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	<title>Arquivos bar - Pedro Assun</title>
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	<description>Redator - Roteirista - Escritor</description>
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	<title>Arquivos bar - Pedro Assun</title>
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		<title>Eu só queria ir pra casa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pedro Assun]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 May 2024 13:40:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[casa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na noite, não existe maior pesadelo do que ficar longe da cama.                 Olho para o celular para confirmar que o bar do aniversário do Fernando, meu chefe, fecha exatamente à meia-noite. Uma ótima notícia para mim, que estou com duas baterias fracas: a do celular e a social. Já são 22h quando desço do ...</p>
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<p><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;"><span style="font-size: 35px;">Na noite, não existe maior pesadelo do que ficar longe da cama.</span></span></p>
<p><span id="more-4314"></span></p>



<p><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>Olho para o celular para confirmar que o bar do aniversário do Fernando, meu chefe, fecha exatamente à meia-noite. Uma ótima notícia para mim, que estou com duas baterias fracas: a do celular e a social. Já são 22h quando desço do Uber e me deparo com um bar ao ar livre que serve drinks afrodisíacos em mesas grandes e rústicas. Logo, vejo um grupo de pessoas de diferentes idades, mas nenhuma que conheço, afinal, dos funcionários do aniversariante, só eu dei as caras. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>Vou ao encontro do meu chefe, converso um pouco com ele e circulo pelas rodas: a dos amigos, a dos sócios, da família&#8230; Um tempinho depois, o bar começa a fechar e as pessoas vão embora. A prima do meu chefe passa se despedindo e perguntando quem quer carona para o metrô. Um grupo se dispõe a ir junto. Admito que é uma oferta tentadora, uma vez que o metrô fica perto da minha casa, mas como minha bateria social ainda está bem, eu digo que não. E a segurança da minha negativa vem baseada num plano infalível: desliguei o celular com bateria suficiente para eu ligá-lo no futuro e pedir o Uber. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">O bar finalmente fecha, só sobrando eu e os inimigos do fim: meu chefe, o sócio dele, uns amigos da praia e a avó. Todos discutem onde fazer o &#8220;after&#8221;. Enrolação vai, enrolação vem, decidem por um bar 24 horas. Uma ideia totalmente apoiada por mim, afinal, o bar fica 2 minutos mais perto da minha casa. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>Sentamos numa mesa, o álcool entra, verdades, histórias e risadas saem, e assim foi até a hora em que me levantei e saí de fininho – na verdade, minha hora já tinha chegado há um tempo, mas entenda que sou uma pessoa que enrola muito, muito mesmo para ir embora. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>Acredito que saí na hora certa, uma vez que minha bateria social está na emergência e começo a sentir um vento frio batendo nas canelas. Ando até a esquina e percebo que a tecnologia me sabotou, pois meu celular está com apenas 5% &#8211; 7% a menos do que eu tinha deixado ao desligá-lo. Na prática, meu celular se desliga no momento exato em que abro o app do Uber. Não me desespero, porque vejo uma nova chance: o hospital. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>Lá estava ele, todo brilhante, bem localizado, com uma avenida cheia de táxis passando na frente. Vou à entrada do hospital, respiro fundo, levanto o braço e aceno para os táxis. O primeiro passa reto. O segundo está com passageiro. O terceiro grita &#8220;usa o aplicativo&#8221;. Fico ali por 1 hora e meia, já acenei para 10 táxis e nenhum parou. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>A noite começa a esfriar mais. Então me surge uma nova ideia, um último plano. Vou até a pizzaria e pergunto: &#8220;se eu pedir para entregar uma pizza para minha casa, vocês me levam junto na garupa?&#8221;. Infelizmente, ninguém aceita. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span><span class="TextRun SCXW149629651 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW149629651 BCX2">Já são 2 horas da manhã quando, morrendo de frio, desisto enquanto a voz da prima oferecendo carona reverbera na minha cabeça. Balanço a cabeça e de repente, vejo, ao meu lado, um orelhão. Um milagre, provavelmente um dos últimos da Terra ali do meu ladinho. Penso &#8220;só ligar para os meus pais e tudo certo, eles vão conseguir me buscar, afinal, não estou tão longe de casa&#8221;. Digito os números para uma ligação a cobrar, ouço chamar duas vezes quando alguém atende. Meu coração se enche de esperança:</span></span></span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>— Alô, aqui é o Pedro&#8230; &#8211; digo, cansado. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>— Já conheço esses golpes de sequestro. Agora, me deixa dormir em paz – meu pai diz e desliga. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>Ligo de novo algumas vezes e só dá ocupado. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>&#8220;Quanto trabalho só para ir para casa&#8221;, eu penso enquanto choro internamente.  </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>Nesse momento, uma lembrança cruza minha mente e me lembro que meu antigo trabalho não ficava muito longe dali. E nessa agência, o mais comum era o segurança esperar algum infeliz que trabalhava até tarde. Com as pernas duras do frio, sem casaco, vou andando e olhando para todos os lados para não ser assaltado. Até que chego no portão. Bato lá. O som ecoa pela agência escura. O vento sobra lá de dentro. E ouço uma voz vindo do interfone: </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>— Aqui não é ONG, moleque! </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>— Não não, aqui é o Pedrão. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>— Ô Pedrão, meu brother, como tá?! </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>— Tô com frio. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>— É tá gelado aí mesmo, Deus me livre ser você. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>— Então, Jorjão, eu tava precisando de um ajuda sua: pode pedir um Uber pra mim, juro que te pago carregando meu celular. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>— Sabe o que é, meu, tá foda. Eu também tô na dureza. Aliás, você não tem um dinheirinho para me emprestar, não? </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>— Tô falando sério, Jorjão. Me ajuda aí. Pelo menos me deixa entrar. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>— Não rola, você não trabalha mais aqui. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>— Mas eu saí semana passada. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>— Pois né?! O seu Fábio disse que ex-funcionário não entra aqui sem autorização. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>— Ele também dizia que você não podia fumar aí dentro. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>— Tô mudado, tá bom. Agora eu sou um funcionário exemplar. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>Eu reviro os olhos ao ouvir isso. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>— Vai, me ajuda aí. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>— Olha, não consigo, preciso voltar pra minha soneca, digo, trabalho – e desliga. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>Toquei outras vezes no interfone e nada. Pensei: ele deve ter ido &#8220;trabalhar&#8221; em outra sala. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>Eram 4 horas da manhã com 15 graus, quando reapareço no bar 24 horas e encontro todos ali felizes e bebendo. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>— Ué?! Onde é que você tava? Pensei que tinha ido embora&#8221; &#8211; a avó do meu chefe pergunta com uma fala torta. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>— Fui ao banheiro &#8211; respondo. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>Não sei se não ligavam ou se apenas estavam bêbados o suficiente para acreditar em qualquer coisa, mas eles levaram na boa. Continuei: </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>— Bom, mas já vou embora, se alguém puder pedir um Uber pra mim, eu agradeço, porque meu celular acabou a bateria e ninguém no bar tinha carregador. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">Meu chefe se oferece, mas antes de me dar o celular dele, diz: </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">                </span></span>— Nem precisava falar com o pessoal do bar, se quisesse ir embora, só ter me dito. </span></p>
<p><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;" data-ccp-props="{&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
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		<title>Conselho</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pedro Assun]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Feb 2021 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
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		<category><![CDATA[trabalho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Se conselho fosse bom, a gente não bebia.                ㄧ Porque o Bruce Wayne tá sempre triste? Porque ele é o Bad-Man! ㄧ é a primeira coisa que sai da minha boca nessa sexta a noite, ao chegar na despedida do Léo, logo depois de uma menina, de camiseta listrada ...</p>
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<p class="has-medium-font-size"><span style="font-size: 32px; font-family: fonte-pedro;">Se conselho fosse bom, a gente não bebia.</span></p>



