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	<title>Arquivos geracao Y - Pedro Assun</title>
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	<description>Redator - Roteirista - Escritor</description>
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	<title>Arquivos geracao Y - Pedro Assun</title>
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		<title>O que restou de nós</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pedro Assun]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Mar 2022 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Poema]]></category>
		<category><![CDATA[geracao Y]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O retrato de uma geração que está há 2 views do paraíso da desilusão. Somos a penúltima geração do alfabeto.Os primeiros a presenciar a esperança da internet de perto.Nosso aprendizado cresceu na mesma velocidade que nossa ansiedade. Dizem que escolhas definem nossa identidade,mas expectativas e arrependimentos nos sussurram em cada encruzilhada.Por querer tudo, acabamos com ...</p>
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<p class="has-medium-font-size"><span style="font-size: 32px;"><strong><span style="font-family: fonte-pedro;">O retrato de uma geração que está há 2 views do paraíso da desilusão.</span></strong></span></p>



<p><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;"><span id="more-2864"></span></span></p>
<p><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">Somos a penúltima geração do alfabeto.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">Os primeiros a presenciar a esperança da internet de perto.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">Nosso aprendizado cresceu na mesma velocidade que nossa ansiedade.</span></p>
<p><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">Dizem que escolhas definem nossa identidade,</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">mas expectativas e arrependimentos nos sussurram em cada encruzilhada.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">Por querer tudo, acabamos com nada.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">Temos a história do <span class="ILfuVd"><span class="hgKElc">espaço-tempo </span></span>diante das nossas mãos,</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">mas nos tornamos supernovas em rota de colisão.</span><br><br><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">Hoje, vemos o mundo através de barras cromadas e janelas sem vento.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">E linhas de prazeres sortidos são a fuga dos micro-tédios que nos atormentam por dentro.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">Gravamos &#8220;as mentiras recebidas do dia&#8221; para alimentar as certezas</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">que, mais tarde, viram nossas doces sobremesas.</span><br><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">Celas solitárias com seres solitários.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">Nosso tempo é uma masturbação digital</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">onde homenageamos os sofrimentos diários.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">Escrevemos cartas de amor em salas de espelhos artificiais.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">Procuramos psicólogos, psiquiatras, mas aceitamos mesmo conselhos de profetas de promessas capitais.</span><br><br><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">Nossa sinfonia de emoções foi reduzida a um som só: o click do like.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">A harmonização intelectual é o novo hype.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">Cantamos em um só coro de opiniões extremas onde o maestro é a intolerância seguindo partituras de ignorância.</span><br><br><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">Confundimos nossos discursos com o canto do sabiá sabido</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">e o espalhamos aos prantos aos cantos para sermos ouvidos.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">Menos onde mais importa: a rua.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">Na presença da lua, levantamos hashtags de assuntos enterrados</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">mas sob o sol, não levantamos do sofá onde estamos enraizados.</span><br><br><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">Somos narciso procurando uma alma gêmea e Ed Gein escrevendo poesias.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">Enquanto as inspirações estão expostas como troféus nas residências vazias.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">Nos apaixonamos pelo passado que nos entrega rosas postiças</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">sem saber que a saudade é uma areia movediça:&nbsp;</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">quanto mais revirar, mais vai se afundar</span><br><br><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">Nosso afeto se dividiu entre abraços reais e virtuais</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">até não sabermos diferenciá-los mais.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">Aplicativos nos fizeram perceber que Delivery entrega até cocaína</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">mas não autoestima.</span><br><br><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">Vivemos de luto pelos amores e ídolos que assassinamos,</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">mas sem choro. Assim</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">não danificamos o touchscreen.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">As provas do crime estão cicatrizadas na nossa pele com caneta preta.<br><br></span></p>
<p><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">Gritamos felicidades, para não ouvirmos nossas inseguranças,&nbsp;</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">Mas não adianta&nbsp;</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">Não se sentem mais sentimentos trocados.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">Assim como somos vistos e ignorados, ignoramos.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">Vivemos um cemitério de sentimentos enterrados</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">pintado em um quadro de rococó.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">E suplicamos,</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">pra que as musas gregas falem por nós</span><br><br><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">Conectados às tomadas. Desconectados da realidade da situação.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">Tão automáticas quanto as câmeras é nossa percepção.</span></p>
<p><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">Saímos a noite para encontrarmos ilusões e a solidão.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">Transarmos com elas embaixo de lençóis transparentes.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">Festejamos com entorpecentes e bebidas</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">para engolirmos nossas almas feridas.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">Pois preferimos as dores de cabeça às do coração.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">Para a ressaca, pílulas de notificação, de automedicação.</span><br><br><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">Nossas fotos têm filtros, nossas palavras não.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">Ideias distorcidas e belezas escondidas.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">Olhos armados contra um mundo que conquistamos</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">mas não sabemos em que lugar nos encaixamos</span><br><br><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">A cada madrugada, ouvem-se sussurros silenciosamente.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">somos nós rezando para estrelas decadentes.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">E ainda assim, deixaremos um legado eternizado.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">Serão lindas e até grandiosas histórias</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: fonte-pedro;">que só vão durar 24 horas.</span></p>






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