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	<title>Arquivos infancia - Pedro Assun</title>
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	<description>Redator - Roteirista - Escritor</description>
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	<title>Arquivos infancia - Pedro Assun</title>
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		<title>Aventuras na fazenda</title>
		<link>https://pedroassun.com.br/cronica/aventuras-na-fazenda/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pedro Assun]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Mar 2026 11:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[adolescencia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um dia de bosta. &#160; &#160; &#160; &#160; &#160; &#160;Um dos lugares que eu mais costumava ir durante a infância e adolescência foi a fazenda Regina, que pertencia ao Seu João, avô do Bruno, meu amigão de infância.&#160; &#160; &#160; &#160; &#160; &#160;Como ela ficava longe de São Paulo, não podíamos ir todo fim de ...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 35px;">Um dia de bosta.<br /></span><span id="more-4936"></span></p>



<p><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;"><strong>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;</strong>Um dos lugares que eu mais costumava ir durante a <a href="https://pedroassun.com.br/cronica/reu-primario/">infância</a> e <a href="https://pedroassun.com.br/cronica/estacionamentro/">adolescência</a> foi a fazenda Regina, que pertencia ao Seu João, avô do Bruno, meu amigão de infância.<br></span><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;"><strong>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;</strong>Como ela ficava longe de São Paulo, não podíamos ir todo fim de semana – embora não faltasse vontade –, pegávamos feriados emendados. A viagem era sempre bem divertida, marcada por muito papo frouxo, piadas e brincadeiras ao som de músicas antigas das fitas do Seu João. Íamos assim durante 6 horas até uma estradinha de terra, momento em que ele nos deixava subir na caçamba da caminhonete para irmos sentindo o ar do campo. Antes de chegarmos à grande porteira da entrada, já podíamos ver os enormes pastos verdes onde cavalos, bois, porcos e búfalos andavam e se alimentavam livremente para depois virar deliciosos bifes – os cavalos se salvavam desse destino.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;"><strong>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;</strong>Lembro que de tão grande que a fazenda era, Seu João sempre carregava um caderninho com anotações de quais animais estavam em qual pasto. Algo que não acontecia com o Joel, o faz-tudo da fazenda, que sabia essa relação de cor. Inclusive, na maioria dos dias, o Seu João botava eu e o Bruno para trabalhar com o Joel e seus 3 cães border collies: Jaiminho, Jorge e Jonas, na manutenção das terras e dos animais.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;"><strong>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;</strong>Em um belo dia desses, Seu João nos chama para dar uma volta pela fazenda. Ele queria ver os animais mais novos, os que estavam crescendo, quem estava pronto para o abate e assim por diante. Vamos eu, Bruno, Seu João, no seu lendário cavalo preto, Joel e outros peões. Em certo momento, nos deparamos com uma árvore centenária, linda, com uma copa verde que ia até o céu e galhos entrelaçados que iam até o chão. Todos começam a rodeá-la para continuar o caminho. Eu não. Como um cavaleiro destemido começo a ir reto. Ouço Seu João falando: “Pedro, não vai por aí não, melhor dar a volta!”. Na hora, penso: “Puff! Venho aqui há vários anos, já ajudei o Joel em todo tipo de coisa. Sei andar de cavalo e passar por baixo de uma simples árvore”. E lá fui eu seguindo sozinho, olhando a paisagem quando… um enorme galho me atinge no peito! O impacto não só me derruba como assusta os cachorros do Joel, que latem fortemente, e faz meu cavalo sair em disparada, com meu pé preso ao estribo. Sou arrastado por alguns metros, levantando grama e terra, até que o Bruno cavalga rapidamente chegando na frente do meu cavalo e consegue acalmá-lo. Eu me levanto com um corte no braço e monto novamente no cavalo. A vergonha está estampada na minha cara e os ouvidos estão cheios de terra e de “a gente avisou” vindo dos mais experientes.