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	<title>Arquivos amor - Pedro Assun</title>
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	<description>Redator - Roteirista - Escritor</description>
	<lastBuildDate>Mon, 09 Mar 2026 19:32:43 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos amor - Pedro Assun</title>
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		<title>Eu, ela e um guarda-chuva</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pedro Assun]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 Mar 2024 13:53:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[infancia]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
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		<category><![CDATA[Viagem]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uma aventura de ano novo.          Hoje é uma noite muito especial e, ao mesmo tempo, rara. Não é só pelo fato de estarmos juntos, mas por estarmos juntos nas férias. Isso porque, meus pais sempre foram muito ruins de timing: marcam viagens de família na época em que a minha turma toda está em ...</p>
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<p><span style="font-family: fonte-pedro;"><span style="font-size: 35px;">Uma aventura de ano novo.</span></span></p>
<p><span id="more-4309"></span></p>



<p><span style="font-family: fonte-pedro;"><span style="font-size: 35px;"><span class="TextRun SCXW252811738 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW252811738 BCX0"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">         </span></span>Hoje é uma noite muito especial e, ao mesmo tempo, rara. Não é só pelo fato de estarmos juntos, mas por estarmos juntos nas férias. Isso porque, meus pais sempre foram muito ruins de </span></span><em><span class="TextRun SCXW252811738 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW252811738 BCX0">timing</span></span></em><span class="TextRun SCXW252811738 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW252811738 BCX0">: marcam viagens de família na época em que a minha turma toda está em São Paulo. Mas, dessa vez, os planetas se alinharam e na mesma cidade, na mesma praia para onde viajei, meus amigos também foram. São eles:<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">          </span></span>Rudi, 10 anos, que de tão malandro, anos mais tarde, vendeu papel picado para gringo falando que era cocaína; Dudu de 9 anos, daquelas pessoas que não conversam, palestram&#8230;; e Carlinha, a menina, cujos cabelos loiros escondem um ser destemido, dona de minha paixão – talvez porque ela seja a única menina do grupo.<span class="LineBreakBlob BlobObject DragDrop SCXW252811738 BCX0"><span class="SCXW252811738 BCX0"> </span><br class="SCXW252811738 BCX0" /></span> <span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">         </span></span>De dia, temos uma <span class="NormalTextRun SpellingErrorV2Themed SCXW252811738 BCX0">vibe</span> à lá malhação: ficamos de boa na praia ouvindo Charlie Brown e tomando suco no Bar do Seu Chico que fica pertinho do nosso condomínio: &#8220;Pata de Tartaruga&#8221;.<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">         </span></span>E quando o sol se põe, jogamos cartas enquanto nossos pais assistem &#8220;O Clone&#8221;. Cada vez, é um jogo diferente: pôquer, rouba monte, presidente, desconfia&#8230;o Dudu sabe todos de cor. E o desta noite de réveillon é canastra/buraco.  Até porque, com uma chuva de verão, o mundo desaba ao nosso redor. E por isso, os adultos decidiram preparar a ceia e assistir aos fogos na praia, se o tempo permitir.</span></span></span><br /><span class="TextRun SCXW252811738 BCX0" lang="PT-BR" style="font-size: 35px;" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW252811738 BCX0"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">         Antes de começar a próxima rodada, Rudi fala:<span class="LineBreakBlob BlobObject DragDrop SCXW252811738 BCX0"><br />        — Que tal a gente deixar o jogo mais legal?  –  Prestamos atenção – A dupla que perder, vai te que ir lá na praia, pega uma conchinha e volta.<span class="SCXW252811738 BCX0"> <br />        Todos engolem seco, pois o caminho até a praia é totalmente escuro, estreito, de madeira e com mato pelos cantos. Até agora, ninguém com 10 anos tinha ido lá à noite e sobrevivido. Pelo menos é o que dizem. Mas minha crush, instintiva até demais disse: &#8220;eu topo, quero ver vocês ganharem da gente&#8221;.  <br class="SCXW252811738 BCX0" />        Eles ganharam.<br />Eu e Carlinha nos aprontamos com as únicas coisas que poderíamos levar: um guarda-chuva amarelo e a coragem dela, e saímos. <br class="SCXW252811738 BCX0" />        — Você não entendeu meus sinais na hora do jogo? A gente podia ter ganhado. &#8211; Carlinha disse indignada. <br class="SCXW252811738 BCX0" />        — Que sinal? <br class="SCXW252811738 BCX0" />        — Os sinais ué, as piscadas, passada de perna que eu <span class="NormalTextRun SpellingErrorV2Themed SCXW252811738 BCX0">tava</span> dando para você compra o monte. <br class="SCXW252811738 BCX0" />        — Nossa, não tinha reparado. – eu tinha sim, mas achei que era um charme dela <span class="NormalTextRun AdvancedProofingIssueV2Themed SCXW252811738 BCX0">pra</span> cima de mim.  <br class="SCXW252811738 BCX0" />        A iluminação das casas vai deixando de clarear o caminho, sobrando apenas a luz do luar.  A chuva aumenta. Nos esprememos no guarda-chuva. Ouvimos algo. <br class="SCXW252811738 BCX0" />        — Que foi isso? &#8211; Eu pergunto. <br class="SCXW252811738 BCX0" />        — Nadinha. <br class="SCXW252811738 BCX0" />        — Certeza? &#8211; minhas pernas tremem.<br class="SCXW252811738 BCX0" />        — Claro&#8230; <br class="SCXW252811738 BCX0" />        Um vulto atravessa rapidamente nossa frente, ela fica em silêncio alguns segundos e continua: <br class="SCXW252811738 BCX0" />        — Que não! Corre. <br class="SCXW252811738 BCX0" />        Enquanto corremos reparo a que coragem dela também nos tinha abandonado. Restam eu, ela e o guarda-chuva.<br />        — É impressionante como a gente não repara em nada dessas coisas de dia&#8230;<span class="NormalTextRun SpellingErrorV2Themed SCXW252811738 BCX0">Aiiii!</span> <br />        — Que houve? &#8211; pergunto.<br class="SCXW252811738 BCX0" />        — Acabei de chutar alguma coisa.<br class="SCXW252811738 BCX0" />        — Deixe eu vê. É <span class="TextRun SCXW252811738 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto">aquele maldito tronco que toda vez a gente pula</span>– enquanto analiso o tronco com as mãos acabo esbarrando de leve nela e penso: &#8220;como alguém pode ter uma pele tão macia.&#8221;<br class="SCXW252811738 BCX0" />        O caminho parece eterno e a cada passo nosso, o som vindo da mata aumenta. Uma das minhas mãos segura no guarda-chuva e a outra, instintivamente, procura pela mão de Carlinha que também está atrás da minha. Tento nos acalmar: <br class="SCXW252811738 BCX0" />        — Esses barulhos devem ser das outras pessoas indo até a praia.<br />        <span class="TextRun SCXW142100729 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW142100729 BCX0">Ela não diz nada e aperta minha mão um pouco mais forte.</span></span><span class="LineBreakBlob BlobObject DragDrop SCXW142100729 BCX0"><span class="SCXW142100729 BCX0"> </span><br class="SCXW142100729 BCX0" /></span><span class="TextRun SCXW142100729 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW142100729 BCX0"><span class="TextRun SCXW252811738 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto">        </span>Subitamente, dois vultos vêm em direção à gente. Com um grito e toda falta de coragem do mundo, eu pego o guarda-chuva e ataco:<br /><span class="TextRun SCXW145399152 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0">        — Que isso garoto? Tá doido?</span></span><span class="LineBreakBlob BlobObject DragDrop SCXW145399152 BCX0"><span class="SCXW145399152 BCX0"> </span><br class="SCXW145399152 BCX0" /></span>         <span class="TextRun SCXW145399152 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0">— Seu Chico?</span></span><span class="LineBreakBlob BlobObject DragDrop SCXW145399152 BCX0"><span class="SCXW145399152 BCX0"> </span><br class="SCXW145399152 BCX0" /></span>         <span class="TextRun SCXW145399152 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0">— Isso. Não tem outro nessa praia não.</span></span><span class="LineBreakBlob BlobObject DragDrop SCXW145399152 BCX0"><span class="SCXW145399152 BCX0"> </span><br class="SCXW145399152 BCX0" /></span>         <span class="TextRun SCXW145399152 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0">— Foi mal, você assustou a gente.