, no seu lendário cavalo preto, Joel e outros peões. Em certo momento, nos deparamos com uma árvore centenária, linda, com uma copa verde que ia até o céu e galhos entrelaçados que iam até o chão. Todos começam a rodeá-la para continuar o caminho. Eu não. Como um cavaleiro destemido começo a ir reto. Ouço Seu João falando: “Pedro, não vai por aí não, melhor dar a volta!”. Na hora, penso: “Puff! Venho aqui há vários anos, já ajudei o Joel em todo tipo de coisa. Sei andar de cavalo e passar por baixo de uma simples árvore”. E lá fui eu seguindo sozinho, olhando a paisagem quando… um enorme galho me atinge no peito! O impacto não só me derruba como assusta os cachorros do Joel, que latem fortemente, e faz meu cavalo sair em disparada, com meu pé preso ao estribo. Sou arrastado por alguns metros, levantando grama e terra, até que o Bruno cavalga rapidamente chegando na frente do meu cavalo e consegue acalmá-lo. Eu me levanto com um corte no braço e monto novamente no cavalo. A vergonha está estampada na minha cara e os ouvidos estão cheios de terra e de “a gente avisou” vindo dos mais experientes.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;"><strong>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;</strong>Voltamos para a casa, onde a mulher do Seu João, Dona Majô, faz um curativo em mim e sugere que eu ficasse na casa. Algo que ignorei completamente: “eu tô bem, pronto pra outra” disse. Então eu e o Bruno decidimos ir à casa do Joel, porque além dele, conhecíamos suas 3 filhas: Joelma, de 12, e Jaqueline, de 11, e Jane, de 10. Logo que chamamos as meninas, elas apareceram com uma bola e uma ideia: queimada. Começamos o jogo. Após algum tempo da bola indo de um lado ao outro, muitas esquivas e queimadas só sobramos eu e Jaque no jogo. Ela joga a bola e eu pulo com tudo na lama para escapar. Infelizmente, Jaque só fingiu que ia jogar, e quando eu estou no chão, me acerta com a última e vencedora bolada. Levanto, pela segunda vez naquele dia, com a roupa inteira suja. Até que Jane aponta para minhas costas e diz com seu sotaque interiorano: <br></span><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;"><strong>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;</strong>— O que é isso?<br></span><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;"><strong>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;</strong>— Ué?! É lama, não tá vendo?! &#8211; respondo.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;"><strong>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;</strong>— Eu sei, mas tá estranho.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;"><strong>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;</strong>— Tá com um cheiro estranho na verdade. &#8211; Joelma afirma e todos concordam.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;"><strong>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;</strong>Eu pego um pouco, coloco no dedo, a turma dá uma cheirada, e descobrimos que, o que parecia ser barro impregnado por toda minha roupa, era, na verdade, bosta de cavalo! Logo tiro a camiseta e com a cabeça baixa, subo para a casa para tomar um banho e me trocar. Naquele momento &#8211; finalmente &#8211; resolvo fazer algo sensato e seguir o conselho de Dona Majô: ficar na rede da varanda apenas olhando a paisagem até a hora do jantar para evitar qualquer novo vexame.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;"><strong>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;</strong>Os dias seguiram trazendo novas aventuras na fazenda Regina, histórias que posso contar mais tarde. Porque, no fim das contas, os dias ruins passam, os tombos cicatrizam, a vergonha diminui — mas o cheiro de bosta de cavalo…esse fica para sempre.</span></p>
<p>&nbsp;</p>




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		<item>
		<title>Abrisersário</title>
		<link>https://pedroassun.com.br/cronica/abrisersario/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Pedro Assun]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Jul 2024 14:14:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[amigos]]></category>
		<category><![CDATA[amizade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uma festa que é pura viagem.             Recebo uma mensagem da Mari dizendo que a porta está aberta. Eu, Re e Tiago entramos e nos deparamos com uma sala decorada com cores pasteis e madeira. Conforme andamos pelo corredor seguindo a música pop, tenho a sensação de que a casa fica cada vez maior. Passamos ...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><span style="font-size: 35px; font-family: fonte-pedro;">Uma festa que é pura viagem.<br /><br /></span><span id="more-4506"></span></p>



<p><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">            </span></span>Recebo uma mensagem da Mari dizendo que a porta está aberta. Eu, Re e Tiago entramos e nos deparamos com uma sala decorada com cores pasteis e madeira. Conforme andamos pelo corredor seguindo a música pop, tenho a sensação de que a casa fica cada vez maior. Passamos pelas portas do banheiro, cozinha, sala de jantar e uma escada para um 1° andar. Tudo parece se encaixar perfeitamente: os móveis, a posição dos cômodos, a pintura, a decoração, como se a casa pertencesse a parte rica do Titanic – antes de afundar. Chegamos até a uma escada que leva onde a festa realmente acontece.<span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2"><br />          </span></span></span><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">—  Aqui, gente! – Mari acena lá de baixo.<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">          </span></span></span><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">Descemos os degraus e Mari, com seus olhos de pôr do sol e jeito de champanhe com morango, vem logo nos cumprimentam com um abraço apertado.  Em seguida vem Bruna, a aniversariante, com cabelos de ondas do mar e que além irmã da Mari, dava uns beijos sem compromisso no Tiago.<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">          </span></span>Ao nosso redor, em cima do piso de cimento, estão uma mesa com salgados, pizzas, sanduíches, um enorme isopor com bebidas e gelo dentro, pessoas e cadeiras de diversos tipos, uma churrasqueira abandonada e um quarto com uma janela em que é possível ver toneladas de coisas empilhadas. Dá pra notar que estamos no refúgio dos móveis planejados, onde a bagunça é permitida, onde Mufasa descreveria como: “o lugar em que sol não toca.”<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">          </span></span></span><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">Depois de horas de risadas, bebidas e fofocas, cantamos os parabéns e nós 3 saímos para fumar unzinho na frente da casa – no caso, o Re foi fumar e eu e o Tiago só fomos recarregar a bateria social.<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">          </span></span></span><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">A gente fica lá um tempo, volta e de repente, o clima está diferente. Bruna nos vê, dá um beijão em Tiago e eles somem na festa de mãos dadas. Um dos convidados, de óculos escuros, se aproxima da gente:<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">          </span></span>— Vem cá, vou aqui pensar numa coisa e vocês vê se me entendem – ele diz enquanto aperta os olhos e coloca a mão ao lado da testa.