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;"><strong>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;</strong>Voltamos para a casa, onde a mulher do Seu João, Dona Majô, faz um curativo em mim e sugere que eu ficasse na casa. Algo que ignorei completamente: “eu tô bem, pronto pra outra” disse. Então eu e o Bruno decidimos ir à casa do Joel, porque além dele, conhecíamos suas 3 filhas: Joelma, de 12, e Jaqueline, de 11, e Jane, de 10. Logo que chamamos as meninas, elas apareceram com uma bola e uma ideia: queimada. Começamos o jogo. Após algum tempo da bola indo de um lado ao outro, muitas esquivas e queimadas só sobramos eu e Jaque no jogo. Ela joga a bola e eu pulo com tudo na lama para escapar. Infelizmente, Jaque só fingiu que ia jogar, e quando eu estou no chão, me acerta com a última e vencedora bolada. Levanto, pela segunda vez naquele dia, com a roupa inteira suja. Até que Jane aponta para minhas costas e diz com seu sotaque interiorano: <br></span><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;"><strong>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;</strong>— O que é isso?<br></span><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;"><strong>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;</strong>— Ué?! É lama, não tá vendo?! &#8211; respondo.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;"><strong>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;</strong>— Eu sei, mas tá estranho.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;"><strong>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;</strong>— Tá com um cheiro estranho na verdade. &#8211; Joelma afirma e todos concordam.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;"><strong>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;</strong>Eu pego um pouco, coloco no dedo, a turma dá uma cheirada, e descobrimos que, o que parecia ser barro impregnado por toda minha roupa, era, na verdade, bosta de cavalo! Logo tiro a camiseta e com a cabeça baixa, subo para a casa para tomar um banho e me trocar. Naquele momento &#8211; finalmente &#8211; resolvo fazer algo sensato e seguir o conselho de Dona Majô: ficar na rede da varanda apenas olhando a paisagem até a hora do jantar para evitar qualquer novo vexame.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;"><strong>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;</strong>Os dias seguiram trazendo novas aventuras na fazenda Regina, histórias que posso contar mais tarde. Porque, no fim das contas, os dias ruins passam, os tombos cicatrizam, a vergonha diminui — mas o cheiro de bosta de cavalo…esse fica para sempre.</span></p>
<p>&nbsp;</p>




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		<title>Eu, ela e um guarda-chuva</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pedro Assun]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 Mar 2024 13:53:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[infancia]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[amizade]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uma aventura de ano novo.          Hoje é uma noite muito especial e, ao mesmo tempo, rara. Não é só pelo fato de estarmos juntos, mas por estarmos juntos nas férias. Isso porque, meus pais sempre foram muito ruins de timing: marcam viagens de família na época em que a minha turma toda está em ...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><span style="font-family: fonte-pedro;"><span style="font-size: 35px;">Uma aventura de ano novo.</span></span></p>
<p><span id="more-4309"></span></p>



<p><span style="font-family: fonte-pedro;"><span style="font-size: 35px;"><span class="TextRun SCXW252811738 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW252811738 BCX0"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">         </span></span>Hoje é uma noite muito especial e, ao mesmo tempo, rara. Não é só pelo fato de estarmos juntos, mas por estarmos juntos nas férias. Isso porque, meus pais sempre foram muito ruins de </span></span><em><span class="TextRun SCXW252811738 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW252811738 BCX0">timing</span></span></em><span class="TextRun SCXW252811738 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW252811738 BCX0">: marcam viagens de família na época em que a minha turma toda está em São Paulo. Mas, dessa vez, os planetas se alinharam e na mesma cidade, na mesma praia para onde viajei, meus amigos também foram. São eles:<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">          </span></span>Rudi, 10 anos, que de tão malandro, anos mais tarde, vendeu papel picado para gringo falando que era cocaína; Dudu de 9 anos, daquelas pessoas que não conversam, palestram&#8230;; e Carlinha, a menina, cujos cabelos loiros escondem um ser destemido, dona de minha paixão – talvez porque ela seja a única menina do grupo.<span class="LineBreakBlob BlobObject DragDrop SCXW252811738 BCX0"><span class="SCXW252811738 BCX0"> </span><br class="SCXW252811738 BCX0" /></span> <span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">         </span></span>De dia, temos uma <span class="NormalTextRun SpellingErrorV2Themed SCXW252811738 BCX0">vibe</span> à lá malhação: ficamos de boa na praia ouvindo Charlie Brown e tomando suco no Bar do Seu Chico que fica pertinho do nosso condomínio: &#8220;Pata de Tartaruga&#8221;.