<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: fonte-pedro;"><span id="more-2598"></span><span style="font-size: 30px;">     </span></span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>ㄧ Porque o Bruce Wayne tá sempre triste? Porque ele é o Bad-Man! ㄧ é a primeira coisa que sai da minha boca nessa sexta a noite, ao chegar na <a href="https://pedroassun.com.br/contaipe/cronica/amizades-e-formaturas/">despedida</a> do Léo, logo depois de uma menina, de camiseta listrada e jaqueta de couro meio surrada, surgir da multidão e pedir uma piada, sem ao menos se apresentar. Estranhei, pois ela nem deu um gole na cerveja como geralmente as pessoas fazem para lamentar minhas anedotas. &#8220;Será que ela gosta desse humor duvidável?&#8221; me pergunto e tenho minha resposta, assim que ela ri.<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>ㄧ Como você pode ver, essa é a Amanda, Pedrinho ㄧ O Gui apresenta sua namorada ㄧ eles estavam juntos há 1 ano e conversavam como namorados, soavam como namorados e agiam como namorados, só não se chamavam assim<b>. </b>Mas vou usar esse título a fim de poupar minhas linhas e minha paciência.<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>Como na maioria das despedidas, a firma inteira está hoje no Keka ㄧ o bar da esquina é tão frequentado pela agência que tem até apelido e um pombo com nome do dono (da agência) ㄧ, e eu tenho muita fofoca pra atualizar com os outros departamentos, então, esse é momento perfeito pra matar minha curiosidade e conhecer a Amanda pessoalmente ㄧ, pois ela é um assunto constante nos cafezinhos da tarde e nem sempre por uma boa razão<b>. </b>Reparo melhor no look roqueiro com meia arrastão, shorts jeans <i>destroyed</i> e coturno vermelho (isso que dá, trabalhar muito tempo com moda), nas tatuagens coloridas <i>old school</i> decorando sua pele e na bolsa preta com fones enrolados e quase escapando. E pensando bem, combina com meu amigo, que sempre usa jeans e camisetas com referências de bandas ou quadrinhos.<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>Ela se enturma rápido com a gente: entra nos assuntos aleatórios, diz algumas besteiras e fala mal da agência. Praticamente uma colega de trabalho, que curte o namorado entre piadas e beijos. Aproveito a troca de confidências alcoólicas entre os dois e resolvo pegar outra bebida. <br /><strong>          </strong></span><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">Quando volto pra roda, o casal está em lados opostos. Até aí, é o curso normal das rodas de boteco ㄧ se você reparar, uma roda de pessoas é um organismo vivo, ela se movimenta, diminui, expande, se mistura&#8230; tive até um amigo que passou na frente de um bar e foi engolido por uma. O coitado ficou preso por horas e perdeu o enterro da avó.<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong>        </strong>O que me chama atenção é que as piadas da Amanda se transformaram em respostinhas. A cada 2 frases que o Gui fala, ela manda 1 indireta pra ele ㄧ acho que meu <a href="https://pedroassun.com.br/contaipe/cronica-samuel/">professor</a> de matemática chamaria de Ofensa 1:2. Meu amigo nota e os dois vão para um canto conversar.<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>Antes de continuar, um esclarecimento: meu intuito como escritor é contar ㄧ quase ㄧ fielmente o que acontece na minha vida. Do mesmo jeito que as histórias de pescador, as crônicas colocam em cheque nossas noções de realidade e ficção. E nessa relação de ㄧ quase ㄧ sinceridade com o leitor, no caso: você, devo confessar que tentei inventar diferentes causas pro começo da briga: ciúmes, bolacha x biscoito, ketchup na pizza, purê no cachorro-quente, terminar a série sem o mozão, dar a resposta errada das palavras cruzadas… mas parando pra pensar, numa briga de bar, ainda mais as do meu amigo, tudo acontece do nada. E é durante a surra no Beer Pong do pessoal do T.I, que percebo o Gui afogando as mágoas na sinuca com a galera da Manutenção, enquanto a Amanda, ao longe, recebe um conselho da mãe no telefone. <br /></span><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>Algumas derrotas depois, minha dupla de jogo aplica um golpe de Estado Boteco e me substitui por uma menina do Atendimento. Sendo assim, pego outro drink para prestar mais atenção no cenário ㄧ se você, como eu, tem vivência em dramas de bares e festinhas, vai reconhecer bem rápido a cena que vi. De um lado do recinto, o namorado chorando com os apoiadores a sua volta (um grupo formado pelos departamentos do RTV, Arte Final e Manutenção). Do outro, a namorada indiferente, séria, com sua própria comitiva (a galera das mídias sociais, o Atendimento e umas pessoas que eu sempre vi na agência, mas não tive certeza de que trabalham lá).<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>Bafafá e cervejas pra todo lado. As meninas do RH circulam entre as 2 rodas para ouvir todas as opiniões e pontos de vista para enfim, reunir os grupos ㄧ um coach que está passando, vê o círculo de pessoas e discursa sobre a meritocracia da física quântica do amor, só que nem o álcool aceita aquela ladainha, então ele vai embora. O casal se reúne novamente, a sós. A expectativa vem acompanhada de uma porção de batata frita. Apenas um detalhe ㄧ e o ketchup ㄧ é esquecido, as meninas têm experiências em desavenças corporativas, nada de bares. A memória disso surge quando vemos as posições invertidas, enquanto lágrimas escorrem da Amanda, o Gui carrega um olhar sem alma.