<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">          </span></span>— Tô recebendoooo, cara – Re diz.<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">          </span></span>— Pra mim não veio nada – respondi.<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">          </span></span>— Acho que sua internet é discada ainda, mas com certeza, vai chegar o pensamento aí. — o rapaz sai para comer uma pizza.<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">          </span></span>Aliás, um formigueiro de pessoas faz uma fila bagunçadamente organizada para pegar as comidas de uma só vez. Enquanto isso, a mãe de Mari e Bruna, Dona Edileusa, abre a porta do quartinho, retira uma bike ergométrica e começa a dar aula de spinning para algumas pessoas que imitam exercícios com bicicletas imaginárias.<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">          </span></span>Vou ao banheiro e me deparo o pai de Bruna, Seu Inácio, batendo na porta. Alguém lá dentro xinga e ele novamente bate.<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">          </span></span>— Não tá vendo que tá ocu&#8230; — Tiago abre a porta enfurecido quando dá de cara com Seu Inácio.<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">          </span></span>Seu Inácio vê Tiago saindo do banheiro seguido Bruna com batom vermelho borrado. Seu Inácio rir sem parar e dá uma leve tapinha no obro de Tiago que fica com um sorriso amarelo.<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">          </span></span>Quando noto, no cantinho, do lado de 3 senhoras cantando louvor ao som de Ivete Sangalo, alguém rindo descaradamente enquanto segura uma panela: Mari.<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">          </span></span>Vou até lá. <br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">        </span></span>— O que tem aí?!<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">        </span></span>— Nada não. É brigadeiro só.<br />Entre uma palavra e outra, ela falha miseravelmente em segurar risadinhas.<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">       </span></span>— Certo&#8230; O que tem nele? – pergunto a olhando nos olhos.<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">        </span></span>— Ah, nada demais, o de sempre: chocolate, leite condensado e&#8230; maconha.<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">       </span></span>— Mariana! Você deu brisadeiro pra todo mundo na festa?<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">       </span></span>— Eu e a Bruna nunca experimentamos aí queríamos dividir essa alegria com esse povo liiindo. E foi uma colherzinha só – e me mostrou uma enorme colher de pau junto com a panela raspada.<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2"> </span></span><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">    </span></span>— Pera, que horas que foi isso?<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">    </span></span>— Depois do parabéns, pra dar aquela animada. Pera&#8230; – ela coloca a mão na barriga – acho que preciso deitar um pouco.<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">        </span></span>Mari então sobe as escadas e um tempinho depois, vai Bruna. Pergunto pra Tiago o que houve e ele me responde: “começou a sentir uma dor de barriga do nada.”<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">        </span></span>No fim, a festa foi uma viagem que todo mundo curtiu sem saber o motivo ao certo, exceto por Mari e Bruna que terminam a noite passando mal na sala por causa, de acordo com as próprias, de muito leite condensado.<br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /></span></p>
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		<title>Eu só queria ir pra casa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pedro Assun]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 May 2024 13:40:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[casa]]></category>
		<category><![CDATA[bar]]></category>
		<category><![CDATA[amizade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na noite, não existe maior pesadelo do que ficar longe da cama.                 Olho para o celular para confirmar que o bar do aniversário do Fernando, meu chefe, fecha exatamente à meia-noite. Uma ótima notícia para mim, que estou com duas baterias fracas: a do celular e a social. Já são 22h quando desço do ...</p>
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<p><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;"><span style="font-size: 35px;">Na noite, não existe maior pesadelo do que ficar longe da cama.</span></span></p>
<p><span id="more-4314"></span></p>



<p><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>Olho para o celular para confirmar que o bar do aniversário do Fernando, meu chefe, fecha exatamente à meia-noite. Uma ótima notícia para mim, que estou com duas baterias fracas: a do celular e a social. Já são 22h quando desço do Uber e me deparo com um bar ao ar livre que serve drinks afrodisíacos em mesas grandes e rústicas. Logo, vejo um grupo de pessoas de diferentes idades, mas nenhuma que conheço, afinal, dos funcionários do aniversariante, só eu dei as caras. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>Vou ao encontro do meu chefe, converso um pouco com ele e circulo pelas rodas: a dos amigos, a dos sócios, da família&#8230; Um tempinho depois, o bar começa a fechar e as pessoas vão embora. A prima do meu chefe passa se despedindo e perguntando quem quer carona para o metrô. Um grupo se dispõe a ir junto. Admito que é uma oferta tentadora, uma vez que o metrô fica perto da minha casa, mas como minha bateria social ainda está bem, eu digo que não. E a segurança da minha negativa vem baseada num plano infalível: desliguei o celular com bateria suficiente para eu ligá-lo no futuro e pedir o Uber. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">O bar finalmente fecha, só sobrando eu e os inimigos do fim: meu chefe, o sócio dele, uns amigos da praia e a avó. Todos discutem onde fazer o &#8220;after&#8221;. Enrolação vai, enrolação vem, decidem por um bar 24 horas. Uma ideia totalmente apoiada por mim, afinal, o bar fica 2 minutos mais perto da minha casa. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>Sentamos numa mesa, o álcool entra, verdades, histórias e risadas saem, e assim foi até a hora em que me levantei e saí de fininho – na verdade, minha hora já tinha chegado há um tempo, mas entenda que sou uma pessoa que enrola muito, muito mesmo para ir embora. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>Acredito que saí na hora certa, uma vez que minha bateria social está na emergência e começo a sentir um vento frio batendo nas canelas. Ando até a esquina e percebo que a tecnologia me sabotou, pois meu celular está com apenas 5% &#8211; 7% a menos do que eu tinha deixado ao desligá-lo. Na prática, meu celular se desliga no momento exato em que abro o app do Uber. Não me desespero, porque vejo uma nova chance: o hospital. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>Lá estava ele, todo brilhante, bem localizado, com uma avenida cheia de táxis passando na frente. Vou à entrada do hospital, respiro fundo, levanto o braço e aceno para os táxis. O primeiro passa reto. O segundo está com passageiro. O terceiro grita &#8220;usa o aplicativo&#8221;. Fico ali por 1 hora e meia, já acenei para 10 táxis e nenhum parou. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>A noite começa a esfriar mais. Então me surge uma nova ideia, um último plano. Vou até a pizzaria e pergunto: &#8220;se eu pedir para entregar uma pizza para minha casa, vocês me levam junto na garupa?&#8221;. Infelizmente, ninguém aceita. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span><span class="TextRun SCXW149629651 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW149629651 BCX2">Já são 2 horas da manhã quando, morrendo de frio, desisto enquanto a voz da prima oferecendo carona reverbera na minha cabeça. Balanço a cabeça e de repente, vejo, ao meu lado, um orelhão. Um milagre, provavelmente um dos últimos da Terra ali do meu ladinho. Penso &#8220;só ligar para os meus pais e tudo certo, eles vão conseguir me buscar, afinal, não estou tão longe de casa&#8221;. Digito os números para uma ligação a cobrar, ouço chamar duas vezes quando alguém atende. Meu coração se enche de esperança:</span></span></span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>— Alô, aqui é o Pedro&#8230; &#8211; digo, cansado. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>— Já conheço esses golpes de sequestro. Agora, me deixa dormir em paz – meu pai diz e desliga. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>Ligo de novo algumas vezes e só dá ocupado. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>&#8220;Quanto trabalho só para ir para casa&#8221;, eu penso enquanto choro internamente.  </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>Nesse momento, uma lembrança cruza minha mente e me lembro que meu antigo trabalho não ficava muito longe dali. E nessa agência, o mais comum era o segurança esperar algum infeliz que trabalhava até tarde. Com as pernas duras do frio, sem casaco, vou andando e olhando para todos os lados para não ser assaltado. Até que chego no portão. Bato lá. O som ecoa pela agência escura. O vento sobra lá de dentro. E ouço uma voz vindo do interfone: </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>— Aqui não é ONG, moleque! </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>— Não não, aqui é o Pedrão. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>— Ô Pedrão, meu brother, como tá?! </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>— Tô com frio. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>— É tá gelado aí mesmo, Deus me livre ser você. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>— Então, Jorjão, eu tava precisando de um ajuda sua: pode pedir um Uber pra mim, juro que te pago carregando meu celular. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>— Sabe o que é, meu, tá foda. Eu também tô na dureza. Aliás, você não tem um dinheirinho para me emprestar, não? </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>— Tô falando sério, Jorjão. Me ajuda aí. Pelo menos me deixa entrar. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>— Não rola, você não trabalha mais aqui. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>— Mas eu saí semana passada. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>— Pois né?! O seu Fábio disse que ex-funcionário não entra aqui sem autorização. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>— Ele também dizia que você não podia fumar aí dentro. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>— Tô mudado, tá bom. Agora eu sou um funcionário exemplar. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>Eu reviro os olhos ao ouvir isso. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>— Vai, me ajuda aí. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>— Olha, não consigo, preciso voltar pra minha soneca, digo, trabalho – e desliga. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>Toquei outras vezes no interfone e nada. Pensei: ele deve ter ido &#8220;trabalhar&#8221; em outra sala. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>Eram 4 horas da manhã com 15 graus, quando reapareço no bar 24 horas e encontro todos ali felizes e bebendo. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>— Ué?! Onde é que você tava? Pensei que tinha ido embora&#8221; &#8211; a avó do meu chefe pergunta com uma fala torta. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>— Fui ao banheiro &#8211; respondo. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>Não sei se não ligavam ou se apenas estavam bêbados o suficiente para acreditar em qualquer coisa, mas eles levaram na boa. Continuei: </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>— Bom, mas já vou embora, se alguém puder pedir um Uber pra mim, eu agradeço, porque meu celular acabou a bateria e ninguém no bar tinha carregador. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">Meu chefe se oferece, mas antes de me dar o celular dele, diz: </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>— Nem precisava falar com o pessoal do bar, se quisesse ir embora, só ter me dito. </span></p>
<p><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;" data-ccp-props="{&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
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		<title>Eu, ela e um guarda-chuva</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pedro Assun]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 Mar 2024 13:53:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[infancia]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[amizade]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uma aventura de ano novo.          Hoje é uma noite muito especial e, ao mesmo tempo, rara. Não é só pelo fato de estarmos juntos, mas por estarmos juntos nas férias. Isso porque, meus pais sempre foram muito ruins de timing: marcam viagens de família na época em que a minha turma toda está em ...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><span style="font-family: fonte-pedro;"><span style="font-size: 35px;">Uma aventura de ano novo.</span></span></p>
<p><span id="more-4309"></span></p>