<br /><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">         </span></span>E quando o sol se põe, jogamos cartas enquanto nossos pais assistem &#8220;O Clone&#8221;. Cada vez, é um jogo diferente: pôquer, rouba monte, presidente, desconfia&#8230;o Dudu sabe todos de cor. E o desta noite de réveillon é canastra/buraco.  Até porque, com uma chuva de verão, o mundo desaba ao nosso redor. E por isso, os adultos decidiram preparar a ceia e assistir aos fogos na praia, se o tempo permitir.</span></span></span><br /><span class="TextRun SCXW252811738 BCX0" lang="PT-BR" style="font-size: 35px;" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW252811738 BCX0"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">         Antes de começar a próxima rodada, Rudi fala:<span class="LineBreakBlob BlobObject DragDrop SCXW252811738 BCX0"><br />        — Que tal a gente deixar o jogo mais legal?  –  Prestamos atenção – A dupla que perder, vai te que ir lá na praia, pega uma conchinha e volta.<span class="SCXW252811738 BCX0"> <br />        Todos engolem seco, pois o caminho até a praia é totalmente escuro, estreito, de madeira e com mato pelos cantos. Até agora, ninguém com 10 anos tinha ido lá à noite e sobrevivido. Pelo menos é o que dizem. Mas minha crush, instintiva até demais disse: &#8220;eu topo, quero ver vocês ganharem da gente&#8221;.  <br class="SCXW252811738 BCX0" />        Eles ganharam.<br />Eu e Carlinha nos aprontamos com as únicas coisas que poderíamos levar: um guarda-chuva amarelo e a coragem dela, e saímos. <br class="SCXW252811738 BCX0" />        — Você não entendeu meus sinais na hora do jogo? A gente podia ter ganhado. &#8211; Carlinha disse indignada. <br class="SCXW252811738 BCX0" />        — Que sinal? <br class="SCXW252811738 BCX0" />        — Os sinais ué, as piscadas, passada de perna que eu <span class="NormalTextRun SpellingErrorV2Themed SCXW252811738 BCX0">tava</span> dando para você compra o monte. <br class="SCXW252811738 BCX0" />        — Nossa, não tinha reparado. – eu tinha sim, mas achei que era um charme dela <span class="NormalTextRun AdvancedProofingIssueV2Themed SCXW252811738 BCX0">pra</span> cima de mim.  <br class="SCXW252811738 BCX0" />        A iluminação das casas vai deixando de clarear o caminho, sobrando apenas a luz do luar.  A chuva aumenta. Nos esprememos no guarda-chuva. Ouvimos algo. <br class="SCXW252811738 BCX0" />        — Que foi isso? &#8211; Eu pergunto. <br class="SCXW252811738 BCX0" />        — Nadinha. <br class="SCXW252811738 BCX0" />        — Certeza? &#8211; minhas pernas tremem.<br class="SCXW252811738 BCX0" />        — Claro&#8230; <br class="SCXW252811738 BCX0" />        Um vulto atravessa rapidamente nossa frente, ela fica em silêncio alguns segundos e continua: <br class="SCXW252811738 BCX0" />        — Que não! Corre. <br class="SCXW252811738 BCX0" />        Enquanto corremos reparo a que coragem dela também nos tinha abandonado. Restam eu, ela e o guarda-chuva.<br />        — É impressionante como a gente não repara em nada dessas coisas de dia&#8230;<span class="NormalTextRun SpellingErrorV2Themed SCXW252811738 BCX0">Aiiii!</span> <br />        — Que houve? &#8211; pergunto.<br class="SCXW252811738 BCX0" />        — Acabei de chutar alguma coisa.<br class="SCXW252811738 BCX0" />        — Deixe eu vê. É <span class="TextRun SCXW252811738 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto">aquele maldito tronco que toda vez a gente pula</span>– enquanto analiso o tronco com as mãos acabo esbarrando de leve nela e penso: &#8220;como alguém pode ter uma pele tão macia.&#8221;<br class="SCXW252811738 BCX0" />        O caminho parece eterno e a cada passo nosso, o som vindo da mata aumenta. Uma das minhas mãos segura no guarda-chuva e a outra, instintivamente, procura pela mão de Carlinha que também está atrás da minha. Tento nos acalmar: <br class="SCXW252811738 BCX0" />        — Esses barulhos devem ser das outras pessoas indo até a praia.<br />        <span class="TextRun SCXW142100729 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW142100729 BCX0">Ela não diz nada e aperta minha mão um pouco mais forte.</span></span><span class="LineBreakBlob BlobObject DragDrop SCXW142100729 BCX0"><span class="SCXW142100729 BCX0"> </span><br class="SCXW142100729 BCX0" /></span><span class="TextRun SCXW142100729 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW142100729 BCX0"><span class="TextRun SCXW252811738 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto">        </span>Subitamente, dois vultos vêm em direção à gente. Com um grito e toda falta de coragem do mundo, eu pego o guarda-chuva e ataco:<br /><span class="TextRun SCXW145399152 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0">        — Que isso garoto? Tá doido?