<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Pedro Assun, Autor em Pedro Assun</title>
	<atom:link href="https://pedroassun.com.br/author/admin-pedroassun/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://pedroassun.com.br/author/admin-pedroassun/</link>
	<description>Redator - Roteirista - Escritor</description>
	<lastBuildDate>Tue, 14 Apr 2026 16:44:20 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.5</generator>

<image>
	<url>https://pedroassun.com.br/wp-content/uploads/2024/02/cropped-icone-32x32.jpg</url>
	<title>Pedro Assun, Autor em Pedro Assun</title>
	<link>https://pedroassun.com.br/author/admin-pedroassun/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>O gringo</title>
		<link>https://pedroassun.com.br/cronica/o-gringo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pedro Assun]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Apr 2026 16:34:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[shopping]]></category>
		<category><![CDATA[gringro]]></category>
		<category><![CDATA[estrangeiro]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://pedroassun.com.br/?p=4993</guid>

					<description><![CDATA[<p>Uma história perdida                 É o ano de 2007, estou com 16 anos, os hormônios em alta e as notas de matemática em baixa. Por isso, por livre espontânea pressão da minha mãe, tenho aulas particulares às segundas com a Dona Maria Otília, uma professora velha e gordinha indicada por uma amiga da escola.  ...</p>
<p>O post <a href="https://pedroassun.com.br/cronica/o-gringo/">O gringo</a> apareceu primeiro em <a href="https://pedroassun.com.br">Pedro Assun</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 35px;"><strong>Uma história perdida</strong></span></p>
<p><span id="more-4993"></span></p>





<p> <span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">               É o ano de 2007, estou com 16 anos, os hormônios em alta e as notas de matemática em baixa. Por isso, por livre espontânea pressão da minha mãe, tenho aulas particulares às segundas com a Dona Maria Otília, uma professora velha e gordinha indicada por uma amiga da escola.<br /></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">                Sempre depois da aula, vou ao shopping ao lado, porque ou meus pais vão me buscar lá, ou vou encontrar a minha namorada, Gabi, que mora pertinho. E de tantas vezes que esperei no ponto de encontro: o balcão de informações, acabei ficando amigo da atendente, a Bruna. Tanto que até a tinha no Facebook – que na época pertencia aos jovens.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">                Nesse fim de tarde, após uma aula cansativa, Gabi me avisa que vai demorar, já que vai tomar banho. Então, gasto meu tempo conversando com a Bruna:</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">                — Por que diabos as escadas rolantes são tão distantes uma das outras? – pergunto curioso.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">                — É pra você andar mais pelo shopping e comprar mais.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">                — Ah, por isso que ficam trocando as que sobem e descem o tempo todo?</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">                — Exatame…<br /></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">                De repente, surge um homem meio alto, meio magro, com roupas meio comuns e usando uma papete com meia. Ele nos interrompe, perguntando em portunhol:</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">                — Dónde fica loteria?</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">                — Senhor, você sai do shopping, vira à esquerda e à direita. – Bruna responde prontamente.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">                O gringo olha com uma cara de perdido. Ela repete outras 2 vezes, mas nada do homem entender. Pergunto se ele fala inglês, ele responde positivamente e como tenho tempo a perder, resolvo levá-lo à lotérica.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">                Durante o caminho, ele me conta resumidamente sua história: seu nome é David, mora nos EUA, mas namora uma venezuelana chamada Danna que ele conheceu durante uma viagem à Bariloche, na Argentina. Acontece que os dois tinham combinado de se encontrar no Brasil, na casa de uma amiga dela, para se prepararem para um mochilão pela América do Sul. Porém, como não tinha conseguido falar com Danna pelo celular americano, ele queria ir numa lotérica, arranjar um cartão telefônico para ligar de um orelhão &#8211; lembra que estamos em 2007.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">                Continuamos conversando até chegar à fila da lotérica e David me diz uma frase em português que aprendeu por aí:</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">                — Me dá cerveja, filho da puta!</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">                Rio alto e não demoro para ensinar uma nova palavrinha que ele repete num instante:</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">                — Porra! – todos olham enquanto ele berra sorridente.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">                No caixa, a atendente fala que ali não vende cartão telefônico e que também não sabia onde achar. Seguimos de volta para o shopping e perguntamos à Bruna. Ela nos indica uma banca bem perto da saída. Vamos até lá e, finalmente, David consegue o cartão e liga para sua namorada.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">                 — Ela está na Rua Maranhão, 382 – ele me diz.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">                Mesmo com meu senso de direção péssimo, perguntamos daqui e ali e conseguimos achar o prédio. David toca o interfone. Esperamos um pouco até ver uma mulher de cabelo liso, saia colorida e sorridente vindo ao seu abraço. Discretamente, eu me afasto dos dois, os deixando naquele momento amoroso e sigo em direção ao shopping. No caminho, penso no acaso que juntou, no mesmo dia, um americano perdido e um adolescente ruim de matemática. Engraçado como, às vezes, a vida parece mais organizada que as escadas rolantes do shopping. </span></p>
<p> </p>
<p>O post <a href="https://pedroassun.com.br/cronica/o-gringo/">O gringo</a> apareceu primeiro em <a href="https://pedroassun.com.br">Pedro Assun</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Destino: Londres</title>
		<link>https://pedroassun.com.br/cronica/destino-londres/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pedro Assun]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Mar 2026 11:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[ansiedade]]></category>
		<category><![CDATA[londres]]></category>
		<category><![CDATA[aviao]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://pedroassun.com.br/?p=4986</guid>

					<description><![CDATA[<p>12 mil metros de ansiedade           Aeroporto. Estou realizando o sonho de ir para Londres, lugar que sempre namorei à distância, para fazer um intercâmbio de 3 meses. Eu me despeço dos meus pais e, depois do último abraço, minha mãe me pergunta pela 5ª vez:          — ...</p>
<p>O post <a href="https://pedroassun.com.br/cronica/destino-londres/">Destino: Londres</a> apareceu primeiro em <a href="https://pedroassun.com.br">Pedro Assun</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 35px;"><strong>12 mil metros de ansiedade</strong></span></p>
<p><span id="more-4986"></span></p>