<p><span style="font-family: fonte-pedro;"><span style="font-size: 35px;"><span class="TextRun SCXW252811738 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW252811738 BCX0"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">         </span></span>Hoje é uma noite muito especial e, ao mesmo tempo, rara. Não é só pelo fato de estarmos juntos, mas por estarmos juntos nas férias. Isso porque, meus pais sempre foram muito ruins de </span></span><em><span class="TextRun SCXW252811738 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW252811738 BCX0">timing</span></span></em><span class="TextRun SCXW252811738 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW252811738 BCX0">: marcam viagens de família na época em que a minha turma toda está em São Paulo. Mas, dessa vez, os planetas se alinharam e na mesma cidade, na mesma praia para onde viajei, meus amigos também foram. São eles:<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">          </span></span>Rudi, 10 anos, que de tão malandro, anos mais tarde, vendeu papel picado para gringo falando que era cocaína; Dudu de 9 anos, daquelas pessoas que não conversam, palestram&#8230;; e Carlinha, a menina, cujos cabelos loiros escondem um ser destemido, dona de minha paixão – talvez porque ela seja a única menina do grupo.<span class="LineBreakBlob BlobObject DragDrop SCXW252811738 BCX0"><span class="SCXW252811738 BCX0"> </span><br class="SCXW252811738 BCX0" /></span> <span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">         </span></span>De dia, temos uma <span class="NormalTextRun SpellingErrorV2Themed SCXW252811738 BCX0">vibe</span> à lá malhação: ficamos de boa na praia ouvindo Charlie Brown e tomando suco no Bar do Seu Chico que fica pertinho do nosso condomínio: &#8220;Pata de Tartaruga&#8221;.<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">         </span></span>E quando o sol se põe, jogamos cartas enquanto nossos pais assistem &#8220;O Clone&#8221;. Cada vez, é um jogo diferente: pôquer, rouba monte, presidente, desconfia&#8230;o Dudu sabe todos de cor. E o desta noite de réveillon é canastra/buraco.  Até porque, com uma chuva de verão, o mundo desaba ao nosso redor. E por isso, os adultos decidiram preparar a ceia e assistir aos fogos na praia, se o tempo permitir.</span></span></span><br /><span class="TextRun SCXW252811738 BCX0" lang="PT-BR" style="font-size: 35px;" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW252811738 BCX0"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">         Antes de começar a próxima rodada, Rudi fala:<span class="LineBreakBlob BlobObject DragDrop SCXW252811738 BCX0"><br />        — Que tal a gente deixar o jogo mais legal?  –  Prestamos atenção – A dupla que perder, vai te que ir lá na praia, pega uma conchinha e volta.<span class="SCXW252811738 BCX0"> <br />        Todos engolem seco, pois o caminho até a praia é totalmente escuro, estreito, de madeira e com mato pelos cantos. Até agora, ninguém com 10 anos tinha ido lá à noite e sobrevivido. Pelo menos é o que dizem. Mas minha crush, instintiva até demais disse: &#8220;eu topo, quero ver vocês ganharem da gente&#8221;.  <br class="SCXW252811738 BCX0" />        Eles ganharam.<br />Eu e Carlinha nos aprontamos com as únicas coisas que poderíamos levar: um guarda-chuva amarelo e a coragem dela, e saímos. <br class="SCXW252811738 BCX0" />        — Você não entendeu meus sinais na hora do jogo? A gente podia ter ganhado. &#8211; Carlinha disse indignada. <br class="SCXW252811738 BCX0" />        — Que sinal? <br class="SCXW252811738 BCX0" />        — Os sinais ué, as piscadas, passada de perna que eu <span class="NormalTextRun SpellingErrorV2Themed SCXW252811738 BCX0">tava</span> dando para você compra o monte. <br class="SCXW252811738 BCX0" />        — Nossa, não tinha reparado. – eu tinha sim, mas achei que era um charme dela <span class="NormalTextRun AdvancedProofingIssueV2Themed SCXW252811738 BCX0">pra</span> cima de mim.  <br class="SCXW252811738 BCX0" />        A iluminação das casas vai deixando de clarear o caminho, sobrando apenas a luz do luar.  A chuva aumenta. Nos esprememos no guarda-chuva. Ouvimos algo. <br class="SCXW252811738 BCX0" />        — Que foi isso? &#8211; Eu pergunto. <br class="SCXW252811738 BCX0" />        — Nadinha. <br class="SCXW252811738 BCX0" />        — Certeza? &#8211; minhas pernas tremem.<br class="SCXW252811738 BCX0" />        — Claro&#8230; <br class="SCXW252811738 BCX0" />        Um vulto atravessa rapidamente nossa frente, ela fica em silêncio alguns segundos e continua: <br class="SCXW252811738 BCX0" />        — Que não! Corre. <br class="SCXW252811738 BCX0" />        Enquanto corremos reparo a que coragem dela também nos tinha abandonado. Restam eu, ela e o guarda-chuva.<br />        — É impressionante como a gente não repara em nada dessas coisas de dia&#8230;<span class="NormalTextRun SpellingErrorV2Themed SCXW252811738 BCX0">Aiiii!</span> <br />        — Que houve? &#8211; pergunto.<br class="SCXW252811738 BCX0" />        — Acabei de chutar alguma coisa.<br class="SCXW252811738 BCX0" />        — Deixe eu vê. É <span class="TextRun SCXW252811738 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto">aquele maldito tronco que toda vez a gente pula</span>– enquanto analiso o tronco com as mãos acabo esbarrando de leve nela e penso: &#8220;como alguém pode ter uma pele tão macia.&#8221;<br class="SCXW252811738 BCX0" />        O caminho parece eterno e a cada passo nosso, o som vindo da mata aumenta. Uma das minhas mãos segura no guarda-chuva e a outra, instintivamente, procura pela mão de Carlinha que também está atrás da minha. Tento nos acalmar: <br class="SCXW252811738 BCX0" />        — Esses barulhos devem ser das outras pessoas indo até a praia.<br />        <span class="TextRun SCXW142100729 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW142100729 BCX0">Ela não diz nada e aperta minha mão um pouco mais forte.</span></span><span class="LineBreakBlob BlobObject DragDrop SCXW142100729 BCX0"><span class="SCXW142100729 BCX0"> </span><br class="SCXW142100729 BCX0" /></span><span class="TextRun SCXW142100729 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW142100729 BCX0"><span class="TextRun SCXW252811738 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto">        </span>Subitamente, dois vultos vêm em direção à gente. Com um grito e toda falta de coragem do mundo, eu pego o guarda-chuva e ataco:<br /><span class="TextRun SCXW145399152 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0">        — Que isso garoto? Tá doido?</span></span><span class="LineBreakBlob BlobObject DragDrop SCXW145399152 BCX0"><span class="SCXW145399152 BCX0"> </span><br class="SCXW145399152 BCX0" /></span>         <span class="TextRun SCXW145399152 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0">— Seu Chico?</span></span><span class="LineBreakBlob BlobObject DragDrop SCXW145399152 BCX0"><span class="SCXW145399152 BCX0"> </span><br class="SCXW145399152 BCX0" /></span>         <span class="TextRun SCXW145399152 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0">— Isso. Não tem outro nessa praia não.</span></span><span class="LineBreakBlob BlobObject DragDrop SCXW145399152 BCX0"><span class="SCXW145399152 BCX0"> </span><br class="SCXW145399152 BCX0" /></span>         <span class="TextRun SCXW145399152 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0">— Foi mal, você assustou a gente.</span></span><span class="LineBreakBlob BlobObject DragDrop SCXW145399152 BCX0"><span class="SCXW145399152 BCX0"> </span><br class="SCXW145399152 BCX0" /></span>         <span class="TextRun SCXW145399152 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0">— Oi, crianças &#8211; ouvimos uma voz feminina nova. </span></span><span class="LineBreakBlob BlobObject DragDrop SCXW145399152 BCX0"><br class="SCXW145399152 BCX0" /></span>         <span class="TextRun SCXW145399152 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0">— Ué, Dona Fran? Que voz diferente – Carlinha respondeu</span></span><span class="LineBreakBlob BlobObject DragDrop SCXW145399152 BCX0">.