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	<title>Arquivos shopping - Pedro Assun</title>
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	<description>Redator - Roteirista - Escritor</description>
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	<title>Arquivos shopping - Pedro Assun</title>
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		<title>O gringo</title>
		<link>https://pedroassun.com.br/cronica/o-gringo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pedro Assun]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Apr 2026 16:34:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[shopping]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uma história perdida                 É o ano de 2007, estou com 16 anos, os hormônios em alta e as notas de matemática em baixa. Por isso, por livre espontânea pressão da minha mãe, tenho aulas particulares às segundas com a Dona Maria Otília, uma professora velha e gordinha indicada por uma amiga da escola.  ...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 35px;"><strong>Uma história perdida</strong></span></p>
<p><span id="more-4993"></span></p>





<p> <span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">               É o ano de 2007, estou com 16 anos, os hormônios em alta e as notas de matemática em baixa. Por isso, por livre espontânea pressão da minha mãe, tenho aulas particulares às segundas com a Dona Maria Otília, uma professora velha e gordinha indicada por uma amiga da escola.<br /></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">                Sempre depois da aula, vou ao shopping ao lado, porque ou meus pais vão me buscar lá, ou vou encontrar a minha namorada, Gabi, que mora pertinho. E de tantas vezes que esperei no ponto de encontro: o balcão de informações, acabei ficando amigo da atendente, a Bruna. Tanto que até a tinha no Facebook – que na época pertencia aos jovens.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">                Nesse fim de tarde, após uma aula cansativa, Gabi me avisa que vai demorar, já que vai tomar banho. Então, gasto meu tempo conversando com a Bruna:</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">                — Por que diabos as escadas rolantes são tão distantes uma das outras? – pergunto curioso.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">                — É pra você andar mais pelo shopping e comprar mais.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">                — Ah, por isso que ficam trocando as que sobem e descem o tempo todo?</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">                — Exatame…<br /></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">                De repente, surge um homem meio alto, meio magro, com roupas meio comuns e usando uma papete com meia. Ele nos interrompe, perguntando em portunhol:</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">                — Dónde fica loteria?</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">                — Senhor, você sai do shopping, vira à esquerda e à direita. – Bruna responde prontamente.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">                O gringo olha com uma cara de perdido. Ela repete outras 2 vezes, mas nada do homem entender. Pergunto se ele fala inglês, ele responde positivamente e como tenho tempo a perder, resolvo levá-lo à lotérica.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">                Durante o caminho, ele me conta resumidamente sua história: seu nome é David, mora nos EUA, mas namora uma venezuelana chamada Danna que ele conheceu durante uma viagem à Bariloche, na Argentina. Acontece que os dois tinham combinado de se encontrar no Brasil, na casa de uma amiga dela, para se prepararem para um mochilão pela América do Sul. Porém, como não tinha conseguido falar com Danna pelo celular americano, ele queria ir numa lotérica, arranjar um cartão telefônico para ligar de um orelhão &#8211; lembra que estamos em 2007.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">                Continuamos conversando até chegar à fila da lotérica e David me diz uma frase em português que aprendeu por aí:</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">                — Me dá cerveja, filho da puta!</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">                Rio alto e não demoro para ensinar uma nova palavrinha que ele repete num instante:</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">                — Porra! – todos olham enquanto ele berra sorridente.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">                No caixa, a atendente fala que ali não vende cartão telefônico e que também não sabia onde achar. Seguimos de volta para o shopping e perguntamos à Bruna. Ela nos indica uma banca bem perto da saída. Vamos até lá e, finalmente, David consegue o cartão e liga para sua namorada.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">                 — Ela está na Rua Maranhão, 382 – ele me diz.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">                Mesmo com meu senso de direção péssimo, perguntamos daqui e ali e conseguimos achar o prédio. David toca o interfone. Esperamos um pouco até ver uma mulher de cabelo liso, saia colorida e sorridente vindo ao seu abraço. Discretamente, eu me afasto dos dois, os deixando naquele momento amoroso e sigo em direção ao shopping. No caminho, penso no acaso que juntou, no mesmo dia, um americano perdido e um adolescente ruim de matemática. Engraçado como, às vezes, a vida parece mais organizada que as escadas rolantes do shopping. </span></p>
<p> </p>
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