<p><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>Aeroporto. Estou realizando o sonho de ir para Londres, lugar que sempre namorei à distância, para fazer um intercâmbio de 3 meses. Eu me despeço dos meus pais e, depois do último abraço, minha mãe me pergunta pela 5ª vez:</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>— Tudo certo? </span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>— Tudo certo, mãe. Pode confiar.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>— Mas tem certeza?</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>— Tenho. Não tem como dar errado.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>— Ah, não esquece isso – e me dá meu passaporte italiano.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">Após esperar um tempo e conferir umas 10 vezes se eu estou no lugar certo, finalmente chamam o voo no meu portão.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">Entro no avião e, para ir treinando o inglês, encho o peito e digo em alto em bom som “good night” para a tripulação, que responde “boa noite” revirando os olhos. Os passageiros se acomodam em suas cadeiras. Na minha fileira, fico na janela, no meio um inglês e no corredor uma japonesa cuja família está na fileira ao lado. Às 22 horas, o piloto manda todos desligarem os celulares e a tripulação iniciar o ritual de decolagem, no mesmo instante inicio o meu: me agarrar à poltrona.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>Quando o avião atinge a famosa altitude de cruzeiro, as aeromoças servem o jantar tranquilamente, em seguida, apagam as luzes para os passageiros dormirem. Eu me distraio com um filme até que um pequeno pensamento, uma mínima fagulha de ideia, cruza minha mente. Sem prestar muita atenção, resolvo segui-la e confiro novamente as coisas na minha mala de mão: óculos de sol, ok; livro, ok; remédios, ok; caderninho, aqui; estojo, aqui também.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>— Ué?! Cadê os documentos da escola e da estadia? – me pergunto enquanto rio de nervoso a 12 mil metros de altura e sem comunicação com o mundo exterior.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>O coração acelera, confiro tudo de novo e nada. Confiro uma 2ª vez e nada. 3ª vez e nada. Um suor percorre meu rosto e outro desce pelas minhas costas. Minha cabeça vai a mil procurando respostas, então sinto no bolso do casaco uma forma estranha. “O passaporte italiano!” – minha mente e minha boca se sincronizam em surpresa.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>Sim! O passaporte italiano que veio com a cidadania; a mesma cidadania cujo advogado que estava fazendo os trâmites teve um infarto e morreu; o mesmo advogado que deixou tudo organizado para sua assistente, Dra. Juliana, que, muito competente, seguiu o processo com louvor. A única coisa que poderia salvar meu destino da deportação era esse passaporte italiano. </span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>A questão é que eu não tinha a certeza se poderia entrar na Inglaterra com ele, mas uma pessoa sim: o inglês que dorme profundamente ao meu lado. E eu tinha exatamente 9 horas para acordá-lo e falar com ele antes que o voo descesse.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>No começo, fico mexendo na minha mala fazendo barulho, batuco na mesa de refeição – bem desengonçado – até que acordo a japonesa que, de longe, me dá um tapinha na cabeça e faz um sinal de silêncio. Disfarço por um tempo e parto para táticas mais discretas passando a dar no inglês uma ou outra cutucada “sem querer”. Como não resolve, é a vez de pequenas cotoveladas que também não funcionam. </span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>Sem mais ideias e ainda com a mente acelerada, penso no que houve com os documentos e me lembro que havia 2 envelopes iguaizinhos – um com as passagens e outro com os comprovantes da moradia e da escola. Penso que devo ter pego um deles, achando que tinha pego os dois. E, provavelmente, o envelope que sobrou está em cima da minha bancada em casa.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>O relógio avisa 2 da manhã e acabo dormindo sem perceber. Um longo sono, mas picotado, pois vira e mexe acordo acreditando que o inglês está no fuso horário de Londres e deve estar acordado, o que não acontece. </span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">Já foi metade do voo, ou seja, faltam 5 horas para o desembarque. Fico de pé para ir ao banheiro, peço licença, a japonesa percebe e dá um chacoalhão forte no inglês que, finalmente, acorda meio desnorteado. Os dois se levantam para eu poder sair. Como estou apertado, deixo para perguntar na volta, afinal eles vão ter que levantar de novo. Nem dito, nem feito, quando retorno, o inglês não está lá. Foi ao banheiro também. Decido esperar, só que caio no sono novamente. </span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>Acordo de repente num susto com o sol nascendo, as luzes do avião acesas e as aeromoças servindo o café da manhã. Olho para o lado e uma lágrima escorre no meu rosto: o inglês está acordado. Sem perder tempo, cutuco ele e explico minha situação. Ele segura o riso e me diz: “acho que não tem problema. Deve dar pra entrar sim.” Fico relaxado, mas só por alguns minutos até uma turbulência atingir o avião. Eu seguro firme na poltrona e sinto um cutucão. É o inglês que me explica que também tem medo de voar e mostra um remédio para dormir que ele toma. Ao que respondo: “jura, nem percebi.” </span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>O avião pousa em Londres. Hora de encarar a imigração. Segurando forte o passaporte italiano, sigo a placa de “cidadãos europeus” até uma fileira de catracas. Fico parado em frente a uma delas sem saber o que fazer e observo pessoas colocando seus passaportes na leitora da catraca. Engulo seco e faço o mesmo com o meu. “Pih!”. A catraca faz um barulho, fica verde e se abre como São Pedro abrindo as portas do céu.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>Mais tarde e mais tranquilo, pego o Wi-Fi do aeroporto para avisar que cheguei e de repente, recebo dezenas de mensagens da minha mãe com as fotos de todos os documentos. Ela pergunta se está tudo certo, respondo que sim e ela retruca:</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>— Mas tem certeza?</span><br /><br /></p>


<p>O post <a href="https://pedroassun.com.br/cronica/destino-londres/">Destino: Londres</a> apareceu primeiro em <a href="https://pedroassun.com.br">Pedro Assun</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Prova de amor</title>
		<link>https://pedroassun.com.br/cronica/prova-de-amor/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pedro Assun]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Mar 2026 11:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[casamento]]></category>
		<category><![CDATA[prova]]></category>
		<category><![CDATA[amigos]]></category>
		<category><![CDATA[amizade]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://pedroassun.com.br/?p=4979</guid>

					<description><![CDATA[<p>A união entre um teste e um casamento.           Durante minha vida toda, estudei na mesma escola. Um colégio jesuíta, que apesar de ser religioso, não era só para meninos – ainda bem – como os de antigamente. Outro ponto é que ele era enorme. Para você ter uma noção, tinha ...</p>
<p>O post <a href="https://pedroassun.com.br/cronica/prova-de-amor/">Prova de amor</a> apareceu primeiro em <a href="https://pedroassun.com.br">Pedro Assun</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>A união entre um teste e um casamento.</strong></span></p>
<p><span id="more-4979"></span></p>





<p><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>Durante minha vida toda, estudei na mesma escola. Um colégio jesuíta, que apesar de ser religioso, não era só para meninos – ainda bem – como os de antigamente. Outro ponto é que ele era enorme. Para você ter uma noção, tinha inúmeras quadras poliesportivas, piscinas, 2 prédios, um andar só de dormitório dos padres e, claro, uma igreja ao lado. </span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>A vida seguia tranquila, até chegar na 8ª série, quando começaram a falar de carreira e surgiram os “testões”. Simulados do vestibular que compunham a nota de todas as matérias e aconteciam a cada 2 meses. E para melhorar, sempre aos sábados.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">Faltando 2 dias para a próxima prova, ao invés de revisar o conteúdo, bolo planos que me ajudariam com minha maior inimiga: a matemática. Chego em uma ideia. No dia seguinte, me aproximo do meu amigo Rafa, considerado o aluno mais esperto da série e único que toparia me ajudar, e explico:</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          — </strong>O segredo está na borracha: cada posição dela na mesa significa uma das alternativas – conforme falo, vou apontando – no canto superior é A, inferior B, meio C… </span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">Ele pergunta: </span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          — </strong>Tá certo, mas como você vai saber em qual questão estou? </span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">Coloco a mão no queixo e enquanto meus olhos procuram um foco, acabo vendo um outro aluno comendo salgadinho. </span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          — </strong>Já sei! Você não leva lanche pra prova?</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          — </strong>Levo. Uma barrinha de cereal.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>Combinados então que o número da mordida corresponderia ao número da questão.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>Chega a hora da prova, consigo sentar na diagonal traseira do Rafa, lugar perfeito para vê-lo sem dar bandeira. A primeira matéria é Geografia. Vou respondendo pergunta por pergunta, sempre com um olho na prova e outro no meu amigo. Afinal, se tem uma coisa que a gente não combinou é o momento que ele sentiria fome.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>Pulo a próxima que é Matemática. As horas passam junto à História, Português e Física. Quando estou em Química, ele pega na barrinha, mas apenas a ajeitá-la na mesa, nada de mordida. “Meu Deus, que ordem que ele tá fazendo?” penso. Passo para Biologia. Finalmente, Rafa abre a barrinha e dá a 1ª mordida, eu vou para Matemática e como um espião da Segunda Guerra, ele vai me passando código por código: 1<strong>ª </strong>pergunta resposta B, 2<strong>ª </strong>C, 3ª B… até que terminamos. Volto pra Biologia e, depois de um tempo, termino o testão. </span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>Na saída da prova, batemos as respostas com outros amigos e concluímos que acertamos 80% de Matemática! Na verdade, o Rafa acerta 100%, eu que errei um ou outro código. Ainda assim, tem outras matérias para eu ir bem, e, por isso, vou à igreja do colégio pedir uma nota divina.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">Entro pelas imensas portas e noto um clima diferente. Uma iluminação à meia luz formada por grossas velas, arcos de flores espalhados na ponta dos bancos onde estão sentadas pessoas de social e um tapete vermelho que percorre o centro e leva a um casal no altar. A princípio, acredito que é renovação de votos, porém ao ver o homem de terno e a mulher de vestido branco, vem a certeza de ser um casamento. </span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>Eu me posiciono perto dos convidados para assistir a cerimônia que, infelizmente, já estava no final, então só dá para acompanhar o beijo de encerramento. Todos ovacionam de pé enquanto o agora casal se encaminha para a saída da igreja. Entre acenos e sorrisos, a esposa para por um instante e fixa o olhar no participante inusitado: um menino de uniforme, no último banco, que também a aplaude enlouquecidamente. Ela deixa escapar uma cara que mistura estranheza e curiosidade, mas segue o baile &#8211; ou melhor, o casamento.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>No fim das contas, sai de lá sem reza nem nota boa. Em compensação, fui ao meu 1° casamento e ainda saí com um presente abençoado, já que peguei uma das flores da decoração e levei para minha mãe.</span></p>
<p> </p>
<p>O post <a href="https://pedroassun.com.br/cronica/prova-de-amor/">Prova de amor</a> apareceu primeiro em <a href="https://pedroassun.com.br">Pedro Assun</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Assalto n°1</title>
		<link>https://pedroassun.com.br/cronica/assalto-n1/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pedro Assun]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Mar 2026 11:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[copadomundo]]></category>
		<category><![CDATA[assalto]]></category>
		<category><![CDATA[amigos]]></category>
		<category><![CDATA[amizade]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://pedroassun.com.br/?p=4962</guid>