</span></span><span class="LineBreakBlob BlobObject DragDrop SCXW145399152 BCX0"><span class="SCXW145399152 BCX0"> </span><br class="SCXW145399152 BCX0" /></span>         <span class="TextRun SCXW145399152 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0">— Oi, crianças &#8211; ouvimos uma voz feminina nova. </span></span><span class="LineBreakBlob BlobObject DragDrop SCXW145399152 BCX0"><br class="SCXW145399152 BCX0" /></span>         <span class="TextRun SCXW145399152 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0">— Ué, Dona Fran? Que voz diferente – Carlinha respondeu</span></span><span class="LineBreakBlob BlobObject DragDrop SCXW145399152 BCX0">.<br class="SCXW145399152 BCX0" /></span>         <span class="TextRun SCXW145399152 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0">— Aqui é Letícia – a voz respondeu.</span></span><span class="LineBreakBlob BlobObject DragDrop SCXW145399152 BCX0"><span class="SCXW145399152 BCX0"> </span><br /></span><span class="TextRun SCXW145399152 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0"><span class="TextRun SCXW252811738 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto">        </span>— <span class="TextRun SCXW252811738 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto">Cadê </span>Dona Fran?!</span></span><span class="LineBreakBlob BlobObject DragDrop SCXW145399152 BCX0"><br class="SCXW145399152 BCX0" /></span>         <span class="TextRun SCXW145399152 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0">— Ela </span><span class="NormalTextRun AdvancedProofingIssueV2Themed SCXW145399152 BCX0">tá</span><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0">&#8230;</span><span class="NormalTextRun SpellingErrorV2Themed SCXW145399152 BCX0">hummm</span><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0">&#8230;quero dizer&#8230; onde vocês tão indo essa hora? – ele fala com uma certeza nunca antes vista.</span></span><span class="LineBreakBlob BlobObject DragDrop SCXW145399152 BCX0"> <br class="SCXW145399152 BCX0" /></span>         <span class="TextRun SCXW145399152 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0">— Dá uma voltinha na praia.</span></span><span class="LineBreakBlob BlobObject DragDrop SCXW145399152 BCX0"><span class="SCXW145399152 BCX0"> Mas estamos meio perdidos.</span><br class="SCXW145399152 BCX0" /></span>         <span class="TextRun SCXW145399152 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0">— Ah, só seguir reto </span><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0">aí</span><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0"> que você </span><span class="NormalTextRun ContextualSpellingAndGrammarErrorV2Themed SCXW145399152 BCX0">já</span> <span class="NormalTextRun SpellingErrorV2Themed SCXW145399152 BCX0">já</span><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0"> chegam. Mas vão rápido que daqui a pouco soltam os fogos – e num instante sumiram na escuridão.</span></span><span class="LineBreakBlob BlobObject DragDrop SCXW145399152 BCX0"><span class="SCXW145399152 BCX0"> </span><br class="SCXW145399152 BCX0" /></span>         <span class="TextRun SCXW145399152 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0">Andamos mais um pouco até que, de repente, o mato acaba e, no lugar dele, sentimos a areia nos pés, além de uma mistura da brisa do mar com o cheiro da chuva. <span class="TextRun SCXW252811738 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto">Os fogos começam</span>. N</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span style="font-family: fonte-pedro;"><span class="TextRun SCXW252811738 BCX0" lang="PT-BR" style="font-size: 35px;" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW252811738 BCX0"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2"><span class="LineBreakBlob BlobObject DragDrop SCXW252811738 BCX0"><span class="SCXW252811738 BCX0"><span class="TextRun SCXW142100729 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW142100729 BCX0"><span class="TextRun SCXW145399152 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0">ós nos olhamos como quem dissesse: &#8220;conseguimos!&#8221;. <span class="TextRun SCXW252811738 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto">Nossas mãos se procuram novamente </span>e ali decidimos ficar: ela atenta ao céu colorido e eu a observando de canto de olho. Me<span class="TextRun SCXW252811738 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto">u </span>sorriso surge, assim como um pensamento: &#8220;algumas apostas nasceram pra serem perdidas.&#8221;</span></span></span></span></span><br class="SCXW252811738 BCX0" /><br class="SCXW252811738 BCX0" /></span></span></span></span></span><br /></span></p>