<br class="SCXW145399152 BCX0" /></span>         <span class="TextRun SCXW145399152 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0">— Aqui é Letícia – a voz respondeu.</span></span><span class="LineBreakBlob BlobObject DragDrop SCXW145399152 BCX0"><span class="SCXW145399152 BCX0"> </span><br /></span><span class="TextRun SCXW145399152 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0"><span class="TextRun SCXW252811738 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto">        </span>— <span class="TextRun SCXW252811738 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto">Cadê </span>Dona Fran?!</span></span><span class="LineBreakBlob BlobObject DragDrop SCXW145399152 BCX0"><br class="SCXW145399152 BCX0" /></span>         <span class="TextRun SCXW145399152 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0">— Ela </span><span class="NormalTextRun AdvancedProofingIssueV2Themed SCXW145399152 BCX0">tá</span><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0">&#8230;</span><span class="NormalTextRun SpellingErrorV2Themed SCXW145399152 BCX0">hummm</span><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0">&#8230;quero dizer&#8230; onde vocês tão indo essa hora? – ele fala com uma certeza nunca antes vista.</span></span><span class="LineBreakBlob BlobObject DragDrop SCXW145399152 BCX0"> <br class="SCXW145399152 BCX0" /></span>         <span class="TextRun SCXW145399152 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0">— Dá uma voltinha na praia.</span></span><span class="LineBreakBlob BlobObject DragDrop SCXW145399152 BCX0"><span class="SCXW145399152 BCX0"> Mas estamos meio perdidos.</span><br class="SCXW145399152 BCX0" /></span>         <span class="TextRun SCXW145399152 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0">— Ah, só seguir reto </span><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0">aí</span><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0"> que você </span><span class="NormalTextRun ContextualSpellingAndGrammarErrorV2Themed SCXW145399152 BCX0">já</span> <span class="NormalTextRun SpellingErrorV2Themed SCXW145399152 BCX0">já</span><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0"> chegam. Mas vão rápido que daqui a pouco soltam os fogos – e num instante sumiram na escuridão.</span></span><span class="LineBreakBlob BlobObject DragDrop SCXW145399152 BCX0"><span class="SCXW145399152 BCX0"> </span><br class="SCXW145399152 BCX0" /></span>         <span class="TextRun SCXW145399152 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0">Andamos mais um pouco até que, de repente, o mato acaba e, no lugar dele, sentimos a areia nos pés, além de uma mistura da brisa do mar com o cheiro da chuva. <span class="TextRun SCXW252811738 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto">Os fogos começam</span>. N</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span style="font-family: fonte-pedro;"><span class="TextRun SCXW252811738 BCX0" lang="PT-BR" style="font-size: 35px;" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW252811738 BCX0"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2"><span class="LineBreakBlob BlobObject DragDrop SCXW252811738 BCX0"><span class="SCXW252811738 BCX0"><span class="TextRun SCXW142100729 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW142100729 BCX0"><span class="TextRun SCXW145399152 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0">ós nos olhamos como quem dissesse: &#8220;conseguimos!&#8221;. <span class="TextRun SCXW252811738 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto">Nossas mãos se procuram novamente </span>e ali decidimos ficar: ela atenta ao céu colorido e eu a observando de canto de olho. Me<span class="TextRun SCXW252811738 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto">u </span>sorriso surge, assim como um pensamento: &#8220;algumas apostas nasceram pra serem perdidas.&#8221;</span></span></span></span></span><br class="SCXW252811738 BCX0" /><br class="SCXW252811738 BCX0" /></span></span></span></span></span><br /></span></p>
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		<title>The Haters</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pedro Assun]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Feb 2024 11:58:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[amizade]]></category>
		<category><![CDATA[cronica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>depois que me conheceu, essa banda se uniu ainda mais e foi pela pior razão. &#160;                 Da plateia, vejo o mestre de cerimônias pegando o microfone:                — E agora nossa próxima atração. Na bateria: Giovana! – diz ele animado.                A fumaça de expectativa sobe no palco, então entra uma moça cujo sorriso é perfeito ...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><span style="font-size: 32px;"><span style="font-family: fonte-pedro;">depois que me conheceu, </span><span style="font-family: fonte-pedro;">essa banda se uniu ainda mais </span><span style="font-family: fonte-pedro;">e foi pela pior razão.</span></span></p>
<p><span id="more-4156"></span></p>
<p>&nbsp;</p>



<p><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                Da plateia, vejo o mestre de <span class="ILfuVd" lang="pt"><span class="d9FyLd">cerimônia</span></span>s pegando o microfone:</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — E agora nossa próxima atração. Na bateria: Giovana! – diz ele animado.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                A fumaça de expectativa sobe no palco, então entra uma moça cujo sorriso é perfeito e tão brilhante quanto seu cabelo loiro e se senta na bateria. Ela faz seu solo de apresentação, 10 gato pingado vibram enquanto eu lembro de como a conheci.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                Num dia, minha amiga Má me convidou pra ir num bar pós-ensaio de quem ela chamou de “a banda mais legal de todas”. Fui me sentar bem do ladinho de Giovana. No começo do papo, já descobri que ela era dentista, então pensei: “Que sorte! Posso unir o útil, a minha curiosidade, ao agradável, me tornar próximo dessa menina tão especial para minha amiga.” Comecei o papo:</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — Que legal que você é dentista. Me deixou de boca aberta — nenhuma reação dela, nem mesmo um fio de cabelo.  Mas eu tinha que manter a confiança. — Você consegue decorar a boca de todo mundo?</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — Sim.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — De todo mudo mesmo?</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — Sim. A gente gosta tanto do que faz que acaba decorando sem saber.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — E&#8230; já viu algum pentelho enquanto fazia limpeza?