</span></span><span class="LineBreakBlob BlobObject DragDrop SCXW145399152 BCX0"><span class="SCXW145399152 BCX0"> </span><br class="SCXW145399152 BCX0" /></span>         <span class="TextRun SCXW145399152 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0">— Seu Chico?</span></span><span class="LineBreakBlob BlobObject DragDrop SCXW145399152 BCX0"><span class="SCXW145399152 BCX0"> </span><br class="SCXW145399152 BCX0" /></span>         <span class="TextRun SCXW145399152 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0">— Isso. Não tem outro nessa praia não.</span></span><span class="LineBreakBlob BlobObject DragDrop SCXW145399152 BCX0"><span class="SCXW145399152 BCX0"> </span><br class="SCXW145399152 BCX0" /></span>         <span class="TextRun SCXW145399152 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0">— Foi mal, você assustou a gente.</span></span><span class="LineBreakBlob BlobObject DragDrop SCXW145399152 BCX0"><span class="SCXW145399152 BCX0"> </span><br class="SCXW145399152 BCX0" /></span>         <span class="TextRun SCXW145399152 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0">— Oi, crianças &#8211; ouvimos uma voz feminina nova. </span></span><span class="LineBreakBlob BlobObject DragDrop SCXW145399152 BCX0"><br class="SCXW145399152 BCX0" /></span>         <span class="TextRun SCXW145399152 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0">— Ué, Dona Fran? Que voz diferente – Carlinha respondeu</span></span><span class="LineBreakBlob BlobObject DragDrop SCXW145399152 BCX0">.<br class="SCXW145399152 BCX0" /></span>         <span class="TextRun SCXW145399152 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0">— Aqui é Letícia – a voz respondeu.</span></span><span class="LineBreakBlob BlobObject DragDrop SCXW145399152 BCX0"><span class="SCXW145399152 BCX0"> </span><br /></span><span class="TextRun SCXW145399152 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0"><span class="TextRun SCXW252811738 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto">        </span>— <span class="TextRun SCXW252811738 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto">Cadê </span>Dona Fran?!</span></span><span class="LineBreakBlob BlobObject DragDrop SCXW145399152 BCX0"><br class="SCXW145399152 BCX0" /></span>         <span class="TextRun SCXW145399152 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0">— Ela </span><span class="NormalTextRun AdvancedProofingIssueV2Themed SCXW145399152 BCX0">tá</span><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0">&#8230;</span><span class="NormalTextRun SpellingErrorV2Themed SCXW145399152 BCX0">hummm</span><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0">&#8230;quero dizer&#8230; onde vocês tão indo essa hora? – ele fala com uma certeza nunca antes vista.</span></span><span class="LineBreakBlob BlobObject DragDrop SCXW145399152 BCX0"> <br class="SCXW145399152 BCX0" /></span>         <span class="TextRun SCXW145399152 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0">— Dá uma voltinha na praia.</span></span><span class="LineBreakBlob BlobObject DragDrop SCXW145399152 BCX0"><span class="SCXW145399152 BCX0"> Mas estamos meio perdidos.</span><br class="SCXW145399152 BCX0" /></span>         <span class="TextRun SCXW145399152 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0">— Ah, só seguir reto </span><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0">aí</span><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0"> que você </span><span class="NormalTextRun ContextualSpellingAndGrammarErrorV2Themed SCXW145399152 BCX0">já</span> <span class="NormalTextRun SpellingErrorV2Themed SCXW145399152 BCX0">já</span><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0"> chegam. Mas vão rápido que daqui a pouco soltam os fogos – e num instante sumiram na escuridão.</span></span><span class="LineBreakBlob BlobObject DragDrop SCXW145399152 BCX0"><span class="SCXW145399152 BCX0"> </span><br class="SCXW145399152 BCX0" /></span>         <span class="TextRun SCXW145399152 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0">Andamos mais um pouco até que, de repente, o mato acaba e, no lugar dele, sentimos a areia nos pés, além de uma mistura da brisa do mar com o cheiro da chuva. <span class="TextRun SCXW252811738 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto">Os fogos começam</span>. N</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span style="font-family: fonte-pedro;"><span class="TextRun SCXW252811738 BCX0" lang="PT-BR" style="font-size: 35px;" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW252811738 BCX0"><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2"><span class="LineBreakBlob BlobObject DragDrop SCXW252811738 BCX0"><span class="SCXW252811738 BCX0"><span class="TextRun SCXW142100729 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW142100729 BCX0"><span class="TextRun SCXW145399152 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"><span class="NormalTextRun SCXW145399152 BCX0">ós nos olhamos como quem dissesse: &#8220;conseguimos!