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		<title>Voxinha</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pedro Assun]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Mar 2024 17:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[namorados]]></category>
		<category><![CDATA[vozinha]]></category>
		<category><![CDATA[consulta]]></category>
		<category><![CDATA[medico]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[cronica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um consulta que deu o que falar.                 Um homem entra no consultório da médica:                 — Ancelmo, né?! &#8211; A doutora o cumprimenta.                 — Isso, Anxelmo.                 — Desculpe, Anxelmo.                 — Mas é Anxelmo.                 — Foi o que eu disse.                 — Não, não, você não entendeu, meu nome é Anxelmo.                 — Sim, na primeira vez eu ...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 35px;">Um consulta que deu o que falar.</span></p>
<p><span style="font-family: fonte-pedro;"><span id="more-4257"></span></span></p>



<p><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                Um homem entra no consultório da médica: </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — Ancelmo, né?! &#8211; A doutora o cumprimenta. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — Isso, Anxelmo. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — Desculpe, Anxelmo. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — Mas é Anxelmo. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — Foi o que eu disse. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — Não, não, você não entendeu, meu nome é Anxelmo. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — Sim, na primeira vez eu errei mesmo, peço desculpas. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — Mas meu nome é Anxelmo com X mesmo. Olha na fixinha. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — Ahh, Ancelmo. Então eu acertei! </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — Isso! Anxelmo! </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — Você tá me confundindo, Anxelmo. Qual seu problema afinal?! – a doutora responde num tom impaciente. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — É a minha voxinha, Doutorazinhainha. Não tá normalxinha. Parece uma mistura de Urxinhos carinhoxos com My Little Pony – Ancelmo/Anxelmo aponta para a garganta. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — Ah, achei que você era carente mesmo, tipo meu ex que tinha grupo de zap com amigos imaginários  – ela para um segundo para sentir um calafrio – Deixa eu ver sua garganta. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                Ela o examina. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">               — Diga: “Aaaaaa” </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — Awnnnn </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                —Diga: “Amor” </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — Amorzinhoinho </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">Ela termina o exame e fala: </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — Parece que temos um caso de vozinha fofa. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — É grave doura? </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                 — Me diz, Ancelmo, você é casado, namora&#8230;? </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — Simzinho com meu amorzinho da vida tudinha: Letucha, </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — É essa é a vozinha que você faz com ela, né?! </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — Xim,xim. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                — Então aí que tá o problema. Você não consegue mais parar com a vozinha. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">               — Há quanto tempo estão juntos? </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">               — Ele mostra 3 dedos pra ela. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">               — Há 3 mesexinhos. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">               — Esse sintoma é bem comum nesse começo de namoro.. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">               — Nossa que bom – ele abre um sorriso </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">               — &#8230;com adolescentes. Mas com o tempo o cansaço, descobre que a pessoa ronca e você não dorme há 4 dias, você começa a fazer cocô de porta aberta porque nem se importa mais&#8230;enfim, você se dá conta da breguice e some. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">               — Ela pega uma folha de papel e começa a anotar com uma letra de qualidade suspeita. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">               — Em todo caso, vou recomentar para você 3 filmes de The Rock, mas se tiver causando muito incomodo, pode ser qualquer velozes e furiosos. A partir do 5 funciona mais. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">               — Muito obrigadinho – ele se despede. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"> </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                                                   *             *             *</span></p>
<p><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">              Meses mais tarde, Alcemo ressurge no consultório. </span></p>
<p><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">               — Douturuxa, adotei um caxurrinho&#8230;</span></p>
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		<title>Conselho</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pedro Assun]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Feb 2021 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[conselho]]></category>
		<category><![CDATA[trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[keka]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[bar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Se conselho fosse bom, a gente não bebia.                ㄧ Porque o Bruce Wayne tá sempre triste? Porque ele é o Bad-Man! ㄧ é a primeira coisa que sai da minha boca nessa sexta a noite, ao chegar na despedida do Léo, logo depois de uma menina, de camiseta listrada ...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-medium-font-size"><span style="font-size: 32px; font-family: fonte-pedro;">Se conselho fosse bom, a gente não bebia.</span></p>



<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: fonte-pedro;"><span id="more-2598"></span><span style="font-size: 30px;">     </span></span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>ㄧ Porque o Bruce Wayne tá sempre triste? Porque ele é o Bad-Man! ㄧ é a primeira coisa que sai da minha boca nessa sexta a noite, ao chegar na <a href="https://pedroassun.com.br/contaipe/cronica/amizades-e-formaturas/">despedida</a> do Léo, logo depois de uma menina, de camiseta listrada e jaqueta de couro meio surrada, surgir da multidão e pedir uma piada, sem ao menos se apresentar. Estranhei, pois ela nem deu um gole na cerveja como geralmente as pessoas fazem para lamentar minhas anedotas. &#8220;Será que ela gosta desse humor duvidável?&#8221; me pergunto e tenho minha resposta, assim que ela ri.<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>ㄧ Como você pode ver, essa é a Amanda, Pedrinho ㄧ O Gui apresenta sua namorada ㄧ eles estavam juntos há 1 ano e conversavam como namorados, soavam como namorados e agiam como namorados, só não se chamavam assim<b>. </b>Mas vou usar esse título a fim de poupar minhas linhas e minha paciência.<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>Como na maioria das despedidas, a firma inteira está hoje no Keka ㄧ o bar da esquina é tão frequentado pela agência que tem até apelido e um pombo com nome do dono (da agência) ㄧ, e eu tenho muita fofoca pra atualizar com os outros departamentos, então, esse é momento perfeito pra matar minha curiosidade e conhecer a Amanda pessoalmente ㄧ, pois ela é um assunto constante nos cafezinhos da tarde e nem sempre por uma boa razão<b>. </b>Reparo melhor no look roqueiro com meia arrastão, shorts jeans <i>destroyed</i> e coturno vermelho (isso que dá, trabalhar muito tempo com moda), nas tatuagens coloridas <i>old school</i> decorando sua pele e na bolsa preta com fones enrolados e quase escapando. E pensando bem, combina com meu amigo, que sempre usa jeans e camisetas com referências de bandas ou quadrinhos.