					<description><![CDATA[<p>Roubar não vale nada.           Um dos personagens que entrou por acaso na minha vida foi o Zezão. Ele é filho dos anos 80 e era parte da turma mais velha da rua, que cresceu e foi cada um para um canto. Sozinho e abandonado, acabou fazendo amizade com os irmãos ...</p>
<p>O post <a href="https://pedroassun.com.br/cronica/assalto-n1/">Assalto n°1</a> apareceu primeiro em <a href="https://pedroassun.com.br">Pedro Assun</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 35px;"><b>Roubar não vale nada.</b></span></p>
<p><span id="more-4962"></span></p>





<p><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>          </strong>Um dos personagens que entrou por acaso na minha vida foi o Zezão. Ele é filho dos anos 80 e era parte da turma mais velha da rua, que cresceu e foi cada um para um canto. Sozinho e abandonado, acabou fazendo <a href="https://pedroassun.com.br/cronica/cronica-saideira/">amizade</a> com os irmãos mais novos da turma mais velha, ou seja, eu e meus amigos.<br /></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>2006, Zezão, medindo 1,78 m, está no auge da sua vida com seu físico trincado e a moda “Velozes e Furiosos 1” – estilo que ele nunca abandonou – em alta. Ele anda por aí desfilando seus Nike Shox e com músculos e mamilos à mostra, graças à sua regata fininha.<br /></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>Se você bem se lembra, esse também é ano de Copa do Mundo – a da Alemanha –, única época que, de alguma forma, me envolvo com futebol, tanto que compro o famoso “álbum de figurinhas da Copa”.</span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>       <br />           </strong>Nesse dia, depois de passarmos horas ajudando a mãe dele na arrumação de suas <a href="https://pedroassun.com.br/cronica/amizades-e-formaturas/">festas</a> chiques, eu e Zezão seguimos para minha casa, pois, mais tarde, iríamos encontrar o resto da turma. No caminho, paramos numa banca de jornal para comprar alguns pacotinhos. Eles não custam muito, então uso meu dinheiro contado para adquirir 4 pacotinhos com 5 figurinhas cada. Não aguento esperar e abro ali mesmo na frente do vendedor. Olho uma por uma, alternando entre a decepção das repetidas e o entusiasmo das inéditas. Coloco todas no bolso do shorts e continuamos para o metrô.<br /></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>Desembarcamos na estação mais próxima da minha casa por volta das 11 da noite. Não ficava longe, mas, por causa do horário, viro para o Zezão e digo:<br /><strong>           </strong>— Vou ligar pra minha mãe buscar a gente (de carro).<br /></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>— Não precisa. Vamos a pé rapidinho. – Ele responde despreocupado.<br /></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>“Bom, tá bom, com um amigo desse ninguém vai se meter com a gente?!” – penso comigo mesmo.<br /><strong>           </strong>Cruzamos algumas ruas praticamente vazias. Somente um casal de homens com seus cachorros passa por nós. Até que chegamos ao muro que dava na minha casa, um trecho sempre à meia-luz, graças às árvores que filtram a iluminação do poste. Um homem curvado vem na direção contrária; pra gente, mais uma pessoa que passaria direto, mas não: ele se aproxima, pergunta a hora e, antes de respondermos, nos aponta uma arma. Num instante, Zezão corre. Eu e o assaltante ficamos imóveis, desacreditados, observando a cena por alguns segundos. Então o criminoso olha para o lado e me encontra ali, encostado no muro com as mãos levantadas, e faz uma cara de surpresa como quem lembrasse: “Ah, sobrou outro!”. </span><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;">Ele exige meu celular.</span><br /><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;"><strong>           </strong>— Não tenho. – Minto na cara dura.</span><br /><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;"><strong>           </strong>— Passa o dinheiro! – Sua mão e a arma tremem enquanto fala comigo. Um tremor a mais e o gatilho pode ser disparado.<br /><strong>           </strong>Coloco a mão no bolso procurando minha carteira e, sem querer, tiro as figurinhas. Ele as arranca da minha mão, sente que não é dinheiro e joga no chão.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>— Cadê o <a href="https://pedroassun.com.br/cronica/reu-primario/">dinheiro</a>? – Ele está mais ansioso.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>Encontro a carteira no outro bolso, abro-a para tirar as notas, mas, novamente, o assaltante puxa tudo de mim.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>— Pô, pelo menos deixa os documentos.  – Eu falo enquanto ele abre cada compartimento da carteira. </span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>O assaltante não responde, pega algo, descarta o resto e some na escuridão.<br /><strong>           </strong>Respiro aliviado e começo a resgatar minha carteira e as figurinhas do chão, uma a uma, até que percebo uma nota de 1 real entre elas. No mesmo segundo, me vem uma lembrança de que eu só tinha 2 reais na carteira, ou seja, fui roubado sim, mas só me levaram 1 real.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">            Meu próximo passo é encontrar meu “corajoso” amigo. Sigo em direção ao sentido que ele correu e o vejo andando tranquilamente com o casal de homens. Ele se vira, olha pra mim e diz: <br /></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>— Ué?! Por que você não correu também? </span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>É, meus amigos, algumas amizades valem menos que 1 real.</span></p>
<p>O post <a href="https://pedroassun.com.br/cronica/assalto-n1/">Assalto n°1</a> apareceu primeiro em <a href="https://pedroassun.com.br">Pedro Assun</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Aventuras na fazenda</title>
		<link>https://pedroassun.com.br/cronica/aventuras-na-fazenda/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pedro Assun]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Mar 2026 11:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[adolescencia]]></category>
		<category><![CDATA[infancia]]></category>
		<category><![CDATA[amizade]]></category>
		<category><![CDATA[cronica]]></category>
		<category><![CDATA[Fazenda]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://pedroassun.com.br/?p=4936</guid>

					<description><![CDATA[<p>Um dia de bosta. &#160; &#160; &#160; &#160; &#160; &#160;Um dos lugares que eu mais costumava ir durante a infância e adolescência foi a fazenda Regina, que pertencia ao Seu João, avô do Bruno, meu amigão de infância.&#160; &#160; &#160; &#160; &#160; &#160;Como ela ficava longe de São Paulo, não podíamos ir todo fim de ...</p>
<p>O post <a href="https://pedroassun.com.br/cronica/aventuras-na-fazenda/">Aventuras na fazenda</a> apareceu primeiro em <a href="https://pedroassun.com.br">Pedro Assun</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 35px;">Um dia de bosta.<br /></span><span id="more-4936"></span></p>