&#8221;. <span class="TextRun SCXW252811738 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto">Nossas mãos se procuram novamente </span>e ali decidimos ficar: ela atenta ao céu colorido e eu a observando de canto de olho. Me<span class="TextRun SCXW252811738 BCX0" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto">u </span>sorriso surge, assim como um pensamento: &#8220;algumas apostas nasceram pra serem perdidas.&#8221;</span></span></span></span></span><br class="SCXW252811738 BCX0" /><br class="SCXW252811738 BCX0" /></span></span></span></span></span><br /></span></p>
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		<title>Réu primário</title>
		<link>https://pedroassun.com.br/cronica/reu-primario/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Pedro Assun]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Jan 2024 13:20:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[infancia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Toda moeda tem 2 lados e num deles, está o futuro de tia carlinha.&#160;              Da boca do Fabinho sai o que toda sala tá pensando quando vê a moeda grudada na parede.              — Isso aí é bruxaria!             Tia Carlinha explica alguma coisa sobre energia estática, mas a turma não acredita nessa ...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 32px;">Toda moeda tem 2 lados e num deles, está o futuro de tia carlinha.&nbsp;</span></strong></p>



<p><br /><span id="more-4112"></span></p>
<p><span style="color: #000000; font-size: 30px;"><span style="font-family: fonte-pedro;">  <strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>Da boca do Fabinho sai o que toda sala tá pensando quando vê a moeda grudada na parede. <br /></span><span style="font-family: fonte-pedro;">  <strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>— Isso aí é bruxaria!<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro;">  <strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>Tia Carlinha explica alguma coisa sobre energia estática, mas a turma não acredita nessa baboseira de ciência da prof. E sem medo nenhum, na frente de toda turma de meninos e meninas de 10 anos, ela diz:<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro;">  <strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>— Vamos deixar até amanhã!<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro;">  <strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>Ninguém coloca pra fora, mas dá pra ver o que cada um quer dizer pela expressão: &#8220;doidinha&#8221;, &#8220;loucaaaaa&#8221;, &#8220;nem o Goku consegue isso&#8221;. E foi assim que o respeito da nossa querida prof. foi ficar na mão de uma moeda de 50 centavos.<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro;">  <strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>Quando o sinal de fim da aula toca, Tia Carlinha manda a gente voltar pros nossos lugares. Só eu que fico por ali mesmo porque minha cadeira fica do lado da parede.<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro;">  <strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>— Pedro!  – Tia Carlinha chama minha atenção e quando vejo estou alí parado olhando.<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro;">  <strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>Sento e já começa a aula de história. Nela, Tia Carlinha fala de um montão de riquezas que o Brasil tinha: &#8220;tinha pau-brasil…” A sala dá uma  risadinha e a prof. continua “ouro, plantas de todos os tipos…&#8221;<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro;">  <strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>Não presto muita atenção porque pelo cantinho do olho ainda tô namorando escondido a moeda e juro que ela me namora também. Mas balanço a cabeça rapidinho e olho pras outras coisas: o cabelo engraçado da Luiza, Vini montando um castelo de borracha, Rita limpando o óculos redondinho com cuspe. “lentes são redondinhas tipo moeda”. “Trimmm”. O sinal toca de novo.<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro;">  <strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>E aí vem a aula de matemática que é meio chata, mas dá pra fazer os exercícios. <i>“</i>Vamos lá, página 26. Primeira conta: fração de 200 sobre 4. Bom, dá 50. Nossa! Dá pra comprar tanta coisa com esse tesouro que está ali grudadinho”&#8230;não, não, foca, vamos pro exercício de baixo: 50² é igual a? Essa tá facinho. Imagina moeda vezes moeda. Dá bilhões.”