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	<title>Arquivos violão - Pedro Assun</title>
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	<description>Redator - Roteirista - Escritor</description>
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		<title>O cara do violão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pedro Assun]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Jan 2021 17:07:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Luau]]></category>
		<category><![CDATA[violão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Esta crônica pode salvar a sua vida e os seus ouvidos. Nunca dá pra saber ao certo onde nascem as lendas urbanas &#8211; ou praiana neste caso &#8211; mesmo que seja uma tão moderna quanto essa, mas dizem por aí que O Cara do Violão surgiu num churrasco de amigos ou num luau na praia, ...</p>
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<p class="has-medium-font-size"><span style="font-size: 32px; font-family: fonte-pedro;">Esta crônica pode salvar a sua vida e os seus ouvidos.</span></p>
</div>



<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: fonte-pedro;"><span style="font-size: 30px;"><span id="more-2460"></span>Nunca dá pra saber ao certo onde nascem as lendas urbanas &#8211; ou praiana neste caso &#8211; mesmo que seja uma tão moderna quanto essa, mas dizem por aí que O Cara do Violão surgiu num churrasco de amigos ou num luau na praia, já que esses são os lugares onde ele mais aparece. </span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">Por sinal, foi num luau em que o vi pela primeira vez e como a maioria das histórias de terror, essa acontece em uma viagem. Eu tinha lá meus 15 anos e fui pra Paraty com a escola em uma viagem de formatura, então o clima era o melhor possível: muitas piadas, brincadeiras e passeios com uma galera que, depois de um tempo, jamais veria novamente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">Depois de alguns dias felizes, separaram uma noite para reunir todos os alunos na praia &#8211; um meio esperto de não deixar um bando de adolescentes soltos e sozinhos pela cidade. Mas também muito ingênuo, já que colocaram o professor de ética para organizar o esquema de vigia, e convenhamos, Sócrates não tem chances contra hormônios de 15 anos. Bastaram 2 mentirinhas, para eu acabar passeando na areia com minha paixonite &#8211; jovens, desculpe a palavra gente, mas eu tenho 30 anos. Uma conversa boa, mãos dadas e beijos alegraram a noite. E se soubesse, meu amigo, teria ficado naquele paraíso adolescente pelo resto do tempo, porque quando voltei, tudo estava diferente. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">Ao invés de pequenos grupos separados, havia uma grande roda onde não existiam fofocas e nem pegação, apenas alunos sentados, balançando de um lado para o outro, tentando acertar o ritmo &#8211; algo definitivamente errado com aqueles adolescentes. Enquanto a mente amenizava o choque e buscava uma reação do corpo, senti minhas mãos sendo puxadas, dei um passo para trás, mas bastou o sorriso animado da recém paixão adolescente, para que eu fosse arrastado para a roda.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">Ali, a energia era muito mais forte, quando sentei, senti minha visão ficando turva, meus pensamentos distantes, e antes da consciência ser completamente tomada por letras do Legião Urbana e Reggaes nacionais, consegui perceber a figura emblemática do Cara do Violão; no começo da roda, sem camisa, com chapéu na cabeça, pés na areia, joelhos dobrados e o violão no colo, dando o ritmo do culto.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">Não sei quanto tempo passou até que a espuma gelada de uma onda tocasse minhas mãos, me acordando. Só sei que quando me dei conta, meus ouvidos sangravam e eu murmurava &#8220;Valeu a pena, ê ê… pescador de ilusões… &#8220;, olhei minha companhia que, com os mesmos lábios que beijei, já cantava em alto e bom som. Não havia mais nada a fazer, eu a tinha perdido. Com as pernas dormentes, arrastei meu corpo pela areia &#8211; com minha pouca altura passei despercebido &#8211; e quando estava longe, escutei uma frase que até hoje me assombra:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">         — Agora só vocês, hein?! &#8211; o Chato do Violão deu seu golpe final na plateia.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">Acredite, é difícil relembrar e relatar essa chacina musical, mas é o dever de um sobrevivente contar como se manteve vivo depois de tantos encontros com o Assassino das 6 cordas.  </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">Primeiro de tudo, você precisa saber diferenciar: não é pra fugir de todas as pessoas que tocam esse instrumento, que desde a Grécia antiga, quando surgiu, nos apresentou muitos violonistas e violeiros fabulosos, que carregam sua alma nos acordes e tocam nosso âmago. Toquinho e Zé Ramalho são ótimos exemplos. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">O Cara do Violão é um cantor de churrascaria sem o seu palco, que busca todo tipo de evento social &#8211; usando suas palavras &#8211; &#8220;mais intimista&#8221;, para fazer seu show particular de músicas genéricas, e apesar de ser metamorfo &#8211; já vi ele assumir a forma de homens e mulheres de diversas cores, profissões, idades&#8230; &#8211; sua aproximação é sempre a mesma: </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">Quando está na praia, a casa desse Maníaco dos Luaus, a abordagem é rápida, já leva o violão &#8220;para trazer aquele climinha&#8221; e começa a tocar sem ninguém pedir, usando a inconveniência como primeiro acorde. E não adianta lutar, uma música que você gosta será executada depois de um &#8221; lembrei de uma aqui&#8230;&#8221;. Minha sugestão: invente uma vibe natureza, introspectiva e saia andando pela praia, sem olhar para trás &#8211; acredite que vai doer deixar seu amigos para a morte, mas você precisa ser forte. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">Agora, quando está em desvantagem, em um aniversário, por exemplo, ele faz amizade com todos e durante as conversas deixa escapar, sorrateiramente, um &#8220;já ouviu a versão acústica desse som?&#8221;, ou &#8220;bem que podia rolar um Charlie Brown&#8221;, &#8220;um pôr do sol na praia era tudo que eu queria&#8221;. E então, ele espera o tempo que for até:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">Tá faltando uma musiquinha mais tranquila&#8230; &#8211; uma das futuras vítimas fala sem perceber que o Serial Killer de Clima já invadiu sua mente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">Quando você ouvir essa frase, saiba que é a hora de agradecer pela festa até o momento, inventar uma desculpa, pensar em quem merece ser salvo e se despedir dos outros. Não leve muita gente e seja discreto, é provável que te chamem de chato do rolê &#8211; o demônio é ardiloso e vai querer inverter a situação com um &#8220;ah, você já vai? Fica mais um pouquinho&#8221;. Não caia nessa e isso salvará sua vida, porque quando você menos esperar, ouvirá:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">         — Por acaso tenho um violão no carro…</span></p>
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