<p><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;"><strong>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;</strong>Um dos lugares que eu mais costumava ir durante a <a href="https://pedroassun.com.br/cronica/reu-primario/">infância</a> e <a href="https://pedroassun.com.br/cronica/estacionamentro/">adolescência</a> foi a fazenda Regina, que pertencia ao Seu João, avô do Bruno, meu amigão de infância.<br></span><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;"><strong>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;</strong>Como ela ficava longe de São Paulo, não podíamos ir todo fim de semana – embora não faltasse vontade –, pegávamos feriados emendados. A viagem era sempre bem divertida, marcada por muito papo frouxo, piadas e brincadeiras ao som de músicas antigas das fitas do Seu João. Íamos assim durante 6 horas até uma estradinha de terra, momento em que ele nos deixava subir na caçamba da caminhonete para irmos sentindo o ar do campo. Antes de chegarmos à grande porteira da entrada, já podíamos ver os enormes pastos verdes onde cavalos, bois, porcos e búfalos andavam e se alimentavam livremente para depois virar deliciosos bifes – os cavalos se salvavam desse destino.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;"><strong>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;</strong>Lembro que de tão grande que a fazenda era, Seu João sempre carregava um caderninho com anotações de quais animais estavam em qual pasto. Algo que não acontecia com o Joel, o faz-tudo da fazenda, que sabia essa relação de cor. Inclusive, na maioria dos dias, o Seu João botava eu e o Bruno para trabalhar com o Joel e seus 3 cães border collies: Jaiminho, Jorge e Jonas, na manutenção das terras e dos animais.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;"><strong>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;</strong>Em um belo dia desses, Seu João nos chama para dar uma volta pela fazenda. Ele queria ver os animais mais novos, os que estavam crescendo, quem estava pronto para o abate e assim por diante. Vamos eu, Bruno, Seu João, no seu lendário cavalo preto, Joel e outros peões. Em certo momento, nos deparamos com uma árvore centenária, linda, com uma copa verde que ia até o céu e galhos entrelaçados que iam até o chão. Todos começam a rodeá-la para continuar o caminho. Eu não. Como um cavaleiro destemido começo a ir reto. Ouço Seu João falando: “Pedro, não vai por aí não, melhor dar a volta!”. Na hora, penso: “Puff! Venho aqui há vários anos, já ajudei o Joel em todo tipo de coisa. Sei andar de cavalo e passar por baixo de uma simples árvore”. E lá fui eu seguindo sozinho, olhando a paisagem quando… um enorme galho me atinge no peito! O impacto não só me derruba como assusta os cachorros do Joel, que latem fortemente, e faz meu cavalo sair em disparada, com meu pé preso ao estribo. Sou arrastado por alguns metros, levantando grama e terra, até que o Bruno cavalga rapidamente chegando na frente do meu cavalo e consegue acalmá-lo. Eu me levanto com um corte no braço e monto novamente no cavalo. A vergonha está estampada na minha cara e os ouvidos estão cheios de terra e de “a gente avisou” vindo dos mais experientes.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;"><strong>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;</strong>Voltamos para a casa, onde a mulher do Seu João, Dona Majô, faz um curativo em mim e sugere que eu ficasse na casa. Algo que ignorei completamente: “eu tô bem, pronto pra outra” disse. Então eu e o Bruno decidimos ir à casa do Joel, porque além dele, conhecíamos suas 3 filhas: Joelma, de 12, e Jaqueline, de 11, e Jane, de 10. Logo que chamamos as meninas, elas apareceram com uma bola e uma ideia: queimada. Começamos o jogo. Após algum tempo da bola indo de um lado ao outro, muitas esquivas e queimadas só sobramos eu e Jaque no jogo. Ela joga a bola e eu pulo com tudo na lama para escapar. Infelizmente, Jaque só fingiu que ia jogar, e quando eu estou no chão, me acerta com a última e vencedora bolada. Levanto, pela segunda vez naquele dia, com a roupa inteira suja. Até que Jane aponta para minhas costas e diz com seu sotaque interiorano: <br></span><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;"><strong>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;</strong>— O que é isso?<br></span><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;"><strong>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;</strong>— Ué?! É lama, não tá vendo?! &#8211; respondo.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;"><strong>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;</strong>— Eu sei, mas tá estranho.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;"><strong>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;</strong>— Tá com um cheiro estranho na verdade. &#8211; Joelma afirma e todos concordam.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;"><strong>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;</strong>Eu pego um pouco, coloco no dedo, a turma dá uma cheirada, e descobrimos que, o que parecia ser barro impregnado por toda minha roupa, era, na verdade, bosta de cavalo! Logo tiro a camiseta e com a cabeça baixa, subo para a casa para tomar um banho e me trocar. Naquele momento &#8211; finalmente &#8211; resolvo fazer algo sensato e seguir o conselho de Dona Majô: ficar na rede da varanda apenas olhando a paisagem até a hora do jantar para evitar qualquer novo vexame.</span><br><span style="font-size: 30px; font-family: Fonte-Pedro;"><strong>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;</strong>Os dias seguiram trazendo novas aventuras na fazenda Regina, histórias que posso contar mais tarde. Porque, no fim das contas, os dias ruins passam, os tombos cicatrizam, a vergonha diminui — mas o cheiro de bosta de cavalo…esse fica para sempre.</span></p>
<p>&nbsp;</p>




<p>O post <a href="https://pedroassun.com.br/cronica/aventuras-na-fazenda/">Aventuras na fazenda</a> apareceu primeiro em <a href="https://pedroassun.com.br">Pedro Assun</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Akademia</title>
		<link>https://pedroassun.com.br/cronica/akademia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pedro Assun]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Feb 2026 11:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[acadamia]]></category>
		<category><![CDATA[cronica]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://pedroassun.com.br/?p=4893</guid>

					<description><![CDATA[<p>Bora malhar a língua?            Com o incentivo da minha mãe, sempre pratiquei atividades físicas, principalmente artes marciais ⎯ foram anos de judô e kung fu ⎯ e agora, ao lado da minha casa, surgiu uma oportunidade: o boxe, num lugar chamado Akademia. Acontece que a Akademia não é exclusivamente de ...</p>
<p>O post <a href="https://pedroassun.com.br/cronica/akademia/">Akademia</a> apareceu primeiro em <a href="https://pedroassun.com.br">Pedro Assun</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 35px;"><strong>Bora malhar a língua?</strong></span></p>
<p><span id="more-4893"></span></p>