<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro;">  <strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>— 2500 – a sala responde. <br /></span><span style="font-family: fonte-pedro;">  <strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>“Essa galera não entende nadinha de economia”. A professora começa a explicar sobre os resultados… mas tenho uma dúvida importante:<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro;">  <strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>— Prof., dá pra comprar o que com bilhões?<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro;">  <strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>— Dá pra comprar um montão de coisas – Tia Carlinha responde enquanto a sala faz: “uau”. <br /></span><span style="font-family: fonte-pedro;">  <strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>Tia Carlinha até que está tá bem calma pra quem pode ir embora a qualquer momento. A prof. fica curiosa: “porque?”<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro;">  <strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>— Por nada não – respondo. <br /></span><span style="font-family: fonte-pedro;">  <strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>Imagino quanta coisa dá pra comprar com 50 centavos: tipo todos os videogames do mundo, todas as fitas de todos os videogames do mundo, cachorros-quentes, cachorros de todas as raças e ainda coloco tudo isso dentro de um avião de chocolate… <br /></span><span style="font-family: fonte-pedro;">  <strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>Desperto do meu sonho-acordado com uma ideia: aquela moeda será minha!<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro;">   <strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>Passo o recreio longe dos meus amigos e pertinho do sonho pensando e desenhando planos infalíveis: ser mordido por uma aranha, virar o Homem-Aranha e descer por uma teia na sala; virar o Batman e na calada da noite roubar usando alguma coisa do cinto de utilidades; adestrar formigas pra carregar a moeda pra mim. Até que depois de desenhos, até onde não dá pra contar mais de um tempão fritando a cabeça, cheguei a um plano mirabolante. <br /></span><span style="font-family: fonte-pedro;">  <strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>Depois das últimas aulas, finjo uma espreguiçada, esbarro na moeda e, antes dela cair no chão, pego ela. Agora vem o próximo passo: sair correndo<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro;">  Coloco minha preciosa no bolso e…<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro;">  <strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>— E ai Pedrinho! – ouço uma voz feminina<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro;">  <strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>— AAAAAAAAA! – grito, antes de olhar pro lado e ver a Tia Jôse, a inspetora da escola.<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro;">  <strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>— Tá tudo bem, garoto?! Você tá tremendo, apertando a mão, segurando riso, parece que tá com…<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro;">  <strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>— Tô bem, tô bem…<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro;">  <strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>— “dorzinha de barriga” – Jôse sussurra<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro;">  <strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>— Isso, caga – olho para o lado e falo triste – é, tô com caganeira<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro;">  <strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>Vou pro banheiro e tenho que fazer sons de &#8220;fazendo cocô&#8221;: &#8220;uuuuuf&#8221;,&#8221;arhhh&#8221; pra despistar. Entre um e outro, abro a mão, olho a moeda. Está lá perfeitinha, mas também percebo que ela vale bilhões de reais e pode mudar o destino da prof.<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro;">  <strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>“Como você tem poder!”, digo para a moeda e juro, juradinho que ela responde: “se amanhã não tiver lá na parede, a escola toda vai achar que a Tia Carlinha não sabe dar aula e vão mandar ela embora&#8221;. Fico arrependido “o que eu fiz?! Preciso te colocar de volta”.