</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — Às vezes acontece, viu?! – Giovana abriu um sorrisinho tímido. – Uma vez, fiz a limpeza em boca que tinha 2 pelos pubianos diferentes. Foi durante o Carnaval. Então o moço aprontou bastante.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                Os dois sorrimos e eu continuei.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — Que engraçado! Igual quando o povo diz que dentista não é médico.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — Mas é médico.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — Isso que tô dizendo – engoli seco.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — Não, não, você disse que não é médico.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — Eu disse que o <strong>povo diz </strong>que não é médico, eu não sou uma dessas pessoas.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — Pois parece e tá ofendendo minha família.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — Sua família?</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — Sim senhor, minha família inteira é de dentistas, ou melhor, cirurgiões dentistas – ela disse enquanto mudou de lugar e virou de costas pra mim.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — Eu só disse que&#8230; – desisti da frase quando percebi todos olhando feio pra mim.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">*             *             *</span></p>
<p><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                De volta ao show, o mestre de <span class="ILfuVd" lang="pt"><span class="d9FyLd">cerimônia</span></span>s anuncia:</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">               — E vem aí, no baixo: Jaque!</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                Jaque, uma moça de cabelo azul, toda trabalhada no couro, nos piercings e na pose de roqueira anda até o baixo para seu solo acompanhado da bateria. Lembro também quando a conheci: foi no aniversário da Má que, para todos os efeitos, havia me contato antes sobre a Jaque: “uma menina super de boa, engraçada, leve e que vai gostar de você”. Cheguei no Bar Ricochete, peguei um drink e logo achei a Jaque. Dessa vez, eu tinha estudado e tinha um papo pra começar a conversa:</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — Hey, a Má me falou que você gosta de Punk rock.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — Nossa! Demais Eu curto muito: Blink, Sum 41, Bring Me the Horizon&#8230; </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — Viu que o Green Day lançou novo álbum?!</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — Vi sim, adorei a Kill the DJ.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — Minha favorita também – eu menti, mas eu precisava</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">Depois de uns 10 minutos de papo frouxo. Ela até me acalmou:</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — Fica de boa quanto a Gi. Minha irmã é um pouco sensível quanto a esse negócio de dentista.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — Ufa. Bom que uma irmã ainda gosta de mim. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — Você é legal, sim, não se preocupa – e sorriu.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — Mas me diz, seu namorado aceitou abrir o relacionamento?</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — É o que? – de repente um homem, atrás dela, grita indignado – é o que Jaqueline Saraiva? Abrir nosso relacionamento?</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                – Ih, olha seu namorado aí! Beleza, cara? – Ele me ignorou, focou só ela que, após tomar um gole da cerveja, instantaneamente, mudou a cara de &#8221; Welcome to paradise&#8221; para &#8220;21 guns&#8221;.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                – Não, amor, eu ia te cont&#8230;</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                – Quando? Antes de contar pra todo mundo? Até um cara que eu nem conheço sabe disso.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                – Parece que vocês têm muito o que conversar, não é! A gente vê, Jaque – E saí de fininho, mas não sem antes de ser fuzilado por um rápido olhar de Jaque.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">*             *             *</span></p>
<p><span style="font-size: 30px;"><span style="font-family: fonte-pedro;">                Agora o mestre de cerimônias chama a última integrante: a vocalista e guitarrista. Má entra no palco com sua pele desenhada com segredos de vida, um look que mistura presença com tons de amarelo, sua cor favorita, e cabelo de fogo. Eu a reconheço facilmente. Afinal, faz 15 anos que somos melhores amigos e, por isso, já presenciamos muitas fases de vida &#8211; e de cabelo &#8211; um do outro. E é por ela que vim hoje nesse festival de bandas independentes.<br />                Minutos antes fui cumprimentá-la. Por razões inimagináveis, o resto da banda não quis saber de mim. Então conversamos só nós:<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro;">                – Nossa, o público tá pouco ainda &#8211; eu disse.</span></span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                – Eles vão chegar.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                – Será? O show tá prestes a começar.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                – Vai chegar mais gente, você vai ver. Tenho certeza.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                Para melhorar o clima, resolvi fazer uma piada:</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                – Ah, mas quem ia ver uma bandinha dessas. Ainda mais nesse no fim do mundo, ninguém liga, né?!</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                Eu ri. Má não riu e saiu assim que ouviu o mestre de cerimônias. Este por sua vez finalmente anuncia:</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                – E com vocês&#8230;.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                Eu, sozinho, no meio da plateia, completo:</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                – a banda que me odeia</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                O show começa.</span></p>
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		<title>Saideira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pedro Assun]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Feb 2021 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[escola]]></category>
		<category><![CDATA[despedida]]></category>
		<category><![CDATA[amizade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A despedida era das férias, mas quem disse adeus foram meus amigos.            Aquela mesa de metal, de cadeiras duras e &#8220;espalhanapos&#8221; à vontade, só não ganha destaque na praça de alimentação, por causa da sua localização, tão escondida atrás de uma pilastra que nunca se deram ao trabalho de trocá-la. Ela também passaria batida ...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-medium-font-size"><span style="font-size: 32px;"><strong><span style="font-family: fonte-pedro;">A despedida era das férias, mas quem disse adeus foram meus amigos.</span></strong></span></p>