<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>Ela se enturma rápido com a gente: entra nos assuntos aleatórios, diz algumas besteiras e fala mal da agência. Praticamente uma colega de trabalho, que curte o namorado entre piadas e beijos. Aproveito a troca de confidências alcoólicas entre os dois e resolvo pegar outra bebida. <br /><strong>          </strong></span><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">Quando volto pra roda, o casal está em lados opostos. Até aí, é o curso normal das rodas de boteco ㄧ se você reparar, uma roda de pessoas é um organismo vivo, ela se movimenta, diminui, expande, se mistura&#8230; tive até um amigo que passou na frente de um bar e foi engolido por uma. O coitado ficou preso por horas e perdeu o enterro da avó.<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong>        </strong>O que me chama atenção é que as piadas da Amanda se transformaram em respostinhas. A cada 2 frases que o Gui fala, ela manda 1 indireta pra ele ㄧ acho que meu <a href="https://pedroassun.com.br/contaipe/cronica-samuel/">professor</a> de matemática chamaria de Ofensa 1:2. Meu amigo nota e os dois vão para um canto conversar.<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>Antes de continuar, um esclarecimento: meu intuito como escritor é contar ㄧ quase ㄧ fielmente o que acontece na minha vida. Do mesmo jeito que as histórias de pescador, as crônicas colocam em cheque nossas noções de realidade e ficção. E nessa relação de ㄧ quase ㄧ sinceridade com o leitor, no caso: você, devo confessar que tentei inventar diferentes causas pro começo da briga: ciúmes, bolacha x biscoito, ketchup na pizza, purê no cachorro-quente, terminar a série sem o mozão, dar a resposta errada das palavras cruzadas… mas parando pra pensar, numa briga de bar, ainda mais as do meu amigo, tudo acontece do nada. E é durante a surra no Beer Pong do pessoal do T.I, que percebo o Gui afogando as mágoas na sinuca com a galera da Manutenção, enquanto a Amanda, ao longe, recebe um conselho da mãe no telefone. <br /></span><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>Algumas derrotas depois, minha dupla de jogo aplica um golpe de Estado Boteco e me substitui por uma menina do Atendimento. Sendo assim, pego outro drink para prestar mais atenção no cenário ㄧ se você, como eu, tem vivência em dramas de bares e festinhas, vai reconhecer bem rápido a cena que vi. De um lado do recinto, o namorado chorando com os apoiadores a sua volta (um grupo formado pelos departamentos do RTV, Arte Final e Manutenção). Do outro, a namorada indiferente, séria, com sua própria comitiva (a galera das mídias sociais, o Atendimento e umas pessoas que eu sempre vi na agência, mas não tive certeza de que trabalham lá).<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>Bafafá e cervejas pra todo lado. As meninas do RH circulam entre as 2 rodas para ouvir todas as opiniões e pontos de vista para enfim, reunir os grupos ㄧ um coach que está passando, vê o círculo de pessoas e discursa sobre a meritocracia da física quântica do amor, só que nem o álcool aceita aquela ladainha, então ele vai embora. O casal se reúne novamente, a sós. A expectativa vem acompanhada de uma porção de batata frita. Apenas um detalhe ㄧ e o ketchup ㄧ é esquecido, as meninas têm experiências em desavenças corporativas, nada de bares. A memória disso surge quando vemos as posições invertidas, enquanto lágrimas escorrem da Amanda, o Gui carrega um olhar sem alma.<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>O climão começou a crescer ㄧ e o limão também, porque pediram a tequila ㄧ até que surge Dra. Leninha, dona do Keka e da clínica de psicologia que fica em cima. São 300 casos resolvidos no consultório e mais de 1.500 no balcão. O bar para com seu assobio ao longe e começa um murmurinho de esperança. Chego até a ouvir um coro de pensamentos: &#8220;se tem uma pessoa que dá bons conselhos para casal e vai salvar a sexta, é a Leninha!&#8221;. Imediatamente, um garçom limpa uma mesa e coloca uma Heineken gelada ㄧ Leninha não está pra brincadeira.<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>Gui e Amanda vão até o divã, conversam com Dra. e ao redor, pessoas disfarçando ㄧ bem mal ㄧ os olhares para o drama da noite. Ao fim de 40 minutos, Leninha olha para a plateia, gesticula um &#8220;Caso Perdido&#8221; com cabeça e volta ao balcão para o paciente das 23:30.