<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>O climão começou a crescer ㄧ e o limão também, porque pediram a tequila ㄧ até que surge Dra. Leninha, dona do Keka e da clínica de psicologia que fica em cima. São 300 casos resolvidos no consultório e mais de 1.500 no balcão. O bar para com seu assobio ao longe e começa um murmurinho de esperança. Chego até a ouvir um coro de pensamentos: &#8220;se tem uma pessoa que dá bons conselhos para casal e vai salvar a sexta, é a Leninha!&#8221;. Imediatamente, um garçom limpa uma mesa e coloca uma Heineken gelada ㄧ Leninha não está pra brincadeira.<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>Gui e Amanda vão até o divã, conversam com Dra. e ao redor, pessoas disfarçando ㄧ bem mal ㄧ os olhares para o drama da noite. Ao fim de 40 minutos, Leninha olha para a plateia, gesticula um &#8220;Caso Perdido&#8221; com cabeça e volta ao balcão para o paciente das 23:30.<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>Sem saber de nada, a Lu surge da agência. Sem maquiagem e brincos, olheiras à mostra, cabelos coloridos e presos ao estilo &#8220;não me importo&#8221;, unhas descascadas, sem lentes de contato. Cada parte do corpo afirma &#8220;tive uma semana daquelas e preciso da minha cama&#8221;. Ela cruza seu amigo emburrado na frente da namorada e segunda o passo por 1 segundo. Sua falta de paciência se transforma num sinal de silêncio, quando o casal começa a reclamar. A Lu pronuncia uma frase e segue seu caminho. Imediatamente, os namorados se dão as mãos, trocam olhares e sorriem um para o outro.<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>O Keka fica em estado de choque! Todos entrevistam a Lu que respira fundo para suas últimas palavras do dia &#8220;ah, só disse: anjos, relacionamentos são iguais a vida, tem momentos bons e ruins”. A galera se olhou por segundos e mesmo sem entender nada, retomou o clima animado da despedida.<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>Naquela hora, um único pensamento cruzou minha mente &#8220;Às vezes, tudo que a gente precisa é um conselho ruim&#8221;. E tomei mais um gole.</span></p>
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		<title>Só mais uma noite</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pedro Assun]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Feb 2014 23:49:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Rima]]></category>
		<category><![CDATA[bar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A escuridão que cobre a cidade e silencia as moradias traz a energia enquanto automaticamente instintivamente contingentes de palavras me atravessam. Pois para expressar pensamentos que não podem ser guardados preciso do encaixe perfeito, feito, não por palavras enfeitadas, mas sim, por aquelas que não dizem mais nada além da simplicidade da verdade, da minha ...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A escuridão que cobre a cidade<br />
e silencia as moradias<br />
traz a energia</p>
<p><span id="more-828"></span><br />
enquanto<br />
automaticamente<br />
instintivamente<br />
contingentes de palavras me atravessam.</p>
<p>Pois para expressar pensamentos<br />
que não podem ser guardados<br />
preciso do encaixe perfeito,<br />
feito,<br />
não por palavras enfeitadas,<br />
mas sim,<br />
por aquelas que não dizem mais nada<br />
além da simplicidade da verdade,<br />
da minha essência.<br />
E quando me perco de mim,<br />
são elas que me trazem de volta à minha real existência.</p>
<p>A saudade de sempre<br />
vaga pelo peito.<br />
Muita gente<br />
vaga pelo peito,<br />
Ouço vozes<br />
com os mais variados tons e pontuações,<br />
esbarro nas preocupações<br />
que gritam urgência de realizações.<br />
Passo por angústias<br />
pensamentos soltos e os discorridos,<br />
penso nas influências,<br />
que a arte da convivência cria.<br />
Que parte de mim vive nas pessoas?<br />
E que parte delas vive em mim?</p>
<p>Lembro de instantes<br />
em que me vi diante<br />
da vida escondida nas coisas<br />
e percebi o quanto sou insignificante<br />
em relação a ela,<br />
que me trouxe beleza e paz.<br />
O que me fez sentí-la ainda mais.<br />
Acabo misturado com as ruas<br />
às vezes falante, às vezes calado<br />
mas independente dos estados<br />
olho pro céu e brindo<br />
ao agora,<br />
e aos reais aliados.</p>
<p>Em meio a esse ritual<br />
cruzo mil histórias<br />
riscos de memórias,<br />
vendo gente tentado se encontrar<br />
e outros querendo escapar de algum lugar.<br />
Para alguns<br />
esse ar é novidade<br />
enquanto outros atravessam semanas por aqui<br />
há também quem não tem pra onde ir,<br />
os que já vem com a obrigação de partir<br />
e os que nem olham a hora.</p>
<p>Milhões de personagens<br />
milhões de trilhas sonoras<br />
num lugar,<br />
onde os olhares, as razões e os sentimentos<br />
se misturam a cada momento.<br />
ao fim dessas horas<br />
que o relógio insiste em contar<br />
o bom,<br />
o incerto e o ruim<br />
se unem<br />
em inspirações<br />
que ligam todas as noites<br />
num ciclo sem fim.</p>
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