<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span id="more-2615"></span><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>Aquela mesa de metal, de cadeiras duras e &#8220;espalhanapos&#8221; à vontade, só não ganha destaque na praça de alimentação, por causa da sua localização, tão escondida atrás de uma pilastra que nunca se deram ao trabalho de trocá-la. Ela também passaria batida por mim, se não fosse a memória que ela me traz: a despedida das tardes vazias das férias.<br /></span><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>O dia seguinte seria nosso último &#8220;primeiro dia de aula&#8221;, então marcamos a reunião ー palavra que ainda estava fora do ambiente profissional e, portanto, ninguém chorava ao ouvi-la ー com um objetivo bem definido: &#8220;ah, sei lá, vamo se trombar&#8221;. Na nossa adolescência, o álcool e a maconha não nos conheciam, assim, fumar ou beber não eram um pré-requisito para se reunir, a presença já bastava.<br /></span><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>Não sei como escolhemos aquela mesa, que na época, era igual a tantas outras ー talvez foi sorte ou talvez ela não estivesse sendo guardada por um crachá. Também não lembro com detalhes das horas que passamos lá, na verdade, lembro mais de um momento específico em que, após uma risada sem compromisso, olhei para os outros lugares ocupados. Na minha frente, o Tomate que (ainda) ria dos próprios erros e não parava de falar da sua paixonite que o tinha adicionado no MSN durante as férias ー mal sabia que a vergonha de dançar em público ia impedi-lo de conhecer os lábios dela. Ao lado dele, o Siqueira, preguiçoso, inteligente, sem barba e nenhuma militância ー atualmente, ele é taxado de comunista e vende bolinhos de pote. O Rafs, que sempre fez o maior sucesso com as garotas, mas tinha se apaixonado mesmo pelo Senhor do Anéis e começado seu próprio livro ー 13 anos depois, ele namora um cara e ainda não terminou de escrever. E eu pagava de malandro por ouvir rap e com a certeza de que eu passaria sem recuperação naquele ano ー muitas ilusões. Sendo que a maior delas era acreditar que as coisas não mudariam e nem que o tempo levaria embora essas companhias.<br /></span><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>Essa memória me ressurgiu durante uma conversa que tive com a Pri ー que apesar de não estar lá, também foi uma amiga distanciada pelos ponteiros ー onde surgiu a pergunta: &#8220;se você conhecesse seus amigos hoje, vocês se conectariam?&#8221;, e isso evoluiu para outra: &#8220;se vocês não são amigos agora, por que eram no passado?&#8221;<br /></span><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>Tá certo que a convivência diária no mesmo ambiente é um terreno muito fértil. Faculdades, empresas, cursos, clubes… são grandes canteiros de obras das construções que são as conexões. Sim, todos somos pedreiros das nossas amizades, paixões e até das relações não declaradas. Porque do mesmo jeito que uma obra, uma sintonia verdadeira ー mesmo que passageira ー exige trabalho de ambas as partes, equipamento de segurança para se proteger das pancadas; a comunicação é um dos principais problemas e ninguém é capaz de dizer quando termina. Sem contar a manutenção para manter aquilo de pé.<br /></span><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>Dentre os canteiros, o colégio é o mais diferente por conta da diversidade de pessoas juntas e essa noção só veio com o tempo mesmo. Ele é um grande elemento numa equação que alimenta o autoconhecimento. O que quero dizer é que quanto mais a gente cresce, mais a gente se encontra e se torna a gente, porque nossas paixões e, consequentemente, nossas diferenças crescem usando as vivências como alvenaria. Claro que eu escrevia no colégio, mas meus projetos, as crônicas, as histórias e a comédia ー se você acha minhas piadas ruins agora, nem imagina no passado ー nada disso tinha acontecido ainda. Como resultado, hoje, sou muito mais Pedro do que eu jamais fui. E o mesmo vale para meus amigos. O Tomate está mais empreendedor e certinho do que nunca, o Rafs se descobriu um barman espetacular, o Siqueira está morando numa aldeia indígena. E todos estudaram na mesma sala sem saber que seriam tão diferentes décadas depois ー parece até começo de piada: &#8220;um engenheiro, um escritor, um barman&#8230; entraram numa escola&#8221;.<br /></span><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>Sei que existem muitos fatores para você se tornar amigo ou desafeto de alguém. Afinal, você não é camarada de todo mundo que vê com muita frequência ー inclusive, muitas amizades seriam melhores se a convivência diminuísse. Mas a fase da vida é uma condição importante.<br /></span><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>Éramos puros em relação a tudo: à vida, a nós mesmos e uns com os outros. Eu não tinha preguiça de conversar com o Rafs, ranço da presença do Tomate e sabia até se Siqueira continuava vivo depois de falar besteira pro cacique. São sentimentos que vieram com os anos. Da mesma forma que nossos uniformes, essa pureza nos mantinha iguais e unidos em um mesmo universo de <a href="https://pedroassun.com.br/contaipe/cronica/amizades-e-formaturas/">formaturas</a>, notas, garotas, <a href="https://pedroassun.com.br/contaipe/cronica-samuel/">professores</a>, MSN etc.<br /></span><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>Atualmente, sentamos em mesas separadas, modernas, fora do shopping e com companhias que fazem mais sentido, mas fico feliz que a outra ainda resiste, velha, escondida e que de vez em quando eu possa visitá-la. Assim como minha lembrança, ela é uma das razões por eu ser quem sou. E eu me orgulho disso.</span></p>
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		<title>Amizades e formaturas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pedro Assun]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Jan 2021 17:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[despedida]]></category>
		<category><![CDATA[amigos]]></category>
		<category><![CDATA[amizade]]></category>
		<category><![CDATA[formatura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Já dizia o poeta: que as formaturas sejam eternas enquanto durem.   ㄧ Sabe que a gente nunca mais verá o Felipinho né!? ㄧ É o que Vini me diz enquanto olhamos nosso amigo se despedindo dos outros.  Acho que o Felipinho já trabalhava com a gente há uns 2 anos. É aquele tipo de ...</p>
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<p class="has-medium-font-size"><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 35px;">Já dizia o poeta: que as formaturas sejam eternas enquanto durem.</span></p>