<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>Sem saber de nada, a Lu surge da agência. Sem maquiagem e brincos, olheiras à mostra, cabelos coloridos e presos ao estilo &#8220;não me importo&#8221;, unhas descascadas, sem lentes de contato. Cada parte do corpo afirma &#8220;tive uma semana daquelas e preciso da minha cama&#8221;. Ela cruza seu amigo emburrado na frente da namorada e segunda o passo por 1 segundo. Sua falta de paciência se transforma num sinal de silêncio, quando o casal começa a reclamar. A Lu pronuncia uma frase e segue seu caminho. Imediatamente, os namorados se dão as mãos, trocam olhares e sorriem um para o outro.<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>O Keka fica em estado de choque! Todos entrevistam a Lu que respira fundo para suas últimas palavras do dia &#8220;ah, só disse: anjos, relacionamentos são iguais a vida, tem momentos bons e ruins”. A galera se olhou por segundos e mesmo sem entender nada, retomou o clima animado da despedida.<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>Naquela hora, um único pensamento cruzou minha mente &#8220;Às vezes, tudo que a gente precisa é um conselho ruim&#8221;. E tomei mais um gole.</span></p>
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		<title>&#8220;Tô chegando já&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pedro Assun]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 Jan 2021 17:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[casal]]></category>
		<category><![CDATA[menina]]></category>
		<category><![CDATA[mensagem]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O amor deixa marcas, mensagens também.                 Nessa noite até passa pela minha cabeça ir embora e minha menina me incentiva: “a gente marca outro dia”. Mas eu não me importo, afinal estou tão acostumado a esperar nessa estação, que ela virou nossa segunda casa. Além do mais, eu não posso perder uma oportunidade única: ...</p>
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<p class="has-medium-font-size"><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 35px;">O amor deixa marcas, mensagens também.<br /><span id="more-2576"></span></span></p>



<p><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                Nessa noite até passa pela minha cabeça ir embora e minha menina me incentiva: “a gente marca outro dia”. Mas eu não me importo, afinal estou tão acostumado a esperar nessa estação, que ela virou nossa segunda casa. Além do mais, eu não posso perder uma oportunidade única: cheguei antes.  E todo mundo sabe que quem gosta, joga na cara que não atrasa 一 meus sinceros agradecimentos à faculdade dela que, finalmente, trouxe uma aula que não podia ser abandonada.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                E aí que acontece meu primeiro encontro com essas palavras: &#8220;Tô chegando já&#8221;. Parece boas notícias, porque mais um tempinho e posso ver a saia listrada com tênis branco se aproximando e rompendo o marasmo cego de uma multidão de passageiros. Eu reconhecia aquele estilo de longe e amava tê-lo cada vez mais de perto. O beijo de saudade dela vem com um agradecimento por eu não ter partido.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                Os segundos e os vagões correm. Até que chega o momento que o estereótipo 一 o mais velho é o estraga-prazeres ou responsável, dependendo do ponto de vista 一 fica a favor dela. Então, sobra pra mim o ritual de avisar sobre a hora, desentrelaçar nossas pernas, arrumar os cabelos e ser chamado de: “chato”, até a plataforma, onde o beijo de despedida e o sinal de embarque do trem dizem &#8220;até a próxima estação&#8221;.<br />                                                   *             *             *</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">              &#8220;Não acredito que você nunca foi na Pinacoteca&#8221;. Temos que ir!&#8221; 一 ela diz com floreios de supresa. E foi assim que marcamos a tal exposição de um artista carioca.