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	<title>Arquivos copadomundo - Pedro Assun</title>
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	<description>Redator - Roteirista - Escritor</description>
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		<title>Assalto n°1</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pedro Assun]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Mar 2026 11:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Roubar não vale nada.           Um dos personagens que entrou por acaso na minha vida foi o Zezão. Ele é filho dos anos 80 e era parte da turma mais velha da rua, que cresceu e foi cada um para um canto. Sozinho e abandonado, acabou fazendo amizade com os irmãos ...</p>
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<p><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 35px;"><b>Roubar não vale nada.</b></span></p>
<p><span id="more-4962"></span></p>





<p><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>Um dos personagens que entrou por acaso na minha vida foi o Zezão. Ele é filho dos anos 80 e era parte da turma mais velha da rua, que cresceu e foi cada um para um canto. Sozinho e abandonado, acabou fazendo <a href="https://pedroassun.com.br/cronica/cronica-saideira/">amizade</a> com os irmãos mais novos da turma mais velha, ou seja, eu e meus amigos.<br /></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>2006, Zezão, medindo 1,78 m, está no auge da sua vida com seu físico trincado e a moda “Velozes e Furiosos 1” – estilo que ele nunca abandonou – em alta. Ele anda por aí desfilando seus Nike Shox e com músculos e mamilos à mostra, graças à sua regata fininha.<br /></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>Se você bem se lembra, esse também é ano de Copa do Mundo – a da Alemanha –, única época que, de alguma forma, me envolvo com futebol, tanto que compro o famoso “álbum de figurinhas da Copa”.</span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>       <br />           </strong>Nesse dia, depois de passarmos horas ajudando a mãe dele na arrumação de suas <a href="https://pedroassun.com.br/cronica/amizades-e-formaturas/">festas</a> chiques, eu e Zezão seguimos para minha casa, pois, mais tarde, iríamos encontrar o resto da turma. No caminho, paramos numa banca de jornal para comprar alguns pacotinhos. Eles não custam muito, então uso meu dinheiro contado para adquirir 4 pacotinhos com 5 figurinhas cada. Não aguento esperar e abro ali mesmo na frente do vendedor. Olho uma por uma, alternando entre a decepção das repetidas e o entusiasmo das inéditas. Coloco todas no bolso do shorts e continuamos para o metrô.<br /></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>Desembarcamos na estação mais próxima da minha casa por volta das 11 da noite. Não ficava longe, mas, por causa do horário, viro para o Zezão e digo:<br /><strong>           </strong>— Vou ligar pra minha mãe buscar a gente (de carro).<br /></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>— Não precisa. Vamos a pé rapidinho. – Ele responde despreocupado.<br /></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>“Bom, tá bom, com um amigo desse ninguém vai se meter com a gente?!” – penso comigo mesmo.<br /><strong>           </strong>Cruzamos algumas ruas praticamente vazias. Somente um casal de homens com seus cachorros passa por nós. Até que chegamos ao muro que dava na minha casa, um trecho sempre à meia-luz, graças às árvores que filtram a iluminação do poste. Um homem curvado vem na direção contrária; pra gente, mais uma pessoa que passaria direto, mas não: ele se aproxima, pergunta a hora e, antes de respondermos, nos aponta uma arma. Num instante, Zezão corre. Eu e o assaltante ficamos imóveis, desacreditados, observando a cena por alguns segundos. Então o criminoso olha para o lado e me encontra ali, encostado no muro com as mãos levantadas, e faz uma cara de surpresa como quem lembrasse: “Ah, sobrou outro!”. </span><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;">Ele exige meu celular.</span><br /><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;"><strong>           </strong>— Não tenho. – Minto na cara dura.</span><br /><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;"><strong>           </strong>— Passa o dinheiro! – Sua mão e a arma tremem enquanto fala comigo. Um tremor a mais e o gatilho pode ser disparado.<br /><strong>           </strong>Coloco a mão no bolso procurando minha carteira e, sem querer, tiro as figurinhas. Ele as arranca da minha mão, sente que não é dinheiro e joga no chão.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>— Cadê o <a href="https://pedroassun.com.br/cronica/reu-primario/">dinheiro</a>? – Ele está mais ansioso.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>Encontro a carteira no outro bolso, abro-a para tirar as notas, mas, novamente, o assaltante puxa tudo de mim.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>— Pô, pelo menos deixa os documentos.  – Eu falo enquanto ele abre cada compartimento da carteira. </span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>O assaltante não responde, pega algo, descarta o resto e some na escuridão.<br /><strong>           </strong>Respiro aliviado e começo a resgatar minha carteira e as figurinhas do chão, uma a uma, até que percebo uma nota de 1 real entre elas. No mesmo segundo, me vem uma lembrança de que eu só tinha 2 reais na carteira, ou seja, fui roubado sim, mas só me levaram 1 real.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">            Meu próximo passo é encontrar meu “corajoso” amigo. Sigo em direção ao sentido que ele correu e o vejo andando tranquilamente com o casal de homens. Ele se vira, olha pra mim e diz: <br /></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>— Ué?! Por que você não correu também? </span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>É, meus amigos, algumas amizades valem menos que 1 real.</span></p>
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