<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro;">  <strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>Abro a porta do banheiro devagarinho, ótimo, não tem ninguém no corredor. Ando até a porta da sala e… trancada. Maldita Tia Jôse. “Pensa rápido, Pedro. Primeiro preciso sair daqui antes que mais alguém me veja”<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro;">  <strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>Enquanto ando pela escola, cruzo a cantina e vejo um presente de Deus: uma fila cheia de alunos. “O Tio da cantina não deve decorar quem é quem, serei só mais um e minha moeda também”. Entro na fila e espero minha vez.<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro;">  <strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>“Acho que o menino na minha frente tá com caganeira, tá tremendo todo” – ouço alguém atrás de mim.<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro;">  <strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>Os murmurinhos se espalham e algumas pessoas até deixam a fila, então minha chega mais rápido.<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro;">   <strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>— O que você vai querer garoto? – o Tio da cantina fala por cima do balcão.<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro;">  <strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>— A cantina inteira!<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro;">  <strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>— O que?<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro;">  <strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>— A cantina inteira! – estico meu braço pra alcançar o balcão e arrasto a moeda por baixo da palma da mão.<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro;">  <strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>O Tio da cantina vê a moeda e no lugar de manter segredo começa a rir. Fico cheio de medo e corro dali. Enquanto vou pra longe ouço alguém:<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro;"> <strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>— Olha aí tava mesmo com caganeira, tá correndo pro banheiro.<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro;">  <strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>“Eu ainda preciso me livrar da moeda e está quase na hora da mamãe me buscar. Dar pro Tio da pipoca? Humm…não…ele é amigo das pessoas, vai me denunciar…jogar ela por aí, vai que alguém acha essa fortuna, vai que a moeda debuxa a história dela. É isso JO-GAR!” <br /></span><span style="font-family: fonte-pedro;">  <strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>“Hoje é dia de ir na locadora de fitas perto de casa e aí posso pegar a coisa mais preciosa, gostosa e cara que conheço: o chocolate ao leite da Turma da Mônica.” Tia Paula nunca vai desconfiar porque eu sempre vou lá com mamãe. E Tia Paula sempre fala sozinha, falar com uma moeda vai ser bom pra ela”<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro;">  <strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>Procuro um relógio digital porque não sei ver as horas nos ponteiros, e percebo que são 11:45, e mamãe me busca ao meio dia. Vou até onde ela sempre me busca torcendo pra essas 3 horas passarem logo. E não é que rapidinho ela chega! Chegou tão rápido que parece que só fiquei 15 minutos esperando.<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro;">  <strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>Cheguei na locadora com água na boca, um sorriso no rosto e a mão tremendo. Depois de dizer que não estava com caganeira pra Tia Paula, pedi o chocolate da Turma da Mônica e…”hummm”.. cada mordida é pedaço do céu.  Nada me abala nesses 2 segundos que enfio tudo na boca.<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro;">  No dia seguinte, chego na escola com os cochichos: “quem pegou?” “onde será que foi?” e ninguém acha de jeito nenhum e ninguém sabe. Chego a dizer &#8220;deve ter sido a Tia da limpeza que sem querer derrubou…” mas já confirmaram com ela. Até que Tia Carlinha chama todos e diz “vocês duvidaram tanto de mim que resolvi fazer ela desaparecer e agora vou reaparecer”. Dessa vez alguém diz: “nem o Goku conseguiria”.<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro;">  <strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>Até que Tia Carlinha chama a Rá, estica o braço e tira uma moeda de 50 centavos de trás do ouvido da aluna. Todos, inclusive eu, ficam de boca aberta. Também fico tranquilo porque sei que ninguém vai mandar embora uma verdadeira feiticeira dessa.<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro;">  <strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>No fim dá certo, exceto por uma coisa: além do apelido na escola, estou com caganeira de verdade. E tudo por conta de um chocolate vencido. </span></span></p>
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