<p><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>Com o incentivo da minha mãe, sempre pratiquei atividades físicas, principalmente artes marciais ⎯ foram anos de judô e kung fu ⎯ e agora, ao lado da minha casa, surgiu uma oportunidade: o boxe, num lugar chamado Akademia. Acontece que a Akademia não é exclusivamente de luta; ela reúne diversos tipos de modalidades, de pessoas e de loucuras<strong>.<br /></strong></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>A começar que ela foi aberta ainda em construção. Isso significa que era bem comum dividir o espaço do treino com pedreiros exercitando o antebraço na pintura, fazendo séries com o balde de massa e sustentando um agachamento para finalizar o rodapé. E para contratar mão de obra mais barata, eles chamaram profissionais de fora de São Paulo. Aí veio a questão: “onde vão dormir?”. Sabe como resolveram isso? Simples: na Akademia mesmo! É isso que você leu. Arranjaram colchões para os pedreiros dormirem na sala de yoga/boxe/funcional/qualquer outra aula. Um dia, um amigo corria na esteira e passou um pedreiro comendo seu café da manhã: um gorduroso pão com mortadela e um cafézinho.<br /></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>Na Akademia tem duas meninas que, de tão diferentes, ninguém jura que são irmãs. A mais nova é a vereadora do lugar, nunca fez aula de nada, mas conhece todo mundo e, consequentemente, está em todas as comemorações. Desde a confraternização da Zumba até a festa de fim de ano dos funcionários. E ninguém sabe com o que ela trabalha, alguns dizem que está desempregada, outros que ela recebeu uma boa herança da avó italiana. Só se sabe que ela passa 3 horas por dia na musculação, no meio da tarde, conversando.<br /></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>A outra irmã é uma advogada bem pomposa. A cada treino está com uma roupa diferente, fora que tem um perfume só para malhar. Fez todas as aulas da Akademia, mas o negócio dela é puxar ferro, entende tudo de creatina, proteína, BCAA, ômega-3 etc. E está sempre competindo com os professores pra ver quem levanta mais peso. Inclusive, ela teve um relacionamento com o de pilates. Foi namoro &#8211; de acordo com ele &#8211; e um rolo &#8211; de acordo com ela.<br /><strong>           </strong>Aliás, é inevitável falar da Akademia sem falar dos professores. O Tiago representa o estereótipo dos instrutores: maromba, usa camisas motivacionais com o tamanho 2 vezes menor que o indicado e, não importa a hora, está sempre prestativo, com uma simpatia sem tamanho. Com as mulheres, claro. O sorriso largo some num instante quando um homem se aproxima. Ainda não sei como não lançaram uma promoção especial: mulheres, inscrevam-se na Akademia e ganhem um personal de graça.<br /><strong>           </strong>O outro professor, o Robson, tem o braço inteiro tatuado com bandas e acho que foi contratado errado, pois ele exerce mais a função de DJ do que outra coisa. Raramente ouve um aluno o chamando, mas basta 1 segundo de uma música que ele não gosta, para correr até o balcão e mudar.<br /><strong>           </strong></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">Apesar de diferentes, os professores da musculação têm algo em comum: esperam até sua 8° repetição pra te dizer que está fazendo errado. Isso quando olham, né?! Hoje, eu vi a Akademia lotada enquanto o Robson e o Tiago &#8211; mais o estagiário &#8211; conversavam com uma velha que caminhava na esteira.<br /><strong>           </strong></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">Também tem a professora de ballet, a Leila. De dia, ela dá aula para crianças; de noite, no boxe, os passos suaves dão lugar a jabs bem dados, a delicadeza com os pequenos vira fúria de Mike Tyson e o que era plié se torna promessa de nocaute. O novo objetivo dela é entrar no ringue e eu tenho pena de quem enfrentá-la.<br /><strong>           </strong></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">Nosso último personagem marcante é o professor de fitdance, o Michael. Ele tem 1,90 m, magrelinho e uma malemolência que ninguém acredita e de dar inveja a muita bailarina de TV. Quando ele chega, é um evento, porque de longe sente-se um perfume forte e uma voz aguda: “Mateuzinhooooo!”, antes dele ir direto dar um abraço superapertado no professor de boxe que nunca consegue fugir. E não tem uma vez que Michael não traga a mesma aluna, cujo nome é Beyoncé, para fazer aula de graça. Ninguém questiona.<br /></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>Bom, agora que vocês conhecem todas as maravilhas de um lugar que custa R$ 29,90 por mês, me deem licença, por favor, que chegou a hora da minha aula na Akademia. Só não sei se vai ter gente na porta, afinal, descobriram que a recepcionista desviou dinheiro pra colocar silicone.</span></p>
<p>O post <a href="https://pedroassun.com.br/cronica/akademia/">Akademia</a> apareceu primeiro em <a href="https://pedroassun.com.br">Pedro Assun</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O botão</title>
		<link>https://pedroassun.com.br/cronica/o-botao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pedro Assun]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Feb 2026 12:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[familia]]></category>
		<category><![CDATA[cronica]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://pedroassun.com.br/?p=4866</guid>

					<description><![CDATA[<p>A curiosidade de uma criança entediada.            Na minha infância, fiz algumas viagens com meus pais e meus irmãos, e uma delas foi pra Fortaleza. Ao contrário de alguns hotéis tediosos em que fiquei em outras aventuras em família, o de Fortaleza era bem legal; com chalés em volta de uma área externa grande que ...</p>
<p>O post <a href="https://pedroassun.com.br/cronica/o-botao/">O botão</a> apareceu primeiro em <a href="https://pedroassun.com.br">Pedro Assun</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p></p>





<p><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 35px;">A curiosidade de uma criança entediada.</span></p>
<p><span id="more-4866"></span></p>



<p><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>Na minha <a href="https://pedroassun.com.br/cronica/reu-primario/">infância</a>, fiz algumas viagens com meus pais e meus irmãos, e uma delas foi pra Fortaleza. Ao contrário de alguns hotéis tediosos em que fiquei em outras aventuras em família, o de Fortaleza era bem legal; com chalés em volta de uma área externa grande que continha muita grama, espaço para correr, brincar e bem no meio, havia um playground imenso de madeira com 2 andares, balanços, escorregador e gangorra. Tudo que uma criança queria. Lá, tive boas aventuras com os <a href="https://pedroassun.com.br/cronica/cronica-saideira/">amigos </a>que fiz – infelizmente, nem sei mais onde estão, nem quem são hoje, mas espero que lembrem com tanto carinho quanto eu daqueles dias.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>A questão é que esse hotel ficava bem longe do resto do mundo. Então tivemos que alugar um carro pra ir à praia, restaurantes e ao mercado. Sabe como são os valores do frigobar de um hotel, né?! Só a água custa o preço de um helicóptero.<br /><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">Pois bem, na primeira ida ao mercado atrás dos melhores preços, fomos só eu e minha mãe. Ao final das compras, enquanto minha mãe passava produto a produto no caixa, eu fiquei à toa e, como toda criança <a href="https://pedroassun.com.br/cronica/diagnostico/">inquieta</a> faria, comecei a olhar em volta à procura de algo para me divertir. Não demorou muito para eu perceber que o caixa ao lado estava totalmente vazio e nele, o paraíso: uma cadeira giratória e um painel cheio de botões. Meus olhos brilharam. Era como se alguém tivesse deixado propositalmente o lugar para mim. Fui devagarzinho para não ser descoberto. Pronto. Sentei. Minhas mãos estavam tremendo de tanta ansiedade. Apertei o primeiro botão, a esteira número 1 se moveu até eu parar de pressionar. Olhei para o lado, ninguém reparou. Apertei o próximo que mexeu uma 2ª esteira. As pessoas não estavam nem aí pra mim. Em seguida, reparei num botão levemente escondido embaixo do balcão. Ele era vermelho e brilhante. O que todo mundo sabe que é um convite para ser apertado.<br /><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">E assim, eu o fiz. De repente, uma campainha alta ecoou por todo o supermercado. Pessoas sorrindo, funcionários aplaudindo e balões caindo do teto. Eu fiquei apenas olhando, assustado e paralisado.<br /><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">— Parabéns! Você é a nossa milionésima cliente! — a caixa disse pra minha mãe, e continuou — agora basta apresentar seu cartão fidelidade e prontinho: você tem direito a fazer compras de graça por um mês!<br /></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>Minha mãe sorriu sem graça, coçou a cabeça e respondeu:<br /></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>— É que eu não tenho o cartão, nem sou daqui. Inclusive, tô indo embora daqui a poucos dias.</span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">O sorriso da caixa murchou junto aos balões e ela explicou para minha mãe que nem adiantava fazer na hora, era só para quem já possuísse o cartão.<br /><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">Saímos do mercado e eu fiquei sem entender como tudo aquilo aconteceu.        “Será que tudo foi feito por mim, como um Deus controlando o destino das pessoas? Ou teria sido só um acaso muito bem coreografado?”<br /><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">Fiquei o resto dos dias com a pulga atrás da orelha. Até que tivemos que voltar ao mercado para uma última compra antes da viagem, ou seja, minha última chance para testar minha teoria.<br /></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>Passei as compras inteiras mais frenético que o normal. E quando fomos pagar, novamente, um dos caixas estava vazio. Minha mãe tinha pego poucos produtos, então eu não tinha muito tempo. Nem cheguei a sentar na cadeira, fui direito para o botão vermelho, respirei fundo e aproximei minha mão calmamente. Pressionei-o por 2 segundos e soltei. Foi o bastante para eu poder ouvir o comecinho do alarme ao fundo, tão rápido que ninguém notou, ninguém aplaudiu e nenhum balão caiu. E assim, pudemos ir embora, tranquilamente, sem alarde, sem promoção, a minha mãe com as compras e eu, com meu segredo.</span></p>
<p>O post <a href="https://pedroassun.com.br/cronica/o-botao/">O botão</a> apareceu primeiro em <a href="https://pedroassun.com.br">Pedro Assun</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Sommelier</title>
		<link>https://pedroassun.com.br/cronica/sommelier/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pedro Assun]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Feb 2026 12:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Sommelier]]></category>
		<category><![CDATA[vinho]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://pedroassun.com.br/?p=4853</guid>

					<description><![CDATA[<p>Especialistas em tudo, experiência em nada.            Dizem que a origem do Sommelier veio da França: “era o carroceiro dos castelos e palácios, que, por transportar as pipas de vinho, acabou sendo incumbido de provar seu conteúdo antes que fosse servido aos reis”. Séculos depois, virou nome da profissão que é especialista em bebidas alcoólicas. ...</p>
<p>O post <a href="https://pedroassun.com.br/cronica/sommelier/">Sommelier</a> apareceu primeiro em <a href="https://pedroassun.com.br">Pedro Assun</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 35px;"><strong>Especialistas em tudo, experiência em nada.</strong></span></p>
<p><span id="more-4853"></span></p>



<p><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>Dizem que a origem do Sommelier veio da França: “era o carroceiro dos castelos e palácios, que, por transportar as pipas de vinho, acabou sendo incumbido de provar seu conteúdo antes que fosse servido aos reis”. Séculos depois, virou nome da profissão que é especialista em bebidas alcoólicas. E até aí tudo bem, faz sentido pela história. Mas, por algum motivo desconhecido, de uns anos pra cá, Sommelier se transformou num especialista em opinar sobre a vida dos outros.<br /><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">Tenho em mim que a porta de entrada foram as velhinhas. Elas, do alto de suas janelas e sacadas, sempre opinaram sobre o que não era da sua conta. Sem problemas, pois, se você não sabe, essas fofoqueiras de maior idade são patrimônio mundial da UNESCO e todo brasileiro tem um pouco delas no DNA.<br /><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">Acontece que a geração seguinte – as tias solteironas – pegou essa tradição, e, ao invés de fofocar de longe como suas antecessoras, desceram da janela e foram importunar os parentes com uma frase que mudou tudo: “e os(as) namoradinhos(as)?!”. E assim nasceram as “Sommeliers de namoradinhos(as)”, aprovando ou não quem você deve se relacionar. E não por acaso, elas são irmãs das “Sommeliers de filhos(as)”, que vivem dando pitaco na educação dos pequenos que nem são delas. A partir de então, essas opiniões não especializadas e muito menos solicitadas se espalharam como um vírus por aí.<br /><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">Hoje em dia, tem “Sommelier de vaga”: “não para aqui não”, “estaciona ali que é mais perto da entrada”; “Sommelier de direção”: aquele que, sentado no banco do passageiro, quer dirigir: “dá a seta”, “pega a rua X que não tem trânsito” “te falei pra virar à esquerda 2 ruas atrás”; até “Sommelier de louça” eu já vi: “tem que lavar primeiro as panelas, depois os talheres e aí os pratos”.<br /><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">Os “Sommeliers de reforma” e os de decoração são bem parecidos. Basta entrarem na sua casa para dar pitaco em como ela seria “mais bem aproveitada se quebrasse aquela parede, num estilo <em>open space</em>” (que eles dizem isso num sotaque inglês cafona).<br /><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">Já os “Sommeliers de profissão” têm sempre o curso perfeito e pouco confiável para você alavancar sua carreira. </span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">Falando nisso, um dos Sommelier mais profissionais que encontrei, treinava kung fu comigo. Um cara que, sem experiência nenhuma em nada, tinha uma opinião formada pra tudo. Era “nosso estilo de luta é o melhor que os outros” pra cá; “se o Brasil fosse igual ao Japão daria tudo certo”, pra lá. Como todo Sommelier, ele se chamava de especialista. Uma boa piada. Afinal, Sommeliers tiram números e lógicas de uma fonte muito única: a própria cabeça.<br /></span><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>Com a internet criou-se um campo onde eles aprendem e disseminam sua Sommeliezisse com vídeos e e-books cujos títulos são “o jeito certo de fazer tal coisa” ou “você não pode deixar de&#8230;”. Lá, tem “Sommelier de livro” que posta indicação de todo folheto que lê, “Sommelier de filme”, de receita que não cozinhou, de treino que não fez e por aí vai.<br /><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">           </span></span></strong>A verdade é que, se lá atrás o Sommelier provava o vinho para poupar os reis de algo ruim, o Sommelier moderno não precisa experimentar nada, basta uma opinião rasa, a certeza de que ela é genial e pronto: está aberta uma garrafa de bobagem para você tomar um gole. Eu, particularmente, preferiria veneno.</span></p>






<p>O post <a href="https://pedroassun.com.br/cronica/sommelier/">Sommelier</a> apareceu primeiro em <a href="https://pedroassun.com.br">Pedro Assun</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>LollaPaLoser</title>
		<link>https://pedroassun.com.br/cronica/lollapaloser/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pedro Assun]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Sep 2024 14:50:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://pedroassun.com.br/?p=4717</guid>

					<description><![CDATA[<p>O festival que é uma aventura.           Lá estou eu com os braços esticados segurando uma torta de morango diante do olhar da minha prima. Da mesma forma que os povos antigos, é preciso uma oferenda para ganhar os 4 ingressos do LollaPalooza 2019 em São Paulo que caíram do céu, digo, de uma mensagem ...</p>
<p>O post <a href="https://pedroassun.com.br/cronica/lollapaloser/">LollaPaLoser</a> apareceu primeiro em <a href="https://pedroassun.com.br">Pedro Assun</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 35px;">O festival que é uma aventura.<br /></span><br /><span id="more-4717"></span></p>