<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: fonte-pedro;"><span id="more-2493"></span><span style="font-size: 30px;">  ㄧ Sabe que a gente nunca mais verá o Felipinho né!? ㄧ É o que Vini me diz enquanto olhamos nosso amigo se despedindo dos outros.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"> Acho que o Felipinho já trabalhava com a gente há uns 2 anos. É aquele tipo de cara que passa despercebido de longe ㄧ e de perto também ㄧ pois sempre foi muito calado. Mas depois um tempo, ele começou a ouvir as conversas de canto e logo soltava um comentário sarcástico e bem baixinho, algo que só quem estava do lado tinha o prazer de rir junto; virou uma companhia disputada nos almoços.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">Era um exemplo de foco. Nunca tirava o olho da sua tela, nem da dele e nem das nossas, sabia que o Vini cantava para plateia imaginária em um show não tão particular, enquanto o Danilo fazia trabalhos da faculdade, ao mesmo tempo que a Luciana via a programação das ondas do final de semana na praia, e eu disfarçava para escrever textos fora da pauta &#8211; inclusive ele já teria lido essa crônica. E não só de fofoca eram suas teladas (Aqui vale uma explicação: Telar. Verb. Tr. bisbilhotar a tela de computador ou celular alheio)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">Criamos o &#8220;Selo Felipinho de Qualidade&#8221;, entregue aos recebedores dos e-mails em branco, cujo o assunto explicada tudo: &#8220;me passa essa referência aí &#8220;. Um atestado que o conteúdo da sua tela era interessante. Embora o prêmio de verdade era de quem ele respondesse no whats, a gente só sabia que ele lia as mensagens porque fazia questão de aparecer em todos os aniversários, churrascos, encontros, despedidas, chá dos filhotes do cachorro do Guto.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">Na segunda, Felipinho já estaria em outra agência, provavelmente sendo apresentado como &#8220;o novo cara da arte&#8221;, e em breve, teria novos amigos, novas piadas internas, novos lugares pra almoçar e reclamar do preço. Enquanto nós ficaríamos sem nosso hobby matinal favorito: atazaná-lo enquanto ele comia um pão na chapa com requeijão.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">Mesmo sabendo que sua rabugice faria falta, estávamos felizes por ele. Essa foi uma das razões por que achei que a frase do Vini, era da boca pra fora, uma dessas falácias carregadas pela saudade. Mas, ao contrário de muitas expressões que perdem seu sentido com a repetição descarada ㄧ por pessoas como o <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://pedroassun.com.br/contaipe/cronica/o-cara-do-violao/">cara do violão</a><strong> &#8211;</strong></span> essa ficou mais forte. E cada vez que um amigo se despedia da agência, eu lembrava com mais atenção daquelas palavras.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">E depois de um tempo, elas fizeram sentido; pensa um pouco, puxa da memória; com certeza, você teve alguém muito próximo durante um intervalo muito específico de tempo, mais precisamente, durante uma convivência; de uma viagem, um curso, um trabalho, uma noite ㄧ a famosa amizade de bar ㄧ ou até um amor de carnaval. E então, acaba. Não vai se acabando com os anos, mas desmorona com o cravar da sua própria hora, assim como uma festa. Mais do que isso, assim como uma formatura.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">&#8220;Mas&#8230;formaturas são festas como qualquer outra.&#8221; ㄧ você pode pensar enquanto segura a cabeça com as mãos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">Bom, se você acha isso é porque nunca foi em uma e eu vou te explicar a diferença ㄧ caso tenha ido, vamos fingir que não, para eu poder continuar a crônica, beleza!?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">Formaturas, seja de colégio ou faculdade, são diferentes. Pra começar, elas são completas, tem gente bonitas ㄧ no mínimo bem vestida ㄧ comidas à vontade, shows ao vivo, pista de dança, lugar pra sentar ㄧ depois dos 30, isso é muito importante ㄧ e um ambiente único. Mesmo que você não seja um formando, você sente a atmosfera de perfume de nostalgia misturado à incerteza do futuro e vê brindes que celebram sonhos. Nesta noite, completos estranhos se tornam melhores amigos, casais recém-formados juram amor eterno, Nazaré e Maria do Carmo sentam na mesma mesa e combinam o próximo churrasco, enquanto uma Glória Menezes, que veio só pelo netinho e ia embora após o primeiro brinde, fuma unzinho com os formandos. Tudo acontece em nome de um sentimento de união e pertencimento, que pela sua intensidade, parece imortal. Até que as luzes do salão se acendem, abrem as portas e o perfume se dissolve.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">Entenda que não são encontros falsos, pelo contrário, eles têm entrega e presença; as pessoas curtem, se divertem, aproveitam, compartilham sentimentos…E tudo isso continuará intacto para um futuro reencontro, onde como fotografias, esses momentos merecem uma revisita, ou talvez não, talvez quando elas se cruzarem na rua, sejam só desconhecidos com um passado em comum. Ninguém sabe.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">Afinal, nem toda amizade é pra sempre. E acho que tanto o Vini quanto o Felipinho já sabiam disso.</span></p>
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		<title>Essa é pra você</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pedro Assun]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 27 Nov 2010 03:36:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[amigos]]></category>
		<category><![CDATA[amizade]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Você já segurou aquela vontadede falar umas verdadespra algumas pessoas? Gente com falsidade,Gente que abusa da autoridadee acha que respeito se impõe&#8230;Mas por alguma razão,você sempre se seguroue até pensou&#8220;a vida vai ensinar esse vacilão&#8221;. Até que chega,aquele diaque você não deveria ter levantadoque tudo dá errado.Você não sabe por queo mundo inteiro está contra ...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Você já segurou aquela vontade<br>de falar umas verdades<br>pra algumas pessoas?</p>
<p><span id="more-885"></span><br>Gente com falsidade,<br>Gente que abusa da autoridade<br>e acha que respeito se impõe&#8230;<br>Mas por alguma razão,<br>você sempre se segurou<br>e até pensou<br>&#8220;a vida vai ensinar esse vacilão&#8221;.</p>
<p>Até que chega,<br>aquele dia<br>que você não deveria ter levantado<br>que tudo dá errado.<br>Você não sabe por que<br>o mundo inteiro está contra você!</p>
<p>Mas dessa vez,<br>você responde na mesma intensidade<br>tipo, quando vem aquela pessoa cheia de intimidade<br>&#8220;Pedrooo, me conta seus segredos?<br>Faz isso, isso, isso e isso<br>POR mim!&#8221;<br>&#8220;Vai se fude. Você não significa nada pra mim!&#8221;<br>E tudo o que você quer,<br>é voltar pra casa<br>e ficar de boa<br>ouvindo seu rapper, banda, cantor&#8230;<br>preferidos<br>ou encontrar aquele alguém<br>que com o olhar entende<br>o que você tem sentido.<br>Esse é o sentido de<br>irmandade<br>amizade<br>amor!</p>
<p>Porque você sabe<br>que aquela pessoa SEMPRE estará lá!<br>A qualquer momento,<br>para qualquer sentimento!<br>E essas rimas são um tributo,<br>pra você;<br>que sempre tem aqueles 5 minutos<br>pra qualquer assunto<br>&#8220;TAMO JUNTO&#8221;</p>

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