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">              Encostado na entrada do Museu eu ouço de sorrateiro a história da Lu, filha do pipoqueiro, que organiza festas de crianças e é apaixonada pelo pior palhaço do Buffet 一 segundo o pipoqueiro 一 que adora&#8230;</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">              Meu celular vibra. &#8220;Tô chegando já&#8221;. Eu estranho aquela repetição exatas de palavras e fico um tempo olhando para a tela sem saber o porquê. Lembro de uns meus filmes favoritos 一 Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas 一 que o protagonista relata sobre momentos em que o tempo para: “&#8230;quando ele volta, vem acelerado pra compensar”, e foi exatamente o que aconteceu. Quando volto a mim, fico mais perdido na história que cego em filme mudo. “Droga! O palhaço se demitiu e foi fazer faculdade de advocacia?&#8221;, &#8220;ela fugiu com o mágico?” “como assim a pipoca doce sai mais que a salgada?”. Quando percebo, minha menina de pele desenhada e olhos de descoberta já está ao meu lado. Um beijo 一 com um gosto meio diferente, admito 一 e um &#8220;bora?&#8221; com sotaque de todas as cidades que ela morou não deram chances à minha curiosidade pelo drama do pipoqueiro.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">              Dentro da Pinacoteca, corremos, pulamos, desenhamos, nos deitamos, exploramos cada obra 一 nunca imaginei que dava pra fazer tanta coisa em redes de pesca. E apesar de eu não entender nada, sinto toda a arte: a gente se deixando levar com meias encardidas e sorrisos nos rostos; os momentos de carícia aos poucos aumentando; as conversas da alma surgindo como piadas sem compromisso. A noite termina na casa dela, na nossa exposição de sentimentos.<br /></span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                                                   *             *             *</span></p>
<p><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">              Quinta é dia de negócios. E bons negócios: eu a acompanhava até em casa e ela me oferecia boas histórias.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">              Enquanto eu espero e observo atentamente cada funcionário saindo pelas catracas da empresa dela 一 preciso estar em dia com os causos da semana 一 recebo, no celular, um novo: &#8220;Tô chegando já&#8221;</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">              Talvez você não saiba, mas quem tem intimidade com as palavras, costuma conhecer o vocabulário das pessoas, principalmente as mais próximas. Temos a noção que uma palavra nova ou em outro lugar, pode ser a diferença entre uma poesia e um TCC. E aquela expressão que, apesar do 3° encontro, não ganha meu afeto, tem um ar meio solitário na prosa dela, quase uma forasteira que traz um presságio.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">              Coincidência ou não, nessa quinta, esse sentimento de distância passa pra ela num piscar de olhos. Mas, na outra piscada, já está de volta os olhos que eu conhecia. As ruas que cruzávamos nunca tiveram nome e mesmo assim eu sabia cada uma de cor. As confidências começam subindo pela escola de inglês, ganha aroma de café virando à direita na padaria, desviam das cadeiras do bar e terminam no fim da ladeira, no apartamento 61. Naquela noite, voltei pra casa com perfume de beijo na nuca.</span><br /><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">                                                   *             *             *</span></p>
<p><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">              A cafeteria já ganha os ares de bar, com o <em>Mochaccino </em>e <em>Cold Brew</em>, dando lugar ao Moscow Mule e <em>Old Fashioned,</em>na parede de giz. Chego e um garçom logo pergunta o que eu desejo, só que eu mesmo já tinha encontrado no balcão. Encontro, abraço forte, beijo e noto os olhos perdidos da minha menina. Depois, vem as palavras desbotadas. Uma ironia elas saírem de uma boca com batom vermelho. E então percebemos que o “vai ser só uma vez” se transformou em &#8220;fica só mais um pouquinho”, que os abraços ficaram mais apertados, que nossos laços estavam lá, vivos e presentes, mas que os laços dela com o passado também. Só que mais fortes. &#8220;É uma outra história&#8221; ela disse. &#8220;Que eu nunca vou entender&#8221;, completei com a angústia na garganta. Ela agradeceu pelos momentos e saiu.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">              Após um tempinho, noto uma notificação que eu deixei de lado por conta do meu atraso. E percebo que não foi por acaso que eu estou alí. Porque aquele momento anunciou sua chegada em cada mensagem. E uns minutos antes, eu tinha recebido a última “tô chegando já”.</span></p>
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