<p><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">          </span></span></strong>Lá estou eu com os braços esticados segurando uma torta de morango diante do olhar da minha prima. Da mesma forma que os povos antigos, é preciso uma oferenda para ganhar os 4 ingressos do LollaPalooza 2019 em São Paulo que caíram do céu, digo, de uma mensagem dela: “meu marido ganhou, mas não podemos ir. Tem interesse?”<strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">        </span></span></strong><br /><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">        </span></span></strong>Será um dia só pra convidados verem a seguinte Line Up: &#8220;Portugal The Man&#8221;, &#8220;Macklemore&#8221; e &#8220;Sam Smith&#8221;, eu não conhecia bem nenhum deles, mas como minha sobrinha diz &#8220;de graça até slime com aeronauta&#8221;, seja lá o que isso significa.<br /><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">        </span></span></strong>Existem pessoas que nascem com habilidades extraordinárias e a da minha prima é avaliar tortas. Os olhos dela avaliam a superfície arredondada do doce, medem a distância entre os morangos, a cor e crocância do biscoito… e como uma perua enrugada que verifica a poeira de um móvel na casa, ela passa o dedo indicador na cobertura e o leva à boca. Naqueles segundos insuportáveis de silêncio, cada emoção e pensamento que o Seu Nelson, o dono da padaria onde comprei a torta, colocou naquela receita, enfrenta o paladar que viajava o mundo à procura da fatia perfeita.<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">        </span></span></strong>一 Essa torta é realmente é a melhor 一 ela fica em silêncio por alguns segundos e completa 一 do seu bairro. Mas&#8230;vale os ingressos 一 ela diz enquanto mexe na bolsa.<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">        </span></span></strong>Ao segurar os ingressos, ouço um coral de anjos cantando &#8220;grátis&#8221; em latim. Ao fundo, bem baixinho, vem a voz da minha prima:<br /><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2"> </span></span></strong></span><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">       </span></span></strong>一 Não esquece que tem um voucher para entrar com carro, hein?!<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">        </span></span></strong>Só existe uma coisa ingrata naqueles ingressos: os shows acontecem numa quinta-feira, às 18:30 h. Fora que o LollaPalooza é em Interlagos. Para você ter uma ideia, meu bairro é tão longe de Interlagos que quando eu namorei uma menina de lá, levei um ovo de Páscoa e só cheguei no Natal.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">        </span></span></strong>Bom, só conheço 3 desocupados os suficientes pra fazer essa viagem na conhecida Hora do Caos de São Paulo: Aranha, um publicitário mestre na influência de boteco &#8211; quando ele fica bêbado, é capaz de convencer qualquer um a qualquer coisa. Inclusive foi desse jeito que convenceu a namorada dele, a Fê, a segunda pessoa, a ir junto e eu a levá-la. E por último, o Gui. Bom, o Gui é o Gui. É aquelas pessoas tão peculiares que só pelo nome você sabe quem é. E o Gui é um cara com um número tão alto de manias quanto as chances de ser pai.<br /><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">       </span></span></strong>Chega a prometida quinta-feira, o dia em que nós, que trabalhamos na mesma agência, devemos sair exatamente 1 hora e 10 minutos (também conhecida como 17h50) antes do fim do expediente 一 os 10 min marcam o tempo exato para pegarmos o ônibus. Caso o perdêssemos, o outro só chegaria 40 min depois.<br /><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">       </span></span></strong>Às 17h30, nos entreolhamos. Aranha e Gui já haviam conseguido permissão informal do coordenador deles. Era o famoso &#8220;eu finjo que não vi e vocês fingem que não me pediram&#8221;. A Fê usa a cartada da consulta com o psiquiatra, algo que não levanta nenhuma suspeita, uma vez que, naquela agência, todos contam com um. Ainda assim, temo que passar, um a um, pela sala de vidro do dono, de onde ele observa o movimento, e ainda desviar da catraca que controla nossos banhos de sol, digo, o horário de almoço.<br /><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">       </span></span></strong>Como a Fê tem o acesso livre, vai embora primeiro. Aranha e Gui passam na frente da sala de vidro inventando uma conversa na forma culta do publicitares &#8220;vamos fazer um ganha-ganha por meio de um <em>feedback</em> através de um <em>Design </em>Thinking de <em>BenchMark…</em>&#8221; que, foi, casualmente, dita num tom acima do normal para o dono ouvir. Eu sentado, ainda não pensei em nada e busco atentamente ao meu redor por uma oportunidade. Os outros estão posicionados: Aranha com o pessoal do TI, Gui no banheiro e Fê de tocaia na vendinha da frente para nos avisar. Esperamos o portão abrir 一 o portão tem 30 cm de altura, ele fica ao lado das catracas e não mede horário de entrada e saída; abrindo, somente e exclusivamente, quando chega algum carregamento para o salão (de festas) que a agência aluga nos finais de semana. E isso, leitor e leitora, só acontece nas quintas-feiras.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">       </span></span></strong>Chega mensagem da Fê: &#8220;abriram o portão&#8221;. Gui anda junto com os carregadores. Aranha na espera. Meu coordenador me chama na mesa dele para falar alguma coisa. Chego nele e fico concordando positivamente com a cabeça sem prestar atenção em nada. Enquanto faço isso, vejo meu departamento inteiro, e lá no fundo, um funcionário conversa com o dono da agência na sala de vidro. A distração perfeita.<br /><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">       </span></span></strong>&#8220;Encontrei minha oportunidade&#8221; penso.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">       </span></span></strong>Quando a conversa termina, passo direto pela minha mesa 一carregando a mochila baixa para não dar bandeira (algo que aprendi na escola). Olho o relógio do celular e vejo que tenho 8 minutos. Uma nova mensagem:</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">       </span></span></strong>一 Tô aqui fora também 一 é do Aranha.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">       </span></span></strong>Fê avisa que o carregamento está nas últimas peças. Aperto mais o passo, chegando a tempo de ver o portão sendo fechado. Mas um detalhe está ao meu favor: o funcionário da transportadora não fechou o portão no trinco, o que significava que só uma empurradinha é suficiente para abri-lo. Preciso distrair o pessoal da recepção.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">Peço ajuda para meus amigos livres e logo recebo uma mensagem do Aranha &#8220;espera só um pouquinho&#8221;.<br /><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">       </span></span></strong>Um minuto depois, Aranha e Gui aparecem com uma caixa de chocolate Garoto meio vazia e oferecem, com um sorriso falso, para Elaine e Jaime, os recepcionistas. O casal começa a coçar o cabelo, franze a testa e vira a cabeça focado na caixa. Ainda meio sem entender o que acontecia, passo rapidinho pelo portão, dando tchau naturalmente. Ninguém me nota.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">       </span></span></strong>Mais tarde, dentro do ônibus, Aranha me explica que eles tiraram os sabores mais famosos &#8211; ao leite, crocante, cremoso &#8211; deixando apenas os menos afortunados &#8211; o de banana, de amendoim e paçoca. E que a dificuldade de querer um chocolate e ao mesmo tempo, ter opções tão sofridas, causou um curto-circuito no cérebro que desligou as outras funções por alguns segundos, incluindo a da atenção.<br /><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">       </span></span></strong>Vamos até minha casa onde está nosso transporte, a notável e ilustre &#8220;Van de Mãe&#8221; que recebe esse nome pois, como o coração materno, carrega qualquer coisa, desde material de construção até artigos da feira, inclusive os 4 bananas que iam para o Lolla.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">      </span></span></strong>Entramos no carro, ajeito os banco pra frente, mais pra frente e um pouco mais frente 一  1,60 cm de altura não ajudam na hora de dirigir 一 e lá vamos para 2 horas de &#8220;bi bi..fom fom&#8221; &#8220;corre&#8221; &#8220;ali tem um espaço&#8221;, &#8220;celera, celera… mas não muito&#8221;&#8230;</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">      </span></span></strong>No caminho, dei os ingressos para Gui que reparou que um era diferente:</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">      </span></span></strong>一 Esse aí é ingresso/voucher do estacionamento – eu disse tranquilizando-o.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">       </span></span></strong>Chegamos lá a tempo. A mulher da 1° catraca, a do estacionamento, verifica os 4 ingressos. Em seguida, ela destaca um deles numa linha pontilhada e me devolve metade.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">       </span></span></strong>Estaciono o carro e vamos para a 2° e última catraca. No caminho, dou o ingresso para cada um e fico com a metade que a mulher da catraca me deu. Aranha e Fê passam com seus códigos no leitor a laser que apita liberando a catraca. Quando é a minha vez, nada do leitor apitar, muito menos ficar verde. O segurança me vê tentando:</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">       </span></span></strong>一 Deixa eu vê seu ingresso.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">       </span></span></strong>一 Esse aqui não é ingresso, é só um voucher.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">       </span></span></strong>一 Não é possível.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">       </span></span></strong>一 Olha aí garoto, não tem código aqui – e aponta para o papel.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">       </span></span></strong>一 A moça pode ter pego a metade errada – disse Gui que ainda não tinha passado na catraca.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">       </span></span></strong>一 Boa ideia, vou voltar lá e perguntar pra ela.<br /><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">      </span></span></strong>Ando por 5 minutos até a entrada do estacionamento. Explico para a moça da catraca o que tinha acontecido.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">      </span></span></strong>一 Não existe ingresso/voucher, só voucher estacionamento mesmo – ela diz isso, enquanto me mostra que não recolheu nenhum ingresso por engano.<br /><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">      </span></span></strong>Vendo que a moça está ocupada e não poderia me ajudar, decido voltar ao segurança da catraca do show. Mas, para não andar 5 min de volta, resolvo pedir uma carona, para um dos carros que está entrando, até o fim do estacionamento. E surpreendentemente, dá certo.</span><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><br /><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">      </span></span></strong>Vou me aproximando do segurança, já treinando os olhos do cachorro pidão na chuva. Convencer aquele homem alto, de terno e de cara amarrada é minha única esperança.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">      </span></span></strong>一 Então seu segurança.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">      </span></span></strong>一 Ricardo &#8211; ele responde sério</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">      </span></span></strong>一 Acontece uma coisa superengraçada – eu forço um sorriso.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">      </span></span></strong>Ricardo não esboça nenhuma reação.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">      </span></span></strong>一 Ganhei ingressos da minha prima pra esse show exclusivo. Só que sou muito burro e desligado, e achei que um dos tickets era pra estacionamento e ingresso de entrada, mas na real, é só para estacionamento. Engraçado, né?! Meus 2 amigos estão lá dentro, só falta eu pra curtir esses shows todos com eles&#8230;</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">      </span></span></strong>一 Hunf – Ricardo faz um som com a boca fechada.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">      </span></span></strong>一 E sabe que pode me ajudar?!</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">      </span></span></strong>一 A Cleide de catraca.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">      </span></span></strong>一 Não, não, já falei com ela e não deu em nada. Mas tô falando, Ricardão. Posso te chamar assim?</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">      </span></span></strong>一 Não.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">      </span></span></strong>一 Tá, Ricardo, só você pode me ajudar. Daquele jeito, sabe – então faço a cara de cachorro ao mesmo tempo que pisco.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">Ele olha pro meu rosto:<br /><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">      </span></span></strong></span><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">一 Vai vomitar? Faz longe de mim!</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">      </span></span></strong>一 Não, essa era minha cara de&#8230; deixa pra lá. Mas eu tô falando sério, só tenho esse ingresso &#8211; e mostro o ticket.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">      </span></span></strong>一 Isso é uma tatuagem de pirata? – Ricardo aponta para o meu braço.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">      </span></span></strong>一 É sim, por quê?</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">      </span></span></strong>一 Meu filho adora pirata, ele também quer fazer uma.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">      </span></span></strong>一 A é?! Quantos anos ele tem?</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">      </span></span></strong>一 8. – Ricardo começa abrir um sorriso.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">      </span></span></strong>一 Que legal&#8230;</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">      </span></span></strong>一 O moleque adora se aventurar pelos 7 mares. Ele faz nosso sofá de barco e diz que o chão</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">é o mar. E sabe quem é o papagaio? O nosso cachorro – Ricardo ri.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">      </span></span></strong>一 Fiz essa tatuagem em homenagem Piratas do Caribe, amo esse filme.<br /></span><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">      </span></span></strong>一 Nossa, meu filho também ama o Jack Sparrow!</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">Discretamente chamo meus amigos, todos se aproximam da catraca e, espertamente, fazem perguntas para Ricardo. Então acontece uma simples troca: o segurança fica 10 minutos falando do filho enquanto nós fingimos estar interessados. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">      </span></span></strong>一  Tá vendo, Ricardo, essa foi minha aventura pirata do dia. Só que sai pros 7 mares despreparo.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">      </span></span></strong>一  Você me lembra meu filho mesmo.<br /><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">     </span></span></strong>Eu abro um leve sorriso.<br /><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">     </span></span></strong>一 Ele é meio tapadinho igual você – Ricardo completa.<br /><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2"> <span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">  </span></span></span></strong>Eu ignoro e falo:</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">   </span></span></strong>一 Eeeeee&#8230;?</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">   </span></span></strong>一 Tá bom, garoto, vou pegar um dos ingressos que sobrou aqui e passo pra você.</span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">   </span></span></strong>Todos comemoramos e, um a um, agradecemos Ricardo. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;">Presenciamos shows fantásticos, com vocais e bandas surpreendentes, e o melhor, como é só pra convidados, nada está lotado, nem o bar, nem o banheiro e nem perto do palco onde ficamos. </span><br /><span style="font-family: fonte-pedro; font-size: 30px;"><strong><span class="TextRun SCXW183424856 BCX2" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW183424856 BCX2">   </span></span></strong>E na volta, no carro, todos cantamos punk rock num alto coro, e eu, dirigindo, tenho uma só certeza: o dia de hoje vai ser uma boa história pra contar.</span></p>
<p>O post <a href="https://pedroassun.com.br/cronica/lollapaloser/">LollaPaLoser</a> apareceu primeiro em <a href="https://pedroassun.com.br">Pedro Assun</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Pizza de metrô</title>
		<link>https://pedroassun.com.br/cronica/pizza-de-metro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pedro Assun]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Sep 2024 13:33:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[comida]]></category>
		<category><![CDATA[cronica]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://pedroassun.com.br/?p=4614</guid>

					<description><![CDATA[<p>Se mentira fosse uma pizza, seria um brotinho?            Voltando do colégio cruzo com um menino de roupa surrada, de uns 11 anos, na saída do metrô. Ele vem falar comigo:           — E aí tio, têm uns trocados? Preciso comprar uma coisa.           — Que coisa?           Ele olha pra cima, pro canto&#8230;           — Ehhh&#8230;uma pizza. Isso, ...</p>
<p>O post <a href="https://pedroassun.com.br/cronica/pizza-de-metro/">Pizza de metrô</a> apareceu primeiro em <a href="https://pedroassun.com.br">Pedro Assun</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 35px;"><strong>Se mentira fosse uma pizza, seria um brotinho?</strong></span></p>
<p><span id="more-4614"></span></p>



<p><strong>           </strong><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;">Voltando do colégio cruzo com um menino de roupa surrada, de uns 11 anos, na saída do metrô. Ele vem falar comigo:</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>— E aí tio, têm uns trocados? Preciso comprar uma coisa.<strong><br />           </strong>— Que coisa?</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>Ele olha pra cima, pro canto&#8230;</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong> — Ehhh&#8230;uma pizza. Isso, uma pizza</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>— Pizza? Numa terça à tarde, acho que nem vende.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>— Lógico que vende, na promoção ainda, ali no seu Mar&#8230;Mateu&#8230;Moacir. No seu Moacir.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>— E onde fica? Sempre passo por aqui e não ouvi falar dele.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>— É que ele acabou de abrir e fica ali na rua de cima, virando esquerda, depois na direita na diagonal na Ladeira da Morte.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>— Mas isso nem é nome de rua.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>— Ah, é o apelido que os skatista deram. Na real, nem sei qual o nome oficial dela não. Mas e aí, vai ajudar?</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>— Olha, posso ir ali no bar do outro lado da rua e pedir um pão de queijo pra você, que tal?</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>— Não rola, sou vegano.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>— Mas vegano também não come pizza.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>— É ainda não sei o que significa ainda. Só sei que gente rica é vegana e eu quero ser rico também.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>— Bom, foi mal, mas eu não tenho trocado pra uma pizza inteira.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>— É só pra inteirar, tio. Aí vou juntar com os trocado que outros moleques tem.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>— Mas não tô vendo nenhum outro moleque aqui – digo, enquanto olho em volta.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>— É que&#8230;foram buscar a 1ª pizza. É que são muitos, aí precisamos de 2 pizzas.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>— E deixaram você aqui sozinho, sei&#8230;</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>— É preconceito com vegano.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>— Oh, você falou muita coisa, mas não me passou confiança, como vou confiar que você não vai comprar droga?</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>— Tá louco, quem vai trocar uma pizza por droga?</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>— É, você tá certo. Tá bom vai, vou te ajudar com 2 reais que é o que eu tenho aqui.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>— Você tem cara de idio&#8230;digo, de rico. Vê logo 5.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>— Não, vai 2 mesmo.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>Assim que recebe a nota, o menino sai correndo pra pedir dinheiro para outra pessoa.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>Vou subindo a rua. Quando vejo descendo 7 moleques mais velhos tomando conta da calçada. Eles me cercam e o líder, num tom mais agressivo manda &#8220;aí tiozão, me vê dá 10&#8221;. Fico meio acuado, sem saber o que fazer, pensando que vou dar 10 por espontânea pressão até que ouço:</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>“Libera aí ele aí Vands, que o riquinho é firmeza.” – o primeiro menino com quem conversei, grita ao longe.</span><br /><span style="font-family: Fonte-Pedro; font-size: 30px;"><strong>           </strong>Todos abrem a roda e me deixam passar. Continuo meu caminho até que vejo, logo em seguida, um oitavo moleque carregando uma caixa de pizza e nela estava escrita: Pizza &#8220;Seu Moacir&#8221;.       </span></p>
<p> </p>
<p>O post <a href="https://pedroassun.com.br/cronica/pizza-de-metro/">Pizza de metrô</a> apareceu primeiro em <a href="https://pedroassun